Roda Lume

E. M. de Melo e Castro, Roda Lume

Primeiro videopoema de E. M. de Melo e Castro. [Vídeo. Texto. Roteiro. Ligações]


Descrição > Videopoema de E. M. de Melo e Castro. Data da versão original: 1968 | Data da reconstrução aqui disponibilizada: 1986.


Nota: «Roda Lume», de 1968, foi o primeiro videopoema de Melo e Castro. Perdido ou destruído em 1969, o autor realizou, em 1986, uma reconstrução do poema a partir dos fotogramas e do storyboard que guardara, intitulada «Roda Lume Fogo». Essa é a versão disponibilizada no Arquivo Digital da PO.EX.


Transcrição de texto de E. M. de Melo e Castro publicado no catálogo “O caminho do leve” (Serralves, 2006, p. 202)

Roda Lume: primeiro videopoema

Em Janeiro de 1969 foi transmitido pela Rádio Televisão Portuguesa um poema experimental animado com o título Roda Lume (a preto e branco) com a duração de 2′ 43″, por mim realizado nos estúdios da RTP, em Dezembro de 1968. A banda sonora era um poema fonético por mim improvisado e que consistia na leitura das imagens animadas, constituídas por formas geométricas, por letras e por algumas palavras, num encadeamento dinâmico. A transmissão pela televisão foi integrada num programa sobre literatura, da autoria do poeta Eduíno de Jesus que me tinha convidado a participar, sugerindo que realizasse um poema experimental original. A transmissão foi antecedida por uma breve apresentação minha, explicativa e teórica, previamente gravada no estúdio. Antes de efectuar essa gravação uma “voz off” (da censura do Estado Novo) preveniu-me ameaçadoramente de que iria falar para “dois milhões e meio de portugueses”!…

Hoje este pequeno poema visual animado é considerado, por exemplo por Eduardo Kac, como uma manifestação pioneira de Telearte e talvez como o “primeiro videopoema”. De facto, a videopoesia só viria a desenvolver-se, como novo género poético, a partir dos anos 80.

A propósito, é também Eduardo Kac quem, no capítulo “A poesia da nova era” do seu livro Luz & Letra, diz: “A videopoesia de Ernesto Melo e Castro, por sua vez, incorporou a evolução das imagens no tempo como factor constituinte de seu processo de criação poética. Ao contrário do que foi veiculado por algumas emissoras brasileiras — “clip-poemas”, que se limitavam a mostrar vídeos de escritores declamando versos -, a videopoesia cria uma nova sintaxe com base nos recursos audiovisuais da televisão”.

O original de Roda Lume foi provavelmente destruído pela RTP, pois quando, após 25 de Abril de 1974, o procurei nos arquivos da RTP, apenas encontrei uma referência a essa transmissão, mas não o original ou cópia do poema em si próprio. Mas em 1986 realizei uma reconstrução do poema a partir dos fotogramas e do storyboard, que eu guardara. É essa reconstrução que aqui se mostra com o título Roda Lume Fogo, para se distinguir do perdido original. A banda sonora foi por mim mais uma vez improvisada e de novo gravada, seguindo as indicações originais, mas é obviamente diferente.

E.M. de Melo e Castro
2005


E. M. de Melo e Castro, Roteiros de “Roda Lume”


V(l)er tb >


[Agradecemos a E. M. de Melo e Castro a autorização que permitiu disponibilizar esta obra no Arquivo Digital da PO.EX]