E. M. de Melo e Castro (1932-2020)

Faleceu o poeta, artista, ensaísta e professor E. M. de Melo e Castro, autor de obras de poesia concreta, espacial e visual, videopoesia e infopoesia. [Memória. Testemunhos e Homenagens]


Deixou-nos o Ernesto, mestre e amigo. A sua obra perdurará e os seus ensinamentos ficarão connosco.

Por agora, façamos o luto, relembrando:

Memória | Homenagens recentes >

  • Dossiê “E. M. de Melo e Castro”, Revista do Centro de Estudos Portugueses (n. 46, v. 63), 2020.
  • Colóquio “Pensar a palavra-experiência”: homenagem a E. M. de Melo e Castro, Universidade Federal de São Paulo, campus Guarulhos, 2019.
  • Ordem do Infante Dom Henrique, condecoração pelo Presidente da República Portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa, 2017.
  • Homenagem a E. M. de Melo e Castro, Poeta, Ensaísta, Casa da Cultura José Marmelo e Silva, Paul, Covilhã, 2016.
  • Dossier “E. M. de Melo e Castro” no Suplemento Literário de Minas Gerais, Janeiro 2008.
  • Encontro com o poeta Melo e Castro, Revista Magma, Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada, Universidade de São Paulo, 1994.

Memória | Exposições recentes >

  • Poesia Experimental Portuguesa, CAIXA Cultural Brasília, Brasil, 2018.
  • Do Leve à Luz, Ciclo Nas Escritas PO.EX, Casa da Escrita, Coimbra, 2012.
  • O caminho do leve / The way to lightness, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, 2006.

Depois do luto, a celebração.

Esta página agrega testemunhos e homenagens diversos, sob a forma de textos, imagens, fotografias, sons ou vídeos.

Autores dos testemunhos e homenagens > Álvaro Seiça | Américo Rodrigues | António Barros | Bruno Neiva | César Figueiredo | Emerenciano | Enzo Minarelli | Eunice Ribeiro | Fernando Aguiar | Hugo Oliveira | Silvestre Pestana | Tiago Schwäbl


Álvaro Seiça

E. M. de Melo e Castro: A Palavra Inovada

Há escalas de tempo que não conseguimos compreender totalmente, como a erosão de uma rocha. Há outras que nos parecem demasiado breves, como um beijo, ou um abraço a alguém que não veremos mais. Há outras ainda que nos se afiguram humanas, porque humanas são, como a travessia de um ser humano por este mundo, como a travessia de um artista e a obra que produziu.

E. M. de Melo e Castro foi um mestre. Mas não foi um mestre breve, foi um mestre de longa duração. A sua obra, extensa, temporalmente, para a média de actividade artística de um ser humano, mede-se não só apenas pela consistência durante quase setenta anos, mas sobretudo pela extensão qualitativa: a sua diversidade, riqueza e antecipação. E.M.M.C. foi um mestre nas dimensões literária, artística, política e, também, ética da palavra e do acto.

Agora que o corpo parou, o trabalho criativo do escritor continua a sua prolífica actividade, comparável talvez a Jorge de Sena, pelo fôlego e variedade, ainda que, claro está, com linhas e preocupações muito diferentes. No que a obra de E.M.M.C. mescla a nível literário e artístico, numa visão interdisciplinar e multimodal da escrita enquanto modo de inscrição da linguagem que pensa e reflecte o seu suporte, que é não só campo verbal mas também visual, neste ponto, Ana Hatherly aparece como figura gémea. Aliás, E.M.M.C. e Hatherly mantiveram colaboração artística (Música Negativa, 1977) e teórica (Po.Ex: Textos Teóricos e Documentos da Poesia Experimental Portuguesa, 1981).

Quando entrevistei Richard Kostelanetz em 2015, fui surpreendido por um comentário seu, quando conversávamos sobre poesia experimental e cinética: “Do you know that Portuguese poet, Melo e Castro? He has done everything I did. But before me!” E.M.M.C. esteve onde muitos não estiveram e, mais do que muitos, esteve primeiro onde muitos depois estiveram. Por exemplo, na “First International Exhibition of Concrete, Phonetic and Kinetic Poetry” em Inglaterra, em 1964, foi o único poeta português representado, com Objecto Poemático de Efeito Progressivo e Ideogramas, para além do primeiro número da revista Poesia Experimental. Em 1966, inaugurou uma exposição em Lisboa intitulada “Poemas Cinéticos”, onde focou o dinamismo visual da poesia no livro-objecto, sendo talvez a única exposição até hoje dedicada ao tema em Portugal. Em 1968, produziu o video-poema “Roda Lume” nos estúdios da RTP. Depois da sua transmissão em 1969, não só foi achincalhado pelo censor em estúdio, como sofreu represálias por introduzir a poesia sonora, concreta e experimental aos telespectadores. Proibido de entrar na RTP até ao 25 de abril de 1974, a bobina contendo a sua obra foi destruída.

