Profissão Pragmática Profissão Poética [Universidade Nova de Lisboa, 20-02 a 25-04-2025]

Jorge dos Reis - Profissão Pragmática Profissão Poética

Exposição e Publicação de Jorge dos Reis. [Descrição. Ligação]


Parte 1 (NOVA FCT Campus da Caparica) > Inauguração: 20 de fevereiro ~ 17h

Parte 2 (Reitoria da Universidade Nova de Lisboa) > Inauguração: 12 de março ~ 17h

+ Lançamento da publicação.

Tendo como título principal, Profissão Pragmática Profissão Poética, pretende esta exposição e publicação contribuir para um entendimento da prática projetual no design gráfico contemporâneo; constituindo-se como atividade de serviços, com uma forte responsabilidade social, assente no modo como lida com a literacia e os níveis de iliteracia das sociedades europeias, que utilizam os artefactos de design gráfico, disseminados no quotidiano cosmopolita. Este pragmatismo obriga a uma condição essencial, ligada ao facto de estarmos perante profissionais marcadamente funcionalistas, que resolvem problemas, construindo perguntas de partida para responder a desafios, elencando elaborados projetos, numa sequência de resolução própria. Paradoxalmente, no projeto de design gráfico, a poesia é um instrumento de trabalho, tendo em conta a produção de peças gráficas significantes, assentes na própria poesia das formas. Este facto é particularmente sensível, na dualidade, no contraponto, entre as formas verbais e não-verbais que constituem a matéria-prima essencial na disciplina profissional de design gráfico; sendo o alfabeto, sistema de comunicação interpessoal, o instrumento potencial de uma estimulante produção poética, que remete para o desafio da leitura, convocando um leitor ativo, participante, motivado; contra as formas alfabéticas convencionais e desgastadas.

Levando por subtítulo: Um Contributo Projetual Para o Design Gráfico Contemporâneo em Portugal e Para a Sua Internacionalização, pretende-se ainda reforçar os postulados a montante, recorrendo a uma seleção criteriosa de projetos, de um autor, que permitam uma clarificação, precisa e rigorosa, do contraponto entre o pragmatismo e a poesia, nesta profissão. Assim sendo, selecionaram-se doze obras, balizadas entre 2005 e 2025, pondo de parte os primeiros dez anos de carreira (que se iniciou em 1996), tendo como prioridade de escolha, no contexto do arquivo do ateliê, projetos distanciados entre si, no que diz respeito aos períodos de labor, aos espaços geográficos diversos, em Portugal e no estrangeiro. Aqui encontramos cidades e lugares, remotos entre si, que vão de Aberdeen ao Sabugal, de Salamanca a Évora, da cidade da Guarda ao bairro de Alfama, em Lisboa, confirmando um desejo de internacionalização do design gráfico contemporâneo. Por outro lado, o critério da escolha assentou em projetos que permitam um claro entendimento das várias fases da metodologia projetual, constituindo o desenho de descoberta e o esquisso de mediação, instrumentos preciosos, fundamentais e irredutíveis, suportados por memórias descritivas e justificativas.

Na relação entre o texto e o desenho, entre escrever e desenhar no dia-a-dia do ateliê, está a importância dos quatro cantos do estirador: a composição, a proporção, a adequação e a função, enquanto metáforas operativas. Deste modo se antecipam criticamente ideias futuras aqui propostas, num projeto de design gráfico que integra conhecimento científico, qualitativo e quantitativo; transformando-se política e socialmente a comunidade, pela forma, elegância e significado dos projetos, tendo em conta a sua exequibilidade de produção. Neste volume impresso procura-se ainda robustecer a ideia de uma terceira via no design gráfico contemporâneo, onde a tendencial digitalização dos conteúdos do quotidiano e o retorno à manualidade dos krafts, na permanência do desenho, coabitam e se misturam, enquanto composto progressista na prática projetual.

Fernando Aguiar, A inquietação do inexplicável


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