Apresentação e remistura do Po-ex.net - Arquivo Digital da Literatura Experimental Portuguesa


TEXTOSOM


Salão Brazil | Largo do Poço, nº 3 - 1º andar | 3000-335 Coimbra, Portugal

7 Janeiro 2016 <> 17h30

Sessão com debate e remistura audiovisual por Rui Torres e Luís Aly

localhost/ Nuno Miguel Neves


Ver tb > Outras sessões e contexto da intervenção


Imagens da apresentação/intervenção >

[Fotografias cortesia de Sandra Guerreiro Dias]


[Fotografias cortesia de Gilberto Pereira]

 


Intro(duction)

Sessão sobre processos sonoros e poesia sonora apresenta em dezoito (18) fragmentos distintos, com autonomia, não devendo seguir-se uma ordem, seguindo antes uma sequência aleatória, gerada pelo FortunAly, programado pelo Nuno F. Ferreira para a Retroescavadora.

As 18 Secções têm a mesma estrutura:

  1. Som-Texto (Poema sonoro)
  2. Texto-Som (Leitura) // Ou então, como ler? (Leitura ao Vivo)
  3. Processo/manipulação (Kyma)

Considerações prévias >

Na taxonomia do po-ex.net, poesia sonora é: "Forma de poesia baseada na expressividade dos aspectos fonéticos da linguagem e dos processos vocais de emissão de som, alargando desse modo o conceito de poema ao de composição musical, normalmente associada a manifestações performativas e acções ao vivo, podendo no entanto ser formalizada quer pelo registo áudio, quer pela representação visual da partitura. (Também: Poesia fonética)" (Torres e Portela).


Melo e Castro propõe uma tipologia das poesia experimentais em "A proposição 2.01" (1965), onde se incluem: Poesia Auditiva - Experiências com a voz humana tratada ou não com o magnetofone. Poesia rítmica ou poesia melódica com palavras, sílabas ou sons puros. Algumas experiências dadaístas e letristas. Composição direta na trilha sonora. Poesia Respiratória – Experiência de Pierre Garnier com o sopro humano. Poesia Sinestésica – Desenvolvimento das sinestesias. Produtos híbridos dos tipos de poesia já referidos.

Em PO.EX (Hatherly; Castro, 1981: 115-116) inclui novas tipologias e exemplos, reformulando para: Poesia auditiva ou fonética: Experiências com a voz humana tratada ou não com o magnetofone. Palavras, sílabas, sons puros, ritmos, sobreposições. Desde o dadaísmo. Raoul Hausmann, Kurt Schwiters; Petrônio; Bernard Heidsieck; Henri Chopin; François Dufrêne. Poesia respiratória – Experiências de Henri Chopin (A Energia do Sono) e de Pierre Garnier com o sopro humano (Poesia Fonética).


E "[o] que é a poesia sonora? Poesia cantada? Poesia lida? Poesia musicada? (...) propostas de autonomização estética dos aspectos sonoros da linguagem poética. (...) A poesia sonora é "um mito brilhante e mudo". Brilhante porque reflecte “com precisão e radicalidade” aquilo que centraliza as múltiplas tendências das poéticas experimentais, tais como a elaboração fonética, vocal, acústica e electroacústica. Na sua própria amplitude, porém, diz Menezes, torna-se “um nome de significação esvanecida, quase mudo”. (...) O que caracteriza o poema sonoro não é a sua simples audibilidade, mas a sua própria existência acústica. O som das palavras é para a poesia sonora um problema, não uma solução. O poema sonoro opõe-se, por isso, à oralidade padronizada do mundo contemporâneo. É uma poesia para abrir os ouvidos, tal como a poesia concreta quis ser uma poesia para abrir os olhos." (Rui Torres, de "Porta-Voz [Recensão Crítica]")


Textos sobre Poesia Sonora no po-ex.net:

Leituras da Poesia Experimental Portuguesa disponíveis no po-ex.net:


Imagens registando o acesso ao ARQUIVOVIVOÉANARQUIVO#2 após activação de script botabaixo.js programado por Nuno Ferreira


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 1 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Américo Rodrigues, 2003, poesia sonora do disco “escatologia”. “cavalgada”. Seguida de “sitiado”. A desestruturação da estrutura silábica elementar da articulação vocabular. Nesse sentido, pós-Dada, pós-Futurista. Velocidade, mas por processamento sonoro da voz. O sussurro. Poemas para gritar e para saltar, como quis Hugo Ball. O sopro. “Chamo de poesia o conhecimento do sopro já que é o esgotamento do universo para o universo. Aí então o corpo se reinventa”, disse Pierre Garnier na sua Arte Nova Sonia, de 1962. Trabalhar o sopro. O “sopro-energia-vibração-ondulação-radiação”. Como previu Ilse Garnier, “o fim do mundo da expressão”.] (Rui Torres)

