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Ciclo de apresentação e ativação do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, com curadoria de Rui Torres. [Calendário. Sinopses]
REMISTURAR O ARQUIVO · Cinco Dimensões do Texto Experimental
Biblioteca Poética Eugénio de Andrade, Porto | po-ex.net | Curadoria e Apresentação: Rui Torres
REMISTURAR O ARQUIVO é um ciclo de cinco sessões dedicadas à apresentação, ativação e remistura do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, entendendo o arquivo não como repositório fixo, mas como matéria viva, instável e reprogramável. Cada sessão propõe o cruzamento entre investigação, curadoria, criação artística e debate público, a partir de cinco dimensões da poética experimental: Texto-Imagem, Texto-Texto, Texto-Som, Texto-Espaço e Texto-Código.
O ciclo será conduzido pelo curador Rui Torres, com a participação de um convidado por sessão, especialista nas áreas abordadas. Através de remistura, performance, leitura expandida e programação, o projeto revisita materiais históricos da PO.EX e cruza-os com práticas contemporâneas da poesia digital, artes visuais, performance, som, edição experimental e cultura algorítmica.
Mais do que apresentar um arquivo, REMISTURAR O ARQUIVO propõe um gesto crítico e criativo sobre a própria ideia de arquivo na era digital: instável, recombinante, político e em permanente reescrita.
Ver documentação reunida na página na secção Exposições do Arquivo.
TEXTO–TEXTO | Escritas modulares · Arquiteturas da palavra
22 março 2026 · 16:00 | Com Inês Cardoso
[Fotografias cortesia de Norma Pott]
Na dimensão Texto–Texto, REMISTURAR O ARQUIVO ativa o Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa como campo de experimentação e leitura crítica. Mais do que apresentar um conjunto de obras históricas, esta sessão propõe o arquivo como matéria viva, recombinante e instável, um território onde o texto se reorganiza, se desloca e se reinventa. Em diálogo com Inês Cardoso, a sessão centra-se nas práticas concretas e concretistas, na espacialização do texto, nas arquiteturas tipográficas e nos livros de artista enquanto dispositivos híbridos de leitura. A poesia experimental é aqui entendida não como género fechado, mas como atitude: uma prática que expõe o texto enquanto processo, enquanto construção material, enquanto sistema de relações. O poema deixa de ser apenas verso e passa a ser objeto visual, estrutura espacial, constelação de signos. Mais do que perguntar “o que significa?”, esta sessão convida a perguntar: como significa? Como se organiza o texto no espaço? Como se constrói o sentido quando a linearidade é interrompida? Como pode o livro tornar-se objeto expandido?
Atividade Paralela: Instalação de poema digital de Rui Torres. A partir do poema “As Palavras” de Eugénio de Andrade, esta instalação cria um campo de variações em fluxo contínuo. O texto original surge como matriz e memória: cada novo ciclo recompõe o poema através de substituições lexicais organizadas por categorias gramaticais e campos semânticos. Substantivos, adjetivos e verbos alternam-se, preservando a estrutura sintática mas deslocando o sentido. Na projeção, os versos sobem como créditos de um filme, com um movimento lento, contínuo, que convida à leitura contemplativa. Em paralelo, duas camadas sonoras (vozes e texturas) entrelaçam-se, criando um ambiente acústico em permanente recomposição. A obra não procura fixar um texto definitivo, mas abrir o poema a um regime de metamorfose: entre permanência e variação, memória e presente.
Página de evento no site Bibliotecas do Porto : https://www.bibliotecasdoporto.pt/evento/palavras-com-carga-viral-remisturar-o-arquivo-poesia-experimental/


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TEXTO–IMAGEM | Escritas para Ver · O Olho Lê
11 abril 2026 · 16:00 | Com Bruno Ministro
Na dimensão Texto–Imagem, REMISTURAR O ARQUIVO desloca o foco da linearidade da leitura para a visualidade da escrita. O texto deixa de ser apenas sequência verbal e assume-se como superfície, desenho, inscrição gráfica. Partindo do Arquivo Digital da PO.EX, esta sessão revisita práticas que, desde os anos 1960, têm vindo a explorar a dimensão visual do poema: labirintos tipográficos, poesia concreta e visual, eletrografia, experiências videopoéticas. Mais do que ilustrar palavras, estas práticas interrogam a própria condição da linguagem enquanto forma visível. Em diálogo com Bruno Ministro, a sessão centra-se na materialidade gráfica da escrita e nas formas como o texto pode organizar-se como imagem, estrutura e composição espacial. A poesia experimental é aqui entendida como gesto que expõe os mecanismos da significação: fragmentação, repetição, montagem, sobreposição. A poesia visual afirma a leitura como experiência sensorial e espacial. O poema pede para ser visto, percorrido, aproximado e afastado. O sentido emerge não apenas do que se lê, mas de como se vê. Esta sessão propõe, assim, uma reflexão sobre a genealogia visual da poesia experimental portuguesa e a sua projeção nas práticas contemporâneas de remix, glitch e edição expandida. Mais do que perguntar “o que significa?”, importa perguntar: que forma assume o texto? Que arquitetura visual constrói? Como transforma o olhar em gesto de leitura?
