Não há revoluções inocentes: lições da poesia experimental para o 25 de Abril de 1974

Congresso Internacional 50 anos 25 de abril

Comunicação de Sandra Guerreiro Dias no Congresso Internacional 50 anos 25 de abril. [Resumo. Ligações]


Congresso Internacional 50 anos 25 de abril | 2 a 4 de maio de 2024 | Reitoria da Universidade de Lisboa

Sessão paralela 11 / Secção IV: a Revolução cultural: 03/05/2024 09:30 • 11:00

Moderação: Nuno Medeiros (CHUL — FLUL)

Não há revoluções inocentes: lições da poesia experimental para o 25 de Abril de 1974 > Sandra Guerreiro Dias (Instituto Politécnico de Beja; CLP — FLUC)

Cais e Sophia de Mello Breyner Andresen: a História entre a poesia, a memória e a cidade > Fernanda Rodrigues Galve (Universidade Federal do Maranhão, Brasil)

O livro como arma política: editoras maoistas em Portugal nos anos 1970 > Flamarion Maués (Instituto Federal de São Paulo, Brasil)

Toda revolução é um ato de desobediência – uma reflexão sobre imagens da Revolução dos Cravos > Izabel Margato (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil)


Resumo >

Os três poemas visuais intitulados “Revolução”, de 1975, de Ana Hatherly, sugerem um emaranhado dinâmico de grafismos a preto e branco que podem ser lidos como esse “espaço essencial de imprevisão” (Hatherly, 1979, p. 50), o qual ensaia constelações de sentido e rutura para um tempo histórico que permanece de abertura: o 25 de Abril de 1974.

A poesia experimental portuguesa (PO-EX) é uma tradição literária de vanguarda que se alinhou com as restantes artes no combate à ditadura política e cultural que atravessou o século XX português. Fê-lo, no entanto, sob a perspetiva concreta da necessidade de subversão dos discursos e respetivos modos de representação. Poetas como E. M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, António Aragão, Salette Tavares, José- Alberto Marques, entre outros, estiveram na linha da frente da revolução cultural e literária que o 25 de Abril motivou, podendo encontrar-se, na produção teórica e artística destes artistas, vias de revisitação crítica dos postulados, ideias e valores da revolução democrática de 1974 que constituem lições, isto é, partituras para diálogo e ação que a PO-EX legou para a posteridade.

Os textos teóricos mais emblemáticos a este respeito são As palavras só-lidas (1979), livro de poemas redigido por Melo e Castro no rescaldo da revolução de 1974, os ensaios de Ana Hatherly, “A experiência crítica da poesia I, II e III” (1975), e outros textos na imprensa literária, os textos da publicação ainda hoje inédita A Dialética das Formas, de Salette Tavares, redigidos nos anos 1960 e publicados, alguns, na revista Brotéria, e O Silêncio dos Poetas (1978), obra central de Alberto Pimenta que sistematiza as relações entre poetografia e poetologia, entre outros.

A esta política da forma poética deu Rui Torres o nome de “poelítica” (Torres, 2018), patente em criações conhecidas como “Música Negativa” (1965) e “Não há sinais inocentes”, happenings de E. M. de Melo e Castro, “As Ruas de Lisboa”, série de colagens, de 1977, “Rotura”, performance, de 1977, ou “Revolução”, filme experimental de 1975, de Ana Hatherly, “poema vermelho e branco” (1971), “Lisboa (à noite)” (1974), ou “ovo/povo”, poemas de António Aragão, “Escravos” (1977) “Revolução” (1977), instalações de António Barros, entre muitos outros.

Nesta comunicação apresentam-se alguns destes trabalhos, propondo-se um passeio que, sendo memorialístico, é, essencialmente, de revisitação reflexiva do potencial revolucionário destas criações.

Palavras-chave: Poesia, 25 de abril de 1974, experimentalismo, revolução literária, Portugal


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