Capa de Escatologia, de Américo Rodrigues

Américo Rodrigues, “cavalgada”

Américo Rodrigues, “sitiado”


Texto-Som (Leitura) >

"Opressão", de Alexandre O'Neill

Américo Rodrigues, "Opressão" (Alexandre O'Neill)


Ou então, como ler? >

A reinvenção da leitura : breve ensaio crítico seguido de 19 textos visuais / Ana Hatherly (1975)

Selecção de textos

[Os, as (p. 32) | Esperando a memória (p. 34) | Lembras-te de quando tudo era diferente (p. 37)]


Processo/manipulação (Kyma) >

Luís Aly: Degeneração


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 2 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Capa de Cicatriz:ando, de Américo Rodrigues

"(...) Cicatriz:ando reúne um conjunto de acções poéticas e sonoras nas quais são apropriados diversos materiais que têm origem na tradição oral portuguesa. Esses materiais, que vão desde lengalengas, orações e adivinhas até alcunhas e vocabulários de gíria, por si só não constituiriam novidade na obra do autor, rica em abordagens ao nosso património cultural. No entanto, em Cicatrizando temos como novidade estrutural a intervenção expressiva de certas tecnologias, as quais assumem um papel preponderante no processo de metamorfose a que são submetidos esses textos. De facto, a magia efémera das coisas que Américo Rodrigues captura com regularidade aparece agora inscrita em processos de desautomatização dos próprios mecanismos de reprodução de que é feito qualquer registo sonoro. Por isso, ao tornar visível esse aparato de reprodução, seja através da presença da materialidade dos sistemas de gravação, comunicação e amplificação que utiliza, seja ao introduzir expressivamente o telefone, o gravador de cassete, o megafone ou os intercomunicadores, o autor monta um conjunto de texturas sonoras do tipo meta-mediático, isto é, em que a própria reprodução técnica é desautomatizada e tornada reflexiva." (Rui Torres)

Américo Rodrigues, “Orações e confusões”


Texto-Som (Leitura) >

O Sapato, de Salette Tavares [Leitura conjunta de poema litúrgico, para oficiante e participantes]

Leitura colectiva (all together now)


Processo/manipulação (Kyma) >

Luís Aly: Mantra


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 3 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

"Américo Rodrigues, 2003, poesia sonora do disco “escatologia”. “ões”, para voz, batata frita e camões, em memória de Phidalelpho Menezes, entretanto falecido. A prosódia conversacional como ponto de partida para a declaração de independência dos intérpretes. A interrupção, o erro, denúncia de todas as falácias de leitores e diseurs constrangidos pelos bons costumes. Contra a norma, pela forma." (Rui Torres)

"O seu repertório de tons e registos inclui a ironia, a indignação, a ternura, a tragédia, a comédia.(...) Em “ões”, que abre o CD, Américo Rodrigues tenta ler repetidamente a primeira estância de Os Lusíadas, enquanto mastiga batatas fritas, uma brutal evocação da limpeza cerebral que a dieta literária escolar pode constituir. Palavras e batatas fritas misturam-se na boca revelando a idêntica ordem de materialidade que as constitui e, ao mesmo tempo, a interiorização dos significantes/significados como alimento produtor da subjectividade. Que o acto de ler com a boca cheia resulte na distorção dos sons tem o efeito hilariante de desmistificar por completo a fast food camoniana e a utilização ideológica da linguagem." (Manuel Portela)

Américo Rodrigues, “ões”


Texto-Som (Leitura) >

Velegrama, de Álvaro Neto

"Certos regimes de remistura e apropriação tecnológica são frequentes na PO.EX. No texto "Velegrama", Álvaro Neto/Liberto Cruz substitui as consoantes iniciais das palavras de uma comunicação telegramática pela letra V, sugerindo desse modo a velocidade de transmissão que caracteriza o meio, ao mesmo tempo que cria uma situação sonora que exige, para a sua leitua, uma articulação fonética de grande perícia. Assim, a consoante V, ao ser introduzida como elemento de entropia negativa no telegrama, sugere, por um lado, visualmente, a velocidade, mas, por outro, introduz um uma espécie de travão nessa mesma velocidade, pois ao iniciar a leitura, sonoramente, há uma quase necessidade de a atrasar. Escrito em maiúsculas e assinado como Viverto Vruz, lê-se, a título ilustrativo: "VONS VONVEIROS VOLUNTÁRIOS VELEM VINGUÉM VOSSA VONVA". Os intervalos são assinalados com um "VTOP", e termina de um modo elegíaco e irónico: "VIVA VATRIA VIVA VOVO VIVA VORTUGAL"." (Rui Torres)