Um espaço de leitura ativa, onde ver é também ler.
Atividade Paralela: Instalação de poema digital «As Mãos e os Furtos», de Bruno Ministro. A peça consiste num gerador de texto combinatório que convoca e remistura os termos mais frequentes na poesia de Eugénio de Andrade e Mário Cesariny. Revisitando um episódio ocorrido em 1951, quando Cesariny sugere que Eugénio cometera plágio de versos seus, esta obra realiza uma análise criativa das ocorrências de palavras na poesia completa de ambos. O resultado é no mínimo surpreendente: o índice de léxico comum é elevado, não tanto no momento do alegado plágio de meia dúzia de versos, mas sobretudo no meio século que se seguiu. Não existiu plágio nem num momento nem noutro. A obra agora apresentada, isso sim, configura ela mesma um uso criativo do “plágio” na medida em que toma para si o léxico e as estruturas sintáticas de ambos os poetas para os remisturar e redistribuir em tempo real.
Página de evento no site Bibliotecas do Porto : https://www.bibliotecasdoporto.pt/evento/remisturar-o-arquivo-poesia-experimental-2/
Página criada no Arquivo Digital da PO.EX para apoiar apresentação de Bruno Ministro: https://po-ex.net/anarquivo/remisturar/texto-imagem/index.html
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TEXTO–SOM | A Voz do Texto · Ler com os Ouvidos
24 abril 2026 · 21:00 | Com Nuno Miguel Neves
Na dimensão Texto–Som, REMISTURAR O ARQUIVO desloca o foco da página para a voz. O texto deixa de ser apenas objeto visual para se tornar acontecimento acústico. A leitura abandona o silêncio e transforma-se em escuta ativa, convocando respiração, ritmo, intensidade e presença. Partindo do Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa, esta sessão revisita experiências de poesia fonética e sonora que, desde os anos 1960, expandiram os limites da linguagem literária. A palavra fragmenta-se, repete-se, vibra, dissolve-se em matéria sonora. O poema surge como performance, gesto vocal e composição temporal. Em diálogo com Nuno Miguel Neves, a sessão explora a dimensão material da voz e as relações entre literatura, música e performance. A poesia experimental é aqui entendida como prática que torna audíveis as estruturas da linguagem, expondo o som como elemento constitutivo do sentido. Mais do que perguntar “o que significa?”, importa perguntar: como soa? Como respira o texto? Como se transforma quando é dito, cantado, amplificado ou distorcido? O poema deixa de ser apenas lido e passa a ser vivido como experiência sensorial e coletiva. Num contexto em que a oralidade regressa sob novas formas — do spoken word à arte sonora — Texto–Som propõe uma escuta crítica do arquivo e da contemporaneidade. Um espaço onde a voz se afirma como instrumento poético e político, e onde ouvir é também interpretar.
Atividade Paralela: Projeção audiovisual de performances de Américo Rodrigues. Durante a sessão será apresentada uma projeção audiovisual de performances de Américo Rodrigues, figura incontornável da poesia sonora portuguesa. Através de registos performativos, o público poderá revisitar experiências que cruzam palavra, voz e presença cénica. Esta projeção prolonga a reflexão sobre a dimensão acústica do texto. Entre gesto, respiração e intensidade vocal, a obra de Américo Rodrigues evidencia a centralidade do corpo na produção do sentido.
Página de evento no site Bibliotecas do Porto : https://www.bibliotecasdoporto.pt/evento/remisturar-o-arquivo-poesia-experimental-3/
Página criada no Arquivo Digital da PO.EX para apoiar apresentação de Nuno Miguel Neves: https://po-ex.net/images/stories/anarquivo/texto-som/remisturar.html
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TEXTO–ESPAÇO | Escrita que Ocupa · Texto em Trânsito
23 maio 2026 · 16:00 | Com Sandra Guerreiro Dias
[Fotografias cortesia de Nuno Medeiros]
Na dimensão Texto–Espaço, REMISTURAR O ARQUIVO propõe uma deslocação decisiva: o texto abandona a página e passa a ocupar o espaço. A escrita torna-se instalação, percurso, gesto situado. O poema deixa de ser apenas objeto de leitura e transforma-se em experiência habitável. Partindo do Arquivo Digital da PO.EX, esta sessão revisita práticas que expandiram a poesia para além do livro: poemas-objeto, intervenções no espaço público, ações performativas, instalações textuais. O texto é aqui entendido como estrutura espacial e dispositivo relacional, convocando o corpo do leitor e a sua circulação no espaço. Em diálogo com Sandra Guerreiro Dias, a sessão centra-se nas relações entre literatura, performance e espacialização, explorando como a escrita pode construir ambientes, delimitar territórios simbólicos e ativar experiências sensoriais. Mais do que perguntar “o que significa?”, importa perguntar: onde acontece? Como se percorre um poema? Que relações estabelece com o espaço que o envolve? A leitura transforma-se em deslocação, em gesto físico, em experiência partilhada. Um convite a pensar o poema como arquitetura efémera e o espaço como matéria poética.
