REMISTURAR O ARQUIVO · Cinco Dimensões do Texto Experimental

TEXTO–
CÓDIGO

Máquinas de Escrita · Código e Linguagem

O texto torna-se sistema em execução. A leitura transforma-se em interação, escolha e participação.

Na dimensão Texto–Código, REMISTURAR O ARQUIVO propõe uma mudança de paradigma: o poema emerge como processo, como dispositivo algorítmico, como máquina de variação.

Partindo do Arquivo Digital da PO.EX, a sessão revisita práticas combinatórias e experimentais que antecedem o digital, projetando-as nas formas contemporâneas da literatura eletrónica. Em diálogo com Diogo Marques, explora-se o texto enquanto estrutura programável e interface interativa.

O poema passa a ser aquilo que acontece em tempo real, através de regras, algoritmos e decisões incorporadas no sistema. Mais do que perguntar “o que significa?”, importa perguntar: como funciona? Quem define os percursos possíveis? Que possibilidades foram inscritas no código?

A escrita revela-se como arquitetura invisível que organiza a experiência do leitor: um espaço onde autor, leitor e máquina se contaminam mutuamente, e onde o texto se afirma como sistema em permanente transformação.

[Texto–Texto] :: regra ::

regra

A regra combinatória, a matriz, a possibilidade de o texto variar sem deixar de reconhecer uma estrutura. Há textos que são escritos uma vez e ficam como estão. Há textos que são construídos para mudar. A combinatória, presente na literatura há séculos e particularmente explorada pelo Barroco, faz do texto um sistema de possibilidades.

Diálogos entre Camões e Dinamene

Rui Torres

Diálogos entre Camões e Dinamene

2025

Sistema de variações a partir de Camões e Manuel Portela, gerando combinações únicas e potencialmente infinitas.

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Tudo pode ser dito num poema

E. M. de Melo e Castro

Tudo pode ser dito num poema

1971

Poema de Álea e vazio, antecedente da poesia digital combinatória.

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Acaso A é B em relação a C

Pedro Barbosa

Acaso A é B em relação a C

1988

Re-textualização de “Tudo pode ser dito num poema”, in Máquinas pensantes.

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Álea e vazio Retextualizações

E. M. de Melo e Castro / Rui Torres

Álea e vazio [Retextualizações]

2014

Textos de Álea e vazio retextualizados em XML com Poemário.js.

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A máquina de emaranhar paisagens

Herberto Helder

A máquina de emaranhar paisagens

1964

Poema publicado no primeiro número dos Cadernos de Poesia Experimental.

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A máquina Sintext

Pedro Barbosa

A máquina de emaranhar paisagens [Sintext]

1991

Versão programada no Sintext de poema original de Herberto Helder.

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A máquina Poemário

Alexandra Antunes

A máquina de emaranhar paisagens [Poemário]

2010

Versão combinatória usando o software Poemário.

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Campo de possibilidades

António Aragão

A arte como «campo de possibilidades»

1963

Texto sobre a nova sintaxe espaço-visual na poesia concreta e electrónica.

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[Texto–Imagem] :: grelha ::

grelha

A página, a superfície, a distribuição visual, aquilo que orienta o olhar antes de qualquer leitura linear. A grelha organiza, divide, distribui e aproxima. Diz-nos onde olhar e que relações estabelecer. A grelha é uma forma de código visual.

Poesia encontrada

António Aragão

Poesia encontrada

1964

Colagens publicadas em Poesia experimental 1.

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Poesia encontrada

Rui Torres, Jared Tarbel e Nuno Ferreira

Poemas encontrados [Releitura]

2006

Releituras generativas alimentadas por notícias de jornais em formato RSS.

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Metanemas

António Aragão

Metanemas

1981

Trabalhos visuais em edição do autor.

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metametanemas

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metametanemas

2022

Acto mútuo de discordância, a partir (de) António Aragão.