Ainda que tenha feito experiências filmo- e video-poéticas na esteira de, e em paralelo com, outros poetas experimentais e artistas intermédia, como Marc Adrian, Gerhard Rühm e Ferdinand Kriwet, E.M.M.C. foi pioneiro da poesia desenvolvida em filme e vídeo em Portugal. Para além de fecundo autor, foi incansável na divulgação destas práticas artísticas num meio literário português tendente a desprezar a poesia expandida. A vasta divulgação que E.M.M.C. empreendeu não tratou apenas da sua obra, mas também da obra de outros artistas e poetas que editou e organizou em revistas, antologias e exposições, ou sobre cujas obras escreveu em jornais e ensaios coligidos.

A exploração dos signos, da matéria e do meio no qual o poema se inscreve e escreve foi uma das principais linhas programáticas de E.M.M.C. Dentro desta poética, é notável que a inovação se tenha exercido quase em permanência, quer através da palavra trabalhada em papel, voz, filme, vídeo ou computador, quer através da teorização da literatura de vanguarda e de invenção. E.M.M.C. lega-nos, pois, a palavra inovada. São seus os títulos In-novar (1977), As Vanguardas da Poesia Portuguesa do Século Vinte (1980) e Literatura Portuguesa de Invenção (1984).

A sua obra teve um impacto fulcral nos autores e amigos seus contemporâneos, mas também numa geração muito mais nova que redescobriu o experimentalismo e as potencialidades da escrita em suportes para além do papel. Se estes autores conhecem bem a obra de E.M.M.C., há agora novas gerações a quem urge dar a conhecer a sua obra, pois, mais do que nunca, ela é essencial para todos os que se vierem a interessar pela migração da palavra poética para ambientes transmediais.

Há anos que tentava chegar à fala com o poeta, depois de escrever sobre a sua obra, mas infelizmente não conseguimos conversar frente a frente. Contudo, as suas palavras inscreveram-se no meu modo de pensar a escrita. Queria falar-lhe de experimentalismo e censura durante o fascismo, mas em vão. Por isso, fiquei duplamente triste com a paragem do seu corpo. Fica aqui, hoje, a minha palavra, junto à sua.

[enviado no dia 10 setembro 2020]

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Américo Rodrigues

12 Relâmpagos
(lembrando E. M. de Melo e Castro através de doze imagens do arquivo do subscritor)

Foto 1- Em Foz Côa, muito antes da (re) descoberta das gravuras. Um festival de poesia. Melo e Castro entregava-se a uma performance num largo. Talvez tenha sido a primeira vez que o vi em acção.


Foto 2- Durante anos na fria cidade da Guarda editámos os cadernos de poesia “Aquilo”. Melo e Castro colaborou em vários números. Nunca negava o envio de um texto. Aconteceu o mesmo com a revista “Boca de Incêndio”. Capa do primeiro número dos cadernos, com um desenho de um macaco.


Foto 3- Na mesma cidade serrana começou a realizar-se um festival de poesia. Na primeira edição: Melo e Castro ao lado de João Rui de Sousa e Egito Gonçalves.


Foto 4- O DN Jovem, coordenado por Manuel Dias, chamou-me à Sala Experimental do Teatro Nacional D. Maria para ler poemas de Melo e Castro. No final ele agradeceu muito e disse qualquer coisa como “somos quase conterrâneos”. Rodeado de jovens autores.


Foto 5- O Aquilo estreou uma colagem teatral que fiz com poemas de Melo e Castro. Chamei-lhe “Como sabemos só dizer o indizível?”. Não me lembro se era”?” ou “!” À boca de cena, uma grande teia de fios de lã separando os actores dos espectadores.


Foto 6- O professor e poeta Philadelpho Menezes convidou-me a participar no primeiro Ciclo de Poesia Sonora do Brasil, que se realizou-em várias cidades. Melo e Castro foi assistir à performance de São Paulo, no Centro Cultural. Aqui, no preciso momento em que Melo e Castro diz a vários poetas concretistas, apontando para mim: “fui eu que o descobri”. Na foto não se nota mas pensei em abraçá-lo.


Foto 7-Em 2003 editei um disco de poesia sonora: “Escatologia”. A quem pedi para escrever o texto introdutório? A Melo e Castro. Começa assim: “De onde vem a poesia sonora de Américo Rodrigues?” Foi à Guarda apresentar o disco.


