Sonhos de geometria

E. M. de Melo e Castro, Sonhos de geometria

Cinco videopoemas de E. M. de Melo e Castro, com apresentação e descrição pelo autor. Música do duo Telectu. [Vídeos. Texto]


Descrição > Estúdio do autor, Lisboa (1993) | Duração total: 30′ | Duração do vídeo disponibilizado: 23’43” | Música original de TELECTU | Realizado para a revista Menu, de Cuenca


Texto do autor >

Sonhos de Geometria (Videpoesia) é uma meditação visual sobre a noção e transformação do espaço e das formas, desenvolvida em cinco videopoemas.

No primeiro, ‘Sonho dos bisontes geômetras de Lascoux’ (00:24 – 04:19), faz-se uma evocação das enigmáticas figuras geométricas inscritas entre representações animais nas cavernas paleolíticas, recriando os violentos contrastes entre escuridão predominante e zonas escassamente iluminadas. Aí nasceu talvez a organização espacial das representações visuais.

No segundo, ‘Sonho de Pitágoras’ (04:19 – 09:00), assistimos à invenção da série numérica e à construção da Tetraktis (figura mágica dos pitagóricos) como forma simbólica de todas as relações quantitativas possíveis. Daí se chega à formulação do famoso teorema.

Em ‘Sonho de Euclides’ (09:00 – 15:13), a geometria plana aspira às três dimensões com ritmos repetitivos e alternantes e o traçado rigoroso das perspectivas, das projeções e das linha curvas que fazem e desfazem o espaço…

No quarto, ‘Sonho de Mandelbrot’ (15:13 – 23:19), detectaram-se e evidenciam-se as origens naturais da geometria fractal, a partir das interseções entre nuvens e árvores em movimento, em alternância e repetições sucessivas com o “atractos estranho” de Mandelbrot. É um incessante diálogo de formas auto-semelhantes em que o chamado caos determinista se manisfesta como lei matemática e natural.

Finalmente, o meu próprio sonho, ‘Sonho de Melo e Castro’ (23:19 – 23:43 [incompleto],) faz-se e refaz-se na leitura como exercício de interpretação. As imagens são relações intertextuais com a minha própria poesia concreta dos anos 60 e com o primeiro videopoema, Roda Lume, de 1968. O novo texto visual é realizado pelos meios específicos de produção, ordenação e transformação das imagens, que são o computador e o vídeo.

No conjunto, trata-se de um videpoema múltiplo em que, contrariamente à tendência para a alta definição, se procura uma estética da imprecisão, da corrupção e destruição das imagens, que sucessivamente se formam e se esgarçam, com efeito poético de conotações e ambiguidades intersubjetivas.

Sonhos de geometria >


[Agradecemos a E. M. de Melo e Castro a autorização que permitiu disponibilizar esta obra no Arquivo Digital da PO.EX]