O rosto da linha Ana Hatherly

O rosto da linha Ana Hatherly

Artigo de Joana Batel. [Resumo. Ligação]


Batel, Joana. (2014). O rosto da linha Ana Hatherly. Revista Diacrítica, 28(3), 289-307.

URI: http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0807-89672014000300022&lng=pt&tlng=pt

RESUMO: Entre a linha da escrita e a linha do desenho existe uma afinidade só descoberta pela sua relação de parentesco. De outro modo, essa relação é inexprimível, conquanto saibamos dela por um reconhecimento imediato. Abre-se, assim, um novo horizonte para a linha, a saber, do sentimento que nos coloca diante da escrita ou do desenho. Para a artista e poeta portuguesa Ana Hatherly, que em meados dos anos 60 inicia um percurso singular pela interioridade da escrita, a linha fibrilar perde o seu rosto de escrita, mas conserva ainda a máscara da palavra. Em alguns dos seus poemas visuais a escrita perde a sua soberania na derisão de tudo aquilo que a funda e a imagem toma a dianteira. Ana Hatherly procede à “escuta da matéria” e apela à “reinvenção da escrita”.

Palavras chave: Desenho, escrita-imagem, configuração, síntese, criação artística.

ABSTRACT: There is an affinity between the line of writing and the line of drawing solely revealed through its kinship. There is no other way of expressing this relationship, we are aware of it by an immediate acknowledgement. Thus, one spans a new horizon to the line, the feeling, which puts us before writing or drawing. To Portuguese artist and poet Ana Hatherly, who in the early sixties initiated a singular course through the inner aspects of writing, the fibril line loses its writing feature, but still retains the word’s guise. In some of her visual poems, writing loses its sovereignty at the erosion of all which funds it, and depiction takes the lead. Ana Hatherly undertakes the “listening of the matter” and appeals to the “reinvention of writing”.

Keywords: Drawing, writing-image, set, synthesis, artistic creation.