um desejo inconcebível de abrir todas as portas

um desejo inconcebível de abrir todas as portas

Exposição de obras de António Aragão na Casa da Cultura de Santa Cruz – Quinta do Revoredo, Ilha da Madeira. [Imagens. Texto. Vídeo. Ligações]


um desejo inconcebível de abrir todas as portas


Exposição realizada no âmbito das comemorações Multiplicidade da experiência, António Aragão (1921-2008), antena receptiva.

Com obras dos arquivos e coleções de António Dantas, Bruno Ministro, César Figueiredo, Fernando Aguiar, CCSC e MUDAS e em parceria com o Arquivo Digital da PO.EX.

Curadoria: Bruno Ministro
Data: 17 de setembro a 27 de novembro de 2021
Local: Casa da Cultura de Santa Cruz – Quinta do Revoredo


Imagens da exposição >

[Entrada]


eu vagamente acontecendo na obscuridade > biografia e cronologia

[onde se apresenta António Aragão e António Aragão se (auto)apresenta]


a poesia começa onde o ar acaba > poemas e problemas

[onde se dá a ver um conjunto de livros e outras publicações experimentais do autor]


os símbolos gastam-se como as baterias: descarregam-se > gestos e grafias

[onde se traça uma linha de afinidades entre o gesto tecnológico e o gesto caligráfico em obras de literatura e artes visuais]


o prestígio do individualismo atingiu o seu termo > diálogos e encontros

[onde se dá o encontro entre obras individuais, coletivas e colaborativas e, mais do que cindir essas três dimensões, se chama a atenção para o diálogo que todas elas implicam no percurso do autor]

Fotografias de Georgina Abreu, cortesia de Casa da Cultura de Santa Cruz – Quinta do Revoredo


Vídeo promo da exposição >

um desejo inconcebível de abrir todas as portas

Vídeo de Nuno Rodrigues, cortesia Casa da Cultura de Santa Cruz – Quinta do Revoredo [1’52’’] – https://www.facebook.com/cculturasantacruz/videos/284384533235370/


Flyer >


Texto do Curador >

São marcas de multiplicidade na obra de António Aragão a profusão de géneros literários e artísticos praticados pelo autor — da pintura à poesia, passando pela escultura, ficção e teatro. São-no também a diversidade de formas por ele cultivadas — e expandidas — nos campos de cruzamento entre cada um desses mesmos géneros — o que se manifesta em trabalhos de poesia experimental e visual, pintura figurativa e não figurativa, eletrografia, livro de artista, performance, entre outros.

De modo interligado, poderemos ainda considerar que também a experiência é central no vocabulário de António Aragão e que, por isso, a experimentação é algo que trespassa a sua obra múltipla. Isto se se pode realmente falar de um vocabulário para uma obra que não obedece a “grammamáticas”, para recorrer, de modo livre, a uma expressão do próprio autor.

Tendo em conta o que atrás ficou dito, julgamos poder sublinhar o modo como a multiplicidade da experiência na obra de Aragão é simultaneamente o princípio, o processo e o resultado do seu “desejo inconcebível de abrir todas as portas”.

A exposição um desejo inconcebível de abrir todas as portas nasce de um semelhante desejo de abrir portas ao conhecimento sobre António Aragão através de uma mostra ampla da sua obra. Começa, por isso, por apropriar aquelas palavras do autor para o seu título e programa de curadoria. Assim, a exposição centra-se na produção literária do autor com o objetivo de oferecer aos seus leitores-visitantes — quais “antenas receptivas” — um contacto situado com a obra de um dos autores mais relevantes do experimentalismo literário português e internacional. Espera-se, também, que seja possível, a partir dela, o exercício da imaginação do “inconcebível” que sempre fica oculto na impossibilidade probabilística de tudo dar a ver.

Estar a exposição dedicada à prática literária de António Aragão em nada implica uma artificial proposta de delimitação ou cisão absoluta entre as artes, os géneros e os gestos criativos do poeta e artista. Justamente por esse motivo, o plano de exposição começa por apresentar um quadro da última série por si produzida em vida e acaba com um conjunto de obras plásticas do período inicial do seu trajeto criativo, momento esse em que Aragão ainda estava centrado na pintura e menos na escrita. Pelo meio, considerando a escrita como uma escrita expandida, as várias salas da exposição compõem-se e decompõem-se (construir é, em António Aragão, desconstruir) por livros, revistas, opúsculos, folhetos, livros-objeto, entre outros. Entende-se, com esta opção curatorial, que o diálogo e a via relacional entre as próprias obras será porventura um dos modos mais produtivos para as dar a ver de novo, de uma forma ela mesma experimental — e múltipla, espera-se. Também aqui se procura sintonizar, portanto, a “antena receptiva” mais além do olhar imediato ou da linearidade de uma cronologia historicista.

A partir do núcleo que recebe o visitante-leitor e que cumpre o propósito de apresentar e situar o trabalho do autor na sua produção literária mais vasta, abrem-se três outros núcleos expositivos. De uma forma que, ao jeito produtivamente contraditório do próprio autor, quer ter tanto de coerente como de incoerente, estes núcleos, embora separados, interligam-se e comunicam entre si. Fazem-no, por um lado, através das citações trazidas emprestadas dos ensaios assinados pelo próprio que, aqui, dão nome aos vários núcleos. Tal expressa-se de igual forma, por outro lado, nos pares de palavras que, na exposição, se propõem enquanto chave para uma aproximação às múltiplas facetas da sua obra em movimento.


Ligações externas >