Atividade Paralela: Projeção audiovisual de performances de Gabriel Rui Silva. Durante a sessão será apresentada uma projeção audiovisual de performances de Gabriel Rui Silva, cuja prática artística explora a interseção entre texto, corpo e espaço. Esta projeção prolonga a reflexão sobre a dimensão espacial da escrita, evidenciando a forma como o corpo ativa o texto e o transforma em acontecimento situado. Entre intervenção, ação e instalação performativa, a performance revela o poema como experiência física e relacional.
Página de evento no site Bibliotecas do Porto : https://www.bibliotecasdoporto.pt/evento/remisturar-o-arquivo-poesia-experimental-4/
Página criada no Arquivo Digital da PO.EX para apoiar apresentação de Sandra Guerreiro Dias: https://po-ex.net/images/stories/anarquivo/texto-espaco/bpea/index.html
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TEXTO–CÓDIGO | Máquinas de Escrita · Código e Linguagem
20 junho 2026 · 21:00 | Com Diogo Marques
[Fotografias cortesia de Norma Pott]
Na dimensão Texto–Código, REMISTURAR O ARQUIVO propõe uma mudança de paradigma: o texto torna-se sistema em execução. A leitura transforma-se em interação, escolha e participação. O poema emerge como processo, como dispositivo algorítmico, como máquina de variação. Partindo do Arquivo Digital da PO.EX, a sessão revisita práticas combinatórias e experimentais que antecedem o digital, projetando-as nas formas contemporâneas da literatura eletrónica. Em diálogo com Diogo Marques, a sessão explora o texto enquanto estrutura programável e interface interativa. O poema passa a ser aquilo que acontece em tempo real, através de regras, algoritmos e decisões incorporadas no sistema. Mais do que perguntar “o que significa?”, importa perguntar: como funciona? Quem define os percursos possíveis? Que possibilidades foram inscritas no código? A escrita revela-se como arquitetura invisível que organiza a experiência do leitor. Um espaço onde autor, leitor e máquina se contaminam mutuamente, e onde o texto se afirma como sistema em permanente transformação.
Atividade Paralela: Instalação interativa ”Urgentemente, ainda”, de Diogo Marques / d1g1t0 indivíduo_coletivo. Em “Urgentemente”, de Eugénio de Andrade, a construção ética do amor atravessa as palavras convocadas e obriga a uma contínua inscrição no presente. Em “Urgentemente, ainda”, esse cuidado pela necessidade, nascido no seio de uma certa re/depressão, ganha nova materialidade pela sua disposição em ecrã e pelas mãos que agora tocam o poema, numa série de operações de releitura que a instalação permite experienciar entre corte, repetição, troca e retorno. Transformado numa pequena máquina textual de criar urgências (des)medidas, o poema conserva o esqueleto que sustenta o original, embora tocado pela instabilidade de novas e renovadas urgências. A permanência confronta-se com uma efemeridade insistente, feita de passagens, falhas, retornos e pequenos desvios ao programa que tenta regular a aparição das palavras. Entre mãos individuais e vozes coletivas que escreleem o poema, resta-nos uma resolução frágil, ainda que o amor, essa palavra mais-que-urgente, permaneça, indelével, no fulgor breve da sua aparição.
Mostra de Livros, Publicações e Objetos Poéticos: Em paralelo com a sessão TEXTO–CÓDIGO do ciclo REMISTURAR O ARQUIVO, a Biblioteca Poética Eugénio de Andrade acolhe uma mostra de livros, publicações e objetos poéticos que exploram a linguagem como processo, variação e interação. Reunindo obras de autores da Poesia Experimental Portuguesa e das suas continuidades contemporâneas, a mostra percorre cinco décadas de experimentação material, visual e computacional. Dos livros e desdobráveis às caixas, disquetes, CD-ROMs e objetos impressos, as obras apresentadas revelam modos diversos de pensar a escrita como forma, sistema e experiência.
Página de evento no site Bibliotecas do Porto : https://www.bibliotecasdoporto.pt/evento/remisturar-o-arquivo-poesia-experimental-5/
Página criada no Arquivo Digital da PO.EX para documentar a Mostra de livros, publicações e objetos poéticos da Coleção de Rui Torres, em diálogo com o Arquivo Digital da PO.EX: https://po-ex.net/anarquivo/remisturar/mostra/
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