Foto 8- Melo e Castro falou-me de uns textos teatrais que nunca publicara. Enviou-mos e eu pedi autorização para encená-los. Ele tinha assinado os textos como Luiz de Castro e quis manter aquele nome. O espectáculo chamou-se “O conluio de Beckett, Ionesco e Salazar contra o jovem autor” e foi apresentado pelo Teatro das Beiras, na Covilhã, a terra onde Melo e Castro nascera. Reparem no cartaz de Jorge dos Reis.


Foto 9- Cristina Grande e Pedro Rocha, do Museu de Serralves, convidaram-me a realizar uma performance integrada na exposição de Melo e Castro “O caminho do leve”. Escolhi fazer uma interpretação vocal/sonora dos seus “Ideogramas”. A partir daí realizei muitas versões sonoras de poesia experimental portuguesa. Na foto, um dos momentos em que simulo seguir uma “partitura”.


Foto 10- Em tempos escrevi uma peça de teatro a que chamei “O mal”, acerca da “incrível estória do homem macaco português”. No final entra uma personagem chamada E.M. de Melo e Castro que diz “Cá está. Confirma-se a minha suspeita. Um ninho de relâmpagos! A maior parte deles já voou mas ainda aqui está um escondidinho! Vou levá-lo para casa”. A peça foi apresentada pelo Teatro Aquilo em vários espaços. Existe em livro.


Foto 11- Na Casa Marmelo Silva (o do “Adolescente agrilhoado”) no Paul (Covilhã). Rui Torres foi convidado por Arnaldo Saraiva a falar da obra de Melo e Castro, na sua presença. No final o poeta ofereceu-me o seu último livro e dentro dele enfiou vários dvd’s com imagens raras dos seus trabalhos.


Foto 12- Natxo Checa, da ZDB, no âmbito da exposição “verbivocovisual”, desafiou-me a participar na reinvenção do happening “Concerto e Audição Pictórica” que Melo e Castro e outros poetas experimentais promoveram em 1965. Sou o de barbas, agarrado a uma couve galega.

[escrito no dia 8 setembro 2020, enviado no dia 9 setembro 2020]

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António Barros

E. M. de Melo e Castro a disponibilizar a Omar Khouri e Bruna Callegari a obra “Com pés de Vegécio”, obgesto de António Barros da coleção de Melo e Castro, para a exposição Poesia Experimental Portuguesa, CAIXA Cultural Brasília, Brasil, 2018.

[enviado no dia 30 agosto 2020, publicado no dia 3 setembro 2020]

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Bruno Neiva

“Letters to a Young Poet (an homage to the late E. M. de Melo e Castro after Rainer Maria Rilke)”, 2020.

[enviado no dia 6 setembro 2020]

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César Figueiredo

Imagens: 1) Meeting de César Figueiredo dedicado a E. M. de Melo e Castro, publicado no livro Fobias – Fonias – Fagias. Escritas Experimentais e Eletrónicas Ibero-Afro-Latinoamericanas, 2019; 2) “TRAP. o que a vida nos faz” (para Ernesto de Melo e Castro), 3 Setembro 2020.

[enviado no dia 4 setembro 2020]

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Enzo Minarelli

in memoriam
E.M. de Melo e Castro (Portugal)

No doubt that Melo e Castro was the true pioneer of video poetry and concrete poetry not only in his own country, Portugal, but in Europe too. I still keep in my archive his VHS videocassette (I am now admiring it into my hands) Sueños de geometría [Sonhos de geometria] (Cuenca, 1993), which contains five video-poems I consider among the real masterpieces of this research. Of course Círculo de luz shot in 1969 opens a new era toward visual experimentation. His great intuition was to include movement into the printed immobility of concrete poetry. The great capability of organizing the screen as a page, going far beyond the limits of Un coup de dés by Mallarmé or even Plano-piloto de poesia concreta. He was a fixed presence in all the video festivals I have been organizing since the early 90s up to the first decade of the new Century.

I met Melo e Castro twice in Brazil in the past century when I used to go quite often there. I remember very well our conversations (he spoke his own language, me Spanish), once he said to me, probably it was mid 90s, “You know, I have definitely closed my shop in Lisbon, and I am living here forever”, we were in PUC, São Paulo. I remember also a special program in the first years of 2000 when we took advantage of one of the first satellite link-up to talk officially about new media. It was the last time I saw him.

[enviado no dia 7 setembro 2020]

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Emerenciano


Desenho de Emerenciano com retrato de E. M. de Melo e Castro seguido de fotografia de um momento em Ernesto se encontrou com Emerenciano em sua casa.