Américo Rodrigues, "Velegrama" (Álvaro Neto)


Ou então, como ler? >

24 cartas comerciais tipo / César Figueiredo ; trad. Isabel Camarinha (1998)


Processo/manipulação (Kyma) >

Luís Aly: Extracção


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 4 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Itinerário do Sal [Op-ErA, Miso Ensemble] | Miso Records 2008, Miguel Azguime - performer, composição, concepção e textos; Paula Azguime - desenho de som e electrónica em tempo real, concepção, vídeo e encenação; Andre Bartetzki e Perseu Mandillo.

"Itinerário do Sal é a concretização de um trabalho de criação sobre a escrita: sobre a escrita musical, sobre a escrita poética, sobre a escrita gestual do músico/actor e da sua própria imagem, onde a voz é o prolongamento do corpo e do pensamento do poeta. Eis, portanto, a simbiose entre a essência da palavra e a evolução do Ser, apresentada na forma de uma nova dramaturgia designada por Ópera Electroacústica." (Das 'liner-notes' do DVD)

Miguel Azguime, Itinerário do Sal / Epílogo do Sal

Miguel Azguime:

"Sobre voar de vez de ver de voz
Ocultar o silêncio no espelho do sal
Que sol nos traz o sal
Que sal nos traz o som
Que som nos deixa a sul
Que sul pelo eixo do rumo
SOLta
SALta
SOMa
SULca
tataaca...
taacata...
tatacaa...
cataata...
Em sal de si de se de lho
De cio lento de som de ção
Culto de voz de ver de vir
De ços de pá de se de sias
De traves pasmas de luz a sul"

Miguel Azguime, "De Part et d'Autre" (Itinerário do Sal)


Texto-Som (Leitura) >

"Américo Rodrigues, em Leituras da Poesia Experimental Portuguesa gravadas na Guarda em 2012 por Rui Torres e Luís Aly, interpreta o poema “O lixo”, de Salette Tavares. Originalmente publicado em 1971, no livro Lex Icon da escritora portuguesa já falecida, uma elegia ao lixo, o repugnante e expurgado lixo, o lixo secreto aqui e agora tornado jóia, informação, arte. Homenagem a Schwitters e a Dada, aos poetas de lixos. Para a leitura, Américo Rodrigues, recorrendo à exploração do texto-som, ao isomorfismo e à repetição, apela à reconstrução da linguagem. O lixo luxo de Salette Tavares. Américo Rodrigues lê “O lixo”, de Salette Tavares." (Rui Torres)

Américo Rodrigues lê “O lixo”, de Salette Tavares


Processo/manipulação (Kyma) >

Luís Aly: Ressoador Harmónico


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 5 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Capa de Porta-Voz, de Américo Rodrigues

"Américo Rodrigues publicou "Porta-Voz" [Registo sonoro] em 2014, na Guarda, pela Bosq-íman:os records, acompanhado de um objecto de José Teixeira. Sintomático do que se vai ouvir: Américo Rodrigues é o responsável por "Poesia, vozes, brinquedos, trompa de caça, pedras, paus, trombone de aboboreira, megafone, búzio, chocalhos, campaínhas, unhas de lama, piaçaba e tubo de PVC". Numerário é uma brincadeirrrrra, e brincando nos fazemos homenzinhos: contam-se aqui os números; sobrepõem-se as contagens dos números; risos, números, risos. Uma economia. Uma ironia com a economia." (RT)

Américo Rodrigues, "Numerário"


Texto-Som (Leitura) >

Soneto Soma 14x, de E. M. de Melo e Castro

Nuno M Cardoso, "Soneto soma 14x" de E. M. de Melo e Castro


Derivação >

Ctu Telectu é o título do primeiro álbum de Telectu, nome dado por Jorge Lima Barreto ao projecto formado por ele e por Vítor Rua no início dos anos de 1980. Melo e Castro escreve o poema Sete Megatoneladas em 1968, onde surge a palavra “Telectu”.

