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Videobox, Mesas-redondas, Performances, com organização da Miso Music Portugal, O’culto da Ajuda, Lisboa. [Cartaz. Textos. Ligações]
Apresentação pelos Curadores >
FONOVOZ 2025 – Dissonância Dissidência
O encontro FONOVOZ de 2025 foi concebido a partir da articulação do par de palavras “dissonância” e “dissidência”. A modulação sonora que associa os dois conceitos parte destas duas perguntas: como evocar o momento político presente através da poesia sonora? O que pode a voz contra a linguagem violenta do poder? Os quatro autores foram convidados a preparar as suas performances a partir desta ideia, incluindo a criação de uma peça original. O mesmo princípio foi usado na curadoria dos vídeos, selecionados do arquivo histórico e contemporâneo, com base na premissa de que o poema sonoro pode ser produzido e escutado como um exercício de política da linguagem.
FONOVOZ: Encontros de Poesia Sonora
A expressão “poesia sonora” designa um espectro muito amplo de práticas, que se estendem da poesia fonética futurista e dadaísta das primeiras décadas do século XX à poesia sonora eletrónica das primeiras décadas do século XXI. Nos seus inícios, era a própria notação alfabética que suportava a permutação de sons da voz humana para além da infraestrutura da palavra e da língua. A partir da invenção da fita magnética e, mais tarde, do computador digital, a manipulação das propriedades acústicas da voz através da gravação expandiu as possibilidades expressivas. Além disso, a experimentação com as capacidades corporais de articulação e emissão de som deu origem a técnicas performativas singulares. Esta intersecção histórica entre escrita, tecnologias mediais e práticas vocais originou uma profusão de géneros e formas de poesia sonora, algumas das quais mais próximas das artes da música do que das artes da linguagem.
Os Encontros FONOVOZ apresentam uma amostra da poesia sonora contemporânea na qual se reconhecem quer a diversidade formal e técnica, quer a força criativa desta prática artística e literária. FONOVOZ toma a tensão entre pré-linguístico, linguístico e pós-linguístico como critério curatorial. Se a poesia sonora pode ser descrita como um modo de usar e escutar a voz para lá da sua articulação diferencial em signos, esta perceção puramente acústica é intensificada pelo reconhecimento da presença fragmentária e decomposta da palavra. Trata-se de situar a nossa atenção nessa oscilação entre perceção fonográfica e perceção vocálica, que nos permite escutar os sons da língua e os sons da voz ao mesmo tempo. A poesia sonora oferece-nos uma arte da linguagem enquanto processo emergente da máquina fonadora do corpo humano. É essa máquina em ação que os artistas convidados nos permitirão ver e ouvir ao vivo.
Curadores: Manuel Portela e Rui Torres
Os curadores do evento, Rui Torres e Manuel Portela, deram recentemente uma entrevista à Antena 2, conduzida por Pedro Boléo, na qual apresentam o evento:
https://www.rtp.pt/play/p8534/e878184/musica-de-invencao-e-pesquisa
Fonte: https://www.misomusic.me/concertslist/202510-10e11
Cartaz e Folha de Sala >
Programa | Vídeos >
10-10-2025
16H30–17H00
> VideoBox – vídeos de performances de poesia sonora em grande ecrã: Katalin Ladik, Tomomi Adachi, Jaap Blonk
17H15–18H30
> Mesa Redonda: Miguel Azguime, Rui Torres, Fernando Aguiar, Alessandra Eramo
21H00–23H00
> Performances: Fernando Aguiar & Alessandra Eramo
11-10-2025
16H30–17H00
> VideoBox – vídeos de performances de poesia sonora em grande ecrã: Zuzana Husárová, bpNichol, Steve McCaffery, Paul Dutton
17H15–18H30
> Mesa Redonda: Manuel Portela, Rui Torres, Sara Belo, Dirk Huelstrunk
21H00 – 23H00
> Performances: Dirk Huelstrunk & Sara Belo
Artistas Convidados >
Fernando Aguiar (PT) é um artista visual, poeta e performer cujo trabalho explora as intersecções entre linguagem, visualidade e ação. A sua prática artística abrange a poesia visual e sonora, a performance, a instalação, a arte pública e a produção de livros, com especial enfoque na presença material e espacial da palavra. Um aspeto central do seu trabalho é a materialização performativa da linguagem, fazendo a voz, o gesto e o texto convergir em intervenções site-specific e, frequentemente, de grande escala. Desde a década de 1980 que tem sido uma figura fundamental no desenvolvimento e na divulgação internacional da poesia experimental portuguesa, sendo curador de festivais, exposições e antologias que moldaram a área. A sua investigação sobre as dimensões visuais e sonoras da letra e da palavra continua a expandir as possibilidades de expressão poética cruzando diferentes média e disciplinas.
Alessandra Eramo (IT/DE) é uma artista, vocalista, performer e compositora radicada em Berlim, cujo trabalho abrange a performance e a instalação, a poesia sonora, o vídeo e o desenho, explorando os territórios acústicos latentes da voz e a natureza sociopolítica do ruído. Desenvolve projetos de arte multimédia e performances ao vivo que abordam questões de corpo, memória, migração e identidade, incorporando frequentemente ações participativas, gravações de campo, métodos site-specific e abordagens experimentais de composição. A expansão da voz em todas as suas formas e implicações em contextos sonoros e visuais é central na sua prática, esbatendo as fronteiras entre géneros e tradições. A sua investigação atual investiga a materialidade da voz, a tensão entre vocalidade e escrita, e os rituais performativos do som. Aprendeu canto clássico, piano e teoria musical desde criança, licenciou-se em Belas Artes e concluiu o mestrado em Estudos de Performance.
Sara Belo (PT) é actriz, cantora, professora de voz e experimentalista vocal. Obteve o Doutoramento em Artes Performativas e da Imagem em Movimento pela U.L. com a tese “A Voz como impulsionador da Criação Cénica – A Pré-voz como alicerce de um Teatro Vocal”. É Especialista em Voz (I.P.L.) e Mestre em Estudos de Teatro (Faculdade de Letras). Licenciada pela E.S.T.C., onde leciona Voz desde 2004, estudou Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional. Trabalhou com encenadores como João Brites, João Mota, Jorge Silva Melo e Carlos Pessoa, e colaborou com compositores como Jorge Salgueiro e Daniel Schvetz, com quem gravou o CD “Canção de Vidro”. Em 2022, foi Beatriz no último espectáculo a partir da trilogia de Dante, Paraíso, estreada no T. N. D. Maria II. Como experimentalista vocal destaca o duo aCorda (prémio Jovens Criadores 2008 – CPAI) e a sua primeira criação em 2014 — MAGMA, solo vocal — no Teatro Meridional e o recente CD lançado em 2024 “Voz Nua”. Ultimamente integrou o elenco de Orpheu , de Diónysos e de Medeia com texto original de Hélia Correia, dirigida por Pedro Ramos.
Dirk Huelstrunk (DE) é poeta sonoro e de spoken word, escritor, professor de escrita criativa e curador de eventos de arte/poesia de Frankfurt/Main, Alemanha. Trabalha com e entre diferentes meios e colabora frequentemente com artistas visuais e músicos. A sua obra centra-se na escrita de poesia para apresentação ao vivo e na criação de poesia improvisada ao vivo e arte sonora com um looper. Huelstrunk tem feito palestras sobre poesia sonora, spoken word, arte marginal, além de workshops de escrita criativa e poesia performativa. Tem programado e apresentado eventos literários, incluindo leituras, debates e espetáculos de poesia. Desde 2020 que realiza podcasts de literatura e poesia.