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Exposição com 40 programas culturais da RTP Arquivos em diálogo com obras de artistas que incluem António Barros, E. M. de Melo e Castro e Silvestre Pestana, entre outros. [Descrição. Ligações]
Exposição: ZAPPING: TELEVISÃO COMO CULTURA E CONTRACULTURA que expõe a linguagem da comunicação social através do confronto entre o impacto tecnológico e cultural da televisão. Temos em exposição 40 programas culturais da RTP Arquivos em diálogo com obras de 28 artistas nacionais e internacionais. Helena Almeida, Ant Farm, David Askevold, António Barros, E. M. de Melo e Castro, Jan Dibbets, Antoni Muntadas, Emília Nadal, Nam June Paik, Martha Rosler, Wolf Vostell, entre outros.
Inaugura no sábado, 7 de fevereiro no Centro de Arte Oliva (São João da Madeira), a partir das 17h, e fica até 28 de Junho. A exposição estende-se no Centro para os Assuntos de Arte e Arquitectura (Guimarães), gnration (Braga) e MACE (Elvas).
ZAPPING: TELEVISÃO COMO CULTURA E CONTRACULTURA expõe a linguagem da comunicação social através do confronto entre o impacto tecnológico e cultural da televisão, sobretudo em emissão efémera e programada, e o seu reflexo e a sua instrumentalização como contracultura nas práticas artísticas. A exposição estrutura-se em cinco núcleos que assinalam grandes inflexões na história das interações sociotécnicas da televisão: FRONTEIRA, RESOLUÇÃO, RECEÇÃO, COR e MEMÓRIA. Cada núcleo monta um campo de emissões culturais da RTP, agregadas através das interações com os temas, e um contracampo de trabalho artístico contracultural engajado com a tecnologia e experiência televisiva.
Celebram-se os 70 anos do início das emissões experimentais da RTP em Portugal continental. Inicialmente recebida no espaço público e em coletivo, a «caixa mágica» rapidamente substituiu o espaço central da lareira no espaço doméstico, transformando as relações humanas entre interior e privacidade e entre corpo e tecnologia. A emissão efémera de uma grelha fixa de programação começou por chegar em direto a todos os lares, sincronizando estas novas domesticidades centradas no televisor. A proliferação de canais, com o cabo e o satélite, e a disseminação do comando remoto de televisão engendraram uma nova relação com a emissão: o telespectador passou a poder fazer zapping, percorrer rapidamente todos os canais, tentando combinar vários fluxos de programação num mesmo televisor. Porém, a possibilidade da cópia privada do fluxo público da emissão, com os gravadores de vídeo, estilhaçou a simultaneidade da televisão ao vivo. A memória da emissão transformou-se em conteúdo que passou a poder consultar-se a qualquer momento, apagando a televisualidade da domesticidade sincronizada.
Apesar de, em Portugal, ter servido como instrumento de controlo e propaganda do regime totalitário, a televisão não deixou de se inventar, intelectual, tecnológica e criativamente, como uma nova forma de comunicação, reconfigurando as fronteiras entre o passado e o presente, o real e a ficção, a atividade e a passividade, o domínio público e privado. A partir de 1974, esta nova arte tornou-se também ferramenta de construção democrática, assumindo a sua função de serviço público num país que experimentava a oportunidade de sintonizar consigo próprio, de aprender a viver em democracia, e de fazer da televisão um canal de empoderamento e liberdade.
Paralelamente, as artes sempre se interessaram pelo potencial da televisão, utilizando-a como veículo, medium ou suporte de cultura e contracultura. Alguns artistas criaram conteúdos para televisão, outros sobre televisão, e outros ainda recorreram ao próprio suporte televisivo, desenvolvendo abordagens políticas, novos meios de criação de imagens ou outras atividades mais conceptuais. Os artistas exploraram o potencial da televisão para desmaterializar a arte e dar a ver, de novas e diferentes maneiras; e alguns criticaram a exploração dos meios de comunicação de massa no sentido da promoção de um estilo de vida consumista, capaz de isolar os indivíduos e de os distrair das suas circunstâncias sociais e económicas.
Entre o desenvolvimento de uma nova arte da comunicação e a «Galeria de Televisão», apareceram canais como a MTV, com uma programação contínua e redundante, organizada intensamente através de videoclips, novas unidades de conteúdo adaptadas à duração das canções que emitia. Porém, até este canal que desencadeou uma nova indústria da perceção visual anunciou o seu fim em 2025. Com a televisão a ser apenas um dos canais de comunicação a que acedemos via internet, e com a inclusão do aparelho televisivo no ecrã multifuncional do computador ou do telemóvel, a sincronia pública desapareceu. Contudo, e apesar da crescente natureza solitária da sua receção, durante a pandemia de Covid-19, a televisão comprovou ser ainda uma força criativa com capacidade para continuar a informar, entreter e educar, como prometia a BBC no seu mandato inicial.
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