Hugo Oliveira, em Alternativas e proposições para uma experimentação sonora na arte contemporânea portuguesa pós 25 de Abril: "o trabalho de Melo e Castro destaca-se também da seguinte forma na obra dos Telectu: (a) capa para as edições fonográficas Belzebu (1983, LP) e Digital Buiça (1990, LP); (b) experiências fonéticas e compositivas a partir do seu poema SONETO SOMA 14X (Off Off, 1984, LP); (c) colaborações em conjunto na execução de bandas sonoras para videopoesia. Esta colaboração de Melo e Castro com os Telectu é igualmente decisiva para documentar um par de ideias: (a) submeter a declamação de um poema a uma série de efeitos electrónicos, tendo em conta o poema em questão, SONETO SOMA 14X,o seu uso foi abordado como um elemento “concretista musical”, não havendo interesse numa mensagem a não ser a conceptual; (b) chegar a novos públicos através do formato fonográfico e dos arranjos gráficos. (...) É no tema CORNUCÓPIA que se escuta a experiência fonética a partir do poema de Melo e Castro SONETO SOMA 14X. Não havendo qualquer tipo de preocupação no sentido de fazer passar uma mensagem verbal, a voz que declama o soneto é usada como se se tratasse apenas de mais um som concreto no meio da composição, um instrumento apenas com um significado sonoro. No meio dos sons electrónicos de fonte “não identificável”, a voz processada através de um flanger (voz de João Perry), torna-se ainda mais resistente à percepção convencional, anulando de imediato a possível aproximação que se poderia estabelecer com uma mensagem verbo-semântica."

Telectu e E. M. de Melo e Castro

TELECTU; Soneto soma 14x


Ou então, como ler? >

Poemas gerados por computador originalmente programados por Pedro Barbosa em 1976 usando os programas de geração textual «Permuta» e «Texal» [retextualizações por Rui Torres usando o poemario.js de Nuno Ferreira].

http://www.po-ex.net/pedrobarbosa/PB_ELC3.html


Processo/manipulação (Kyma) >

Luís Aly: Singing Duet


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 6 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Itinerário do Sal, de Miguel Azguime, publicado em CD e contendo ainda um filme em DVD, é sobre a linguagem, no sentido duplamente conceitual (do significado) e da impressão acústica (do significante). A voz, bem como a música que resulta do seu processamento, e a encenação que deriva da sua relação com o corpo, tornam-se o signo a explorar. Com recurso ao processamento electrónico em tempo real, Azguime projecta a voz e a poesia numa convergência associativa imagética que, num mesmo tempo, é multimodal e indeterminada. Uma experiência sinestésica. Como reflexão acerca do papel da notação na escrita musical e poética, esta Ópera Electroacústica torna-se convulsão meta-sonora, indagação acerca do papel da arte no nosso tempo. No tema que dá título ao disco, “Mapas de travessias” do sol, do sal, do som e do sul."

Miguel Azguime, “O Ar do Texto" e "O Som Interior” (vídeos)

"Itinerário do Sal, de Miguel Azguime, é um exemplo da hibridez intermédia tornada possível pela actual tecnologia digital. Os sons ligeiramente diferidos que saem da boca do actor/autor tentam ser simultaneamente o resultado dos movimentos corporais, isto é, aquilo que poderíamos referir como a música da voz ou a poesia da voz, e a notação desses movimentos. É como se o som escrevesse o próprio som. O mesmo se poderia dizer da escrita: os traços traçam a sua própria possibilidade enquanto forma escrita." (Manuel Portela – blog TAGV Coimbra, 16/02/2007)

Miguel Azguime, "A Laugh to Cry"

[05 Act 1]

[7 Act 2]


Texto-Som (Leitura) >

Américo Rodrigues interpreta “Pêndulo” (E. M. de Melo e Castro)


Processo/manipulação (Kyma) >

Luís Aly: Morphing


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 7 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Capa do disco "desde que nasceu..."

Da biografia de aranhiças & elefantes: "Blog-grupo experimental ou paracolectivo poético ou não-movimento: um desequilíbrio de palavras, imagens e sons (...) [uma] procura da diluição da autoria individual através do “escangalhanço”. *ESCANGALHAR é uma técnica ancestral que consiste em alterar os poemas-base, isto é: acrescentar-lhes palavras, versos, imagens e/ou retirar-lhes palavras, versos, imagens, em suma, ESCANGALHAR é destruir e/ou (re)criar."

aranhiças & elefantes, "corrector corpográfico"


Texto-Som (