Operação Cela Constante

Operação Cela Constante

Livro de Artista de António Barros. Museu do Aljube Resistência e Liberdade. [Imagens. Posfácio]


OCC – Operação Cela Constante, 2025-27 >


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P o s f á c i o  _ p ó s,   d e   f a c t o   |  Ou como um posfácio (d)enuncia o princípio de um caminho, andAnte(s).

Quando um texto se resolve como uma ilha, em entrevista, frente a um espelho — entre-as-vistas — gera um “responder às perguntas que não nos foram feitas”. Começar. O que foi o começar, dizem as palavras em silêncio, perguntAndo. Mas silencioso, silenciado, afogado dentro de um sobretudo negro, foi quem entrou pela minha casa adentro com a mira na própria cabeça, essa, a mesma que aponta a arma (pois sabemos que mesmo eLevando o aBraço, com a mão, com os “cinco dedos de uma mão”, apontas, acusas. Mas se um dedo aponta ao alvo, outros três dedos logo apontam para ti).

A pintura, era a do “Glorioso Soldado da Anarquia”. O pintor era António Areal*. O fiel depositário, almoxarife, foi o meu pai — Alfredo Barros, a quem perguntei quem era ele — o afogado em pano escuro diSendo, sem precisar de dizer uma palavra. “É um artista, e vai morrer”, respondeu-me o sábio almoxarife.

Este episódio ficou-me grafado sem fim. PaLavrando. Andando. E é o princípio do caminho que o destino me marcou. Ser alvo. Um alvo. Dispararam. Atingiu-me certeira a flecha — essa f(l)echa que fecha, condenando. Condenado, “Soldado da Anarquia”, fiquei escravo, preso em Cela Constante. Escavo. Escrevo. Dentro de um grito que ainda solto do fundo da cela. Trago escrita, esGrita, buscando Liberdade.

A Operação Cela Constante (OCC) — 2025-2027, desenvolve-se assim num advérbio

conjugando obGestos e proGestos em três muSeus. Museus que sejam seus.

O primeiro testemunho, um objecto-livro LA — Livro de Artista: “Do 25 de Abril, 50 anos depois”, ficará já residente no Museu do Aljube Resistência e Liberdade **. Andado, outras esGritas seguem — no Museu de Peniche Resistência e Liberdade e, em “Silêncio”, “e c(h)ega?”, no Museu da Presidência da República Portuguesa. Entre-as-vistas. Em anthología. Aqui. Para além da antologia ***, andAndo.

AB, OCC, Évora, 2025.  [* António Areal | “Glorioso Soldado da Anarquia”, 1966 | acrílico sobre aglomerado de madeira 56×67,5cm | MMAC/AA01PINT | MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira. ** Escrever um Livre | Objecto-livro | “Do 25 de Abril, 50 anos depois” | Museu do Aljube Resistência e Liberdade | Lisboa, 2025. *** Anthología | 50 anos de Poemas Visuais_ObGestos, Artitude-Livro, Edição do Autor, Coimbra, 2025.]

legendas:

EscreVer um Livre, AB, 2025, L.A. MARL.

Pássaro sem voo, “em círculo, sempre em círculo, com a asa morta agarrada ao corpo”, AB, 2025, L.A. MARL.


[Agradecemos a António Barros a autorização que permitiu disponibilizar estas imagens no Arquivo Digital da PO.EX]