5 olhares insulares sobre Facies

5 olhares insulares sobre Facies

O lançamento do livro vivêncial “Facies…” desafiou leituras e registos, mereceu comportamentos. 5 presenças aqui o testemunham. As de: Mário Pereira [fotos, esse guardar o tempo], Vítor Magalhães [de seu texto], Fernanda Martins [ora_leitura_hora], António Dantas [portar um segredo legado – o de AA_HH] e Carolina Lia [arte do comportamento, esse gesto ou(t)ro]. [Texto. Imagens]


Fotografia de Mário Pereira >

5 olhares insulares sobre Facies

Fotografia Cortesia Teatro Municipal Baltazar Dias


Texto de Vítor Magalhães >

Todos os objectos. Ou nenhum objecto. Um caminho marcado por rasgos construídos no espaço. Quem atravessa a sala é como se entrara inadvertidamente num grande salão de gala onde certas “coisas” (à guisa de G. Perec) encontraram cuidadosamente a sua nova disposição. Sem qualquer nome. Ou com todos os nomes. Cinco nomes. Neste caso. Cinco fisionomias. Percorrem uma linha [ilha] que só em aparência é finita.

“Uma colher de prata por um pouco de terra” [e aqui a colher surge literalmente, e multiplicada]. Talvez Simone Weil pudesse ter dito estas palavras. Não as mesmas. Com certeza. Mas outras. Possivelmente com outros significados pois é condição da linguagem a sua antropofagia fecundadora. A mesma imagem a preto e branco repetida. Cinza sobre chão alentado pela matéria que destila pensamento. Como pedra que se solta da versão de si própria e se retira para outras versões que em tudo ou nada são/serão semelhantes. Como a gota de água ao irromper do mesmo líquido que todas as outras evapora e regressa ao líquido original. Fio. Ciclo. Em flor em talo em cruz em pó em vão em palavra em volta. In situ

Ao fundo uma mesa com outra mesa e uma cadeira empilhadas ao contrário. As três ordens do imaginário. Raison d’être do verso e reverso de cada história. No final (ou será o início?) de um cortejo que se expande e irá expandir-se noutros tantos vasos [ramos, tecidos, corpos] comunicantes.

Solenidade enigmática alimentada pelas cavidades — concavidades de insondáveis reflexos. Fibras que tecem e destecem e voltam a tecer em filigrana imperceptível a fécula da existência. Ainda sem nome. Todos os nomes. Todos os lugares. Num lugar. Onde?

Sem la splendeur de la liberté como escreve M. [de Montaigne] que sentido fará então?


V(l)er tb >