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[Texto–Som] :: pauta ::

pauta

A pauta é uma forma de código. Indica ações, durações, intensidades, entradas, pausas e silêncios. É um sistema de sinais que organiza acontecimentos sonoros possíveis e transforma o texto em voz, ritmo e performance.

Música negativa

E. M. de Melo e Castro

Música negativa

1965

Registo vídeo de performance de 1977.

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Pauta de Música Negativa

E. M. de Melo e Castro

Pauta de Música Negativa

1966

Poemas visuais, in Caderno de Poesia experimental 2.

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Parlapatisse

Salette Tavares

Parlapatisse [Composição Aliatória]

1966

Caderno de Salette Tavares in Poesia experimental 2.

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POVO OVO

António Aragão

POVO/OVO & OVO/POVO

1977

Obra em três variações: texto dactilografado, gravação sonora e painéis visuais.

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[Texto–Espaço] :: percurso ::

percurso

A leitura como deslocação, aproximação, circulação e encontro físico com o texto. Ler nem sempre é permanecer diante de uma página. Às vezes é aproximar-se, tocar, percorrer, voltar atrás. O significado constrói-se através do caminho.

POVO NOVO VIRTUAL

Silvestre Pestana

POVO NOVO VIRTUAL

2013

Exposição na Casa da Escrita, Coimbra.

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Computer Poetry

Silvestre Pestana

Computer Poetry

1981–83

Série de três poemas programados em BASIC.

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META-N-P-OVO

Diogo Marques e Valter Ramos

(N)(P)OVO e META(N)(P)OVO

Duas obras de videoarte.

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Terra Google

Manuel Portela

Terra Google: Um Poema para Voz e Internet

2009–12

Registo em vídeo de performance.

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Mapa do deserto Releitura

Rui Torres e Jared Tarbel

Mapa do deserto [Releitura]

2006

Releitura digital de poema de Melo e Castro.

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.txt

Fernando Galrito, Fernando Nabais e Stephan Jürgens

.txt

2008

Performance com paisagens sonoras interactivas, composição visual e coreografia em tempo real.

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Itinerário do sal

Miguel Azguime e Miso Ensemble

Itinerário do sal

2008

Ópera electroacústica.

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[Texto–Código] :: execução ::

execução

O momento em que estas operações podem correr num sistema, responder ao gesto do leitor e produzir uma ocorrência variável do poema. O código organiza possibilidades, define percursos e estabelece limites. Só comunicamos porque os códigos são partilhados e partilháveis; só os podemos transformar porque os aprendemos e apreendemos.

Alfabeto estrutural

Ana Hatherly

Alfabeto estrutural

1967

Obra visual com 9 desenvolvimentos, in Operação 1.

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Homeóstatos

José-Alberto Marques

Homeóstatos

1967

9 poemas visuais, in Operação 1.

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Gerador de homeóstatos

Rui Torres e Nuno Ferreira

Gerador de homeóstatos

2015

Releitura digital dos Homeóstatos de José-Alberto Marques.

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A literatura cibernética 1

Pedro Barbosa

A literatura cibernética 1

1977

Livro com teoria do texto computacional, textos permutacionais e apêndices com programas e códigos.

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Porto trovas electrónicas

Pedro Barbosa

Porto (trovas electrónicas)

1977

Poema computacional: versões impressas, fitas perfuradas, códigos.

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Cyberliterature

Pedro Barbosa

Cyberliterature / Ciberliteratura

2015

Retextualização de poemas programados por Pedro Barbosa em 1976.

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Visão Visual Vocal

Américo Rodrigues

Sem título [Transparente / Explosão]

2006

Interpretação de ideogramas de E. M. de Melo e Castro, in Visão Visual Vocal.

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Transparência Oblivion

Rodrigo Melo e Pedro Reis

Transparência / Oblivion [Releitura]

2006

Releitura digital de poema de Melo e Castro.

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Urgentemente, ainda

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Urgentemente, ainda

2026

Instalação interativa baseada no poema Urgentemente, de Eugénio de Andrade.

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