Facies _5 rostos insulares [Teatro Municipal Baltazar Dias, Funchal, 12-02 a 12-03-2025]

Facies _5 rostos insulares

Objeto-livro / exposição de António Barros no Teatro Municipal Baltazar Dias. [Imagens. Folha de Sala]


Facies _5 rostos insulares | António Barros
TMBD . Teatro Municipal Baltazar Dias | Funchal – Madeira
12 de fevereiro – 12 de março 2025
Entrada Livre
+ info @ https://teatrobaltazardias.funchal.pt/


“Facies é um objecto-livro habitável — visitável pelo leitor interveniente — que na performatividade dos objectos_obgestos, conjuga cinco rostos insulares: Filipa Moniz Perestrelo, António Aragão, Herberto Helder, Lourdes Castro e José Tolentino Mendonça. Resolve-se o objecto-livro em 5 esculturas, instalações, singulares, que conjugam o desafio a uma navegação sobre o discurso das insularidades e trazem contemporaneidade e condição performativa de uma “arte de acção”, de um “visualismo” na escrita, essa em modo esGrita tão identitário e distintivo das narrativas do autor.”


Facies - António Barros

Facies - António Barros

Facies - António Barros

ap_licAcção do novo escravo ap_lica(n)do, ou Filipa Moniz Perestrelo encontra-se com Anna Schott, 2025, AB [Facies _5 rostos insulares].

Facies - António Barros

ÁRrvore levanta-se do chão _a natuReza não reza, (h)Ora, é música em Si, 2025, AB


Texto recolhido do Livro de Bordo de Facies _5 rostos insulares:

F     A     C     I     E     S                 Quando o Poético Furtivo dá a face, traz as pessoas reais geradoras de coisas reais para a vida real. Mas “o que é a vida real? os factos? Não, a vida real só é atingida pelo que há de sonho na vida real” (Clarice Lispector). E é na magia desse palco que reside: Facies _5 rostos insulares, TMBD_Teatro Municipal Baltazar Dias. ÓPERA_OPERA — Filipa com/sem ele, C, ao fundo; Lourdes Castro com um pai, A_, ao fundo; José Tolentino Mendonça com uma mãe, Mar_ ao fundo; António Aragão com Herberto Helder ao fundo; Herberto Helder com António Aragão ao fundo. — Quem matou Filipa Moniz Perestrelo? [a nave FRAME a levou, ao som de Porto Santo] … não fiquem tristes, eu apenas me vou transformar (LC) [terra vegetal para gerar florigen]. E aí em frente… O mar como nunca antes o viste (JTM), aí [tudo podia | já que | os anjos do vento desenham na água | o fulgor inesperado do teu gesto (JTM)]. Para mim, o telescópio é olhar para dentro … (AA) [esse ver para além do VEntRe]. Se eu quisesse enlouquecia, conheço… (HH). O preto e amarelo de Jorge Luís Borges — a dourada cruz de Borges, com negro cego ao fundo — chamando uma cruz de 4 braços iguais, essa, sinal que diz: mais, mais se positiva [+ MAIS]. Símbolo residente na quinta, a das Cruzes, no muro de onde, da infância, olhava para o mundo com tanto mar ao fundo. A candeia atrás da cortina desenhava sombras de ramos dançantes. Esculturais. Era a classe na escola dos sonhos, sem balizas, nem açaimes ou til correctivo. Depois a aula voltou para ser dada, doada no outro lado onde dobra o mar, entrando rio acima até um mundo ego.

Dobrei estes e mares outros como quem guarda um lenço, tão grande até não caber no bolso. Mergulhei, mas antes ele se afogou em mim. O mar. Como na subida da maré triturando a pedra mastigada em areia negra. Bem negra. A regra. Logo chamando o aMARelo, esse elo do veludo coral. Junto ao mar, outro mar. Fogo aceso — como nunca antes o viste. E assim surge no cais uma ópera onde as vozes estão silenciadas pelos homens assassinados pelos piratas. Apaga-se o canto, cruzando com o timbre afogado das mulheres violadas. Silêncios outros. Antes. NavegAntes. Quem matou Filipa, levado que foi o filho? Sei também tantas histórias com sombra. De so(m)bra. Se eu quisesse enlouquecia.


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