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Artitude de António Barros. Obra em depósito no MNAC. [Descrição. Imagem]
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Como num jogo de autofA(l)gias, hoje “vive-se com a angústia de não estar a fazer tudo o que poderia ser feito e se não és um vencedor então a culpa é tua. Hoje, a pessoa explora-se a si mesma a achar que se está a realizar; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout. E não há para quem direccionar a revolução, a repressão não vem dos outros. É a alienação de si mesmo.” (Byung-Chul Han). As três iniciativas que agora se concluem — “Escravos.Insulae…” com “Do 25 de Abril, 50 anos depois” (1), “Cravos e Veludo… com ”VIVER/NÃO VIVER” (2), e: “Ainda, um elefante na sala”, com “e cega?” (3) — resultam num retrato social dos nossos tempos de auto-exploração, esses de uma convulsiva angústia na procura de uma, já órfã, r(e)Evolução, eque nos permita o VIVER, numa então assertiva opção perante o infinitojogo de espelhos: “NÃO VIVER/VIVER” (4).
(1) Galeria dos Prazeres, com MUDAS.museu, Madeira. (2) MUSAC, Lisboa. (3) CAA, Águeda. (4) O texto visual, “VIVER/NÃO VIVER”, 1976, António Barros (texto visual — retrato evocativo dos condenados a dar a vida para a obtusa “Guerra Colonial” portuguesa em África, nos tempos da ditadura — foi primeiro publicado na Loreto 13, Revista Literária da Associação Portuguesa de Escritores, Lisboa, 1978, então com direcção de Maria Velho da Costa, e depois na Galeria Diferença, Lisboa, 1978, a convite de José Ernesto de Sousa. Agora, na celebração dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, regressa o objecto_livro e renova-se em 2024 no MNAC, onde hoje reside. Gerada na conclusão da exposição “Cravos e Veludo _ Arte e Revolução 1968-1974-1989”, curadoria de Adelaide Ginga e Sandra Baborovská, uma artitude de releitura, resulta em modo de manifesto de uma arte da acção: a de que futuramente o texto, sempre que editado, surja com a alteração do seu alinhamento, e leia-se: “NÃO VIVER/VIVER” — como situacionista apelo à vida. VIVER num Portugal Democrático e de Liberdade, sem escravos, sem comprometida insulae.
[Agradecemos a António Barros e ao MNAC a autorização que permitiu disponibilizar esta obra no Arquivo Digital da PO.EX]