Diálogos entre Ernesto de Sousa e a Poesia Experimental Portuguesa

Rui Torres, Diálogos entre Ernesto de Sousa e a Poesia Experimental Portuguesa

Artigo de Rui Torres publicado no dossiê E. M. de Melo e Castro da Revista do Centro de Estudos Portugueses. [Resumo. Ligação]


Resumo: O objetivo deste artigo é apresentar a poesia experimental portuguesa através da identificação de certos ecos e nexos que as suas criações verbivocovisuais estabelecem com as propostas estéticas de Ernesto de Sousa, colocando-os por isso em diálogo. Pretende-se para isso focalizar o estudo do experimentalismo poético em vetores orientadores que acreditamos permitir uma abordagem mais adequada à multiplicidade e profusão do corpus disponível. Esse foco norteador será construído a partir do conceito de diálogo(s): diálogo com o leitor (a obra em relação interativa com o receptor, isto é, a sua abertura à interpretação); diálogo com a escrita (a obra reflexiva em relação à linguagem, a sua abertura ao código); e diálogo com a tradição (a obra como releitura e reescrita, a sua abertura ao mundo). Conclui-se que a poesia experimental sinaliza uma libertação do texto em direção ao leitor, ao código e a uma renovação da tradição: a uma libertação que é simultaneamente estética e política, aspetos aqui referidos como poeprática e poelítica.

Palavras-chave: Poesia experimental portuguesa; dialogismo; abertura; Ernesto de Sousa.

Abstract: The aim of this paper is to present the Portuguese experimental poetry through the identification of certain echoes and nexuses that its verbivocovisual creations establish with Ernesto de Sousa’s aesthetic proposals, thus placing them in dialogue. This is achieved by focusing the study of poetic experimentalism using some guiding vectors that we believe allow for a more adequate approach to the multiplicity and profusion of the available corpus. This guiding focus will be built from the concept of dialogue(s): dialogue with the reader (the work in interactive relationship with the receiver, that is, its openness to interpretation); dialogue with writing (the reflexive work in relation to language, its openness to the code); and dialogue with tradition (the work as rereading and rewriting, its openness to the world). We conclude that experimental poetry signals a liberation of the text towards the reader, the code, and a renewal of tradition: a liberation that is both aesthetic and political, aspects referred to here as poepractice and poelitics.

Keywords: Portuguese experimental poetry; dialogism; openness; Ernesto de Sousa.

DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2359-0076.40.63.107-126

Publicado na Revista do Centro de Estudos Portugueses, v. 46, n. 63 (2020) – Dossiê E. M. de Melo e Castro.

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