REMISTURAR O ARQUIVO
REMISTURAR O ARQUIVO · Cinco Dimensões do Texto Experimental

TEXTO–TEXTO

Escritas modulares · Arquiteturas da palavra

Data22 março 2026 · 16:00
LugarBiblioteca Poética Eugénio de Andrade, Porto
ComInês Cardoso
CuradoriaRui Torres

Na dimensão Texto–Texto, REMISTURAR O ARQUIVO propõe o arquivo como matéria viva, recombinante e instável, um território onde o texto se reorganiza, se desloca e se reinventa. O poema deixa de ser apenas verso e passa a ser objeto visual, estrutura espacial, constelação de signos.

Mais do que perguntar “o que significa?”, esta sessão convida a perguntar: como significa? Como se organiza o texto no espaço? Como se constrói o sentido quando a linearidade é interrompida? Como pode o livro tornar-se objeto expandido?

01

Poemas concretos e outras constelações

O texto como ritmo gráfico, ideograma e constelação.

Quel air clair, Salette Tavares
Salette Tavares

Quel air clair

1963

Tipografia, claridade verbal e desenho sonoro numa peça em que a página se torna respiração visual.

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Círculo aberto ritmo liberto, E. M. de Melo e Castro
E. M. de Melo e Castro

[Círculo aberto ritmo liberto]

1962

O ideograma como organização dinâmica: círculo, abertura e ritmo fazem da palavra uma estrutura em movimento.

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Delongas, Alexandre O’Neill
Alexandre O’Neill

Delongas

anos 1950

A demora inscrita no próprio corpo verbal: o poema faz da palavra uma operação de tempo.

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Opressão, Alexandre O’Neill
Alexandre O’Neill

Opressão

anos 1950

A pressão gráfica e semântica torna visível aquilo que a palavra nomeia.

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02

Poemas para dobrar e desdobrar

A leitura acontece no gesto: abrir, fechar, virar, dobrar, aproximar, recompor.

Lidança, Abílio José-Santos
Abílio José-Santos

Lidança

1968

Um poema-livro que ativa a página como percurso de leitura e montagem.

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Poema azul e branco, António Aragão
António Aragão

Poema azul e branco

1970

A cor e o objeto-livro transformam a leitura num acontecimento material.

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Poema vermelho e branco, António Aragão
António Aragão

Poema vermelho e branco

1971

Um dispositivo cromático e tridimensional para ler com as mãos e com o olhar.

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03

Apropriação e interferência

A escrita surge como corte, deslocação e ruído.

P(R)O(BL)EMAS VISÍVEIS, António Aragão
António Aragão

P(R)O(BL)EMAS VISÍVEIS

1968

A página como campo de intervenção: o texto encontrado torna-se problema, poema e superfície crítica.

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24 cartas comerciais tipo, César Figueiredo
César Figueiredo

24 cartas comerciais tipo

1998

A linguagem burocrática é desviada, repetida e reencenada como máquina social de escrita.

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04

Espacializar a palavra

A palavra ocupa a superfície, o texto lê-se como configuração.

Os Efes, Salette Tavares
Salette Tavares

Os Efes

1964

A repetição gráfica constrói uma paisagem mínima de sinais, sons e formas.

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O Menino Ivo, Salette Tavares, tipografia
Salette Tavares

O Menino Ivo

1963 · tipografia

A forma verbal organiza uma figura de leitura entre palavra, imagem e ritmo.

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O Menino Ivo, Salette Tavares, tapeçaria
Salette Tavares

O Menino Ivo

1978 · tapeçaria

A passagem para a tapeçaria confirma a palavra como forma transportável e rematerializável.

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05

Rarefação e ilegibilidade

A ilegibilidade é também uma forma de leitura.

Homeóstatos, José-Alberto Marques
José-Alberto Marques

Homeóstatos

1965

Sistemas textuais em tensão, entre ordem, ruído e recomposição visual.

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A Reinvenção da Leitura, Ana Hatherly
Ana Hatherly

A Reinvenção da Leitura

1975

O gesto gráfico reinscreve a leitura como investigação, desenho e arqueologia de signos.

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06

Diálogos, releituras e reinvenções

O arquivo circula, a tradição experimental é matéria ativa.

Cras! Bang! Boom! Clang!, Manuel Portela
Manuel Portela

Cras! Bang! Boom! Clang!

1991

A página como colisão de voz, media, humor e cultura visual.

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Antologia de textos visuais dos séculos XVII e XVIII, Ana Hatherly
Ana Hatherly org.

Antologia de textos visuais dos séculos XVII e XVIII

1986

Genealogias barrocas da visualidade textual e da leitura labiríntica.

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No Cessar da Palavra, Ana Mota
Ana Mota

No Cessar da Palavra | Alvorece uma Imagem

2022

Desenhos da escrita: a palavra quase cessa para aparecer como imagem.

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32 44N -16 58W, Diogo Marques e d1g1t0 indivíduo_coletivo
Diogo Marques & d1g1t0

32 44N -16 58W

2021

Coordenadas, inscrição e remistura coletiva em diálogo com o arquivo.

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Variação de Tisana 1 de Ana Hatherly, Bruno Neiva
Bruno Neiva

Variação de Tisana 1 de Ana Hatherly

2016

Uma leitura-obra que transforma a variação em método crítico e criativo.

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Diálogo criativo, Miguel e Bruno Ministro
Miguel e Bruno Ministro

[diálogo criativo]

2022

Uma frente de leitura e homenagem, reinscrevendo a colaboração como prática textual.

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