[enviado no dia 6 setembro 2020]

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Eunice Ribeiro


Postal oferecido por E. M. de Melo e Castro da primeira vez que Eunice Ribeiro o convidou para uma conferência na Universidade do Minho sobre Videopoesia, em abril de 1989. O postal reproduz, em suporte estático, um dos trabalhos que apresentou nessa conferência. No verso, aparece este título: “(Infografismo). Vibrações digitais dum protocubo perante os seus espectadores — Fase C. 9” (E. M. de Melo e Castro, 1988).

[enviado no dia 3 setembro 2020]

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Fernando Aguiar


10 de 26 variações sobre o nome de E. M. de Melo e Castro realizadas em 1978, e que nunca chegaram a ser enviadas ao poeta…

[enviado no dia 3 setembro 2020]

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Hugo Oliveira

Melo e Castro foi uma figura central na minha dissertação de mestrado. Hoje, ainda mais do que ontem, continuo a acreditar que o trabalho desta figura, incontornável para quem estuda arte portuguesa, merece estar em todas as casas do mundo. Resta-nos continuar essa exaltação… Fica aqui a introdução e a ligação para a respectiva dissertação:

Melo e Castro é um caso paradigmático para o estudo das artes experimentais em Portugal, devido à sua regular actualização à volta do tema das novas linguagens e constante comunicação entre os diferentes meios de criação. Embora o seu trabalho possa ser catalogado na área da poesia, durante as décadas de 1960 e 1970 afastou-se das convenções que estabeleciam uma relação entre forma e sentido adoptando posições mais radicais entre a escrita e a imagem. As suas pesquisas, quase indecifráveis pelo espectador comum, são um equilíbrio entre um programa conceptual literário e artístico onde as palavras são desmontadas para dar lugar à imagem e vice-versa, seja numa folha ou num monitor. Quando Melo e Castro faz reflexões teóricas sobre o seu trabalho, fá-lo como necessidade de clarificar todas as ideias que desenvolve, contextualizando o papel da poesia também como acto de resistência criando uma ligação a Mallarmé, Lautréamont, aos Dadaístas e Futuristas, todos eles, no seu tempo, envolvidos em actos políticos e revolucionários.

[Alternativas e proposições para uma experimentação sonora na arte contemporânea portuguesa pós 25 de Abril]

[publicado no facebook no dia 30 agosto 2020, enviado no dia 4 setembro 2020]

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Silvestre Pestana

A POESIA EXPERIMENTAL PORTUGUESA nunca foi um movimento de vanguarda ou publicou um manifesto, nunca promoveu a participação dos Poetas por convite, nunca aceitou um porta voz… mas tem aglutinado desde o seu aparecimento um investimento contínuo de pesquisa por parte dos Poetas na PROBLEMATIZAÇÃO DA INVENÇÃO.

[Depoimento de Ernesto de Melo e Castro, durante a inauguração da exposição Poesia Experimental Portuguesa, CAIXA Cultural Brasília, Brasil, 2018.]

Na foto: Fernando Aguiar, Bruna Callegari, Ernesto de Melo e Castro, Silvestre Pestana e Omar Khouri. [Imagem cedida por Silvestre Pestana a partir do seu post no Facebook]

[publicado no facebook no dia 30 agosto 2020, enviado no dia 3 setembro 2020]

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Tiago Schwäbl

188º HIPOGLOTE _A2H-28_2020-09-14_ Mel & Crasto | Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro (1932-2020)

Mel & Crasto

Textos de E.M. de Melo e Castro (Da poesia concreta à poesia visual, 2005; Iluminismo, precisa-se!, 2019; Sincronicidade, Neobarroco, Releitura, 2004) sussurrados por MO. Poemas lidos por Joana e Catarina (vozes sintetizadas) e recitados por Américo Rodrigues (arquivo PO-EX). Melo e Castro entrevistado por Helton Gonçalves de Souza (Vereda Literária) e Ernesto de Sousa (Arquivo RTP).

Música de Jorge Peixinho (Harmónicos, 1967) com o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (Remake, 1985; As Quatro Estações, 1972). Música ainda pelo Ensemble Anonymous 4 (Codex de Montpellier) e Martin Best Medieval Ensemble (Cantigas de Santa Maria de Alfonso X). Apicultura (Ortiga Mação, Turma da Abelha, Agostinho Serpa, Favo de Mel) e arqueologia (Júlia Fernandes & José d’Encarnação: Escrito na Pedra, Ep.2 e 5).

Hipoglote é um programa da Rádio Universidade de Coimbra (RUC). Também toca na Antena 2.

[programa emitido na madrugada do dia 13 setembro 2020, enviado no dia 14 setembro 2020]

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Biografia e obras de E. M. de Melo e Castro disponíveis em https://po-ex.net/tag/melo-e-castro; Textos sobre E. M. de Melo e Castro disponíveis em https://po-ex.net/tag/sobre-melo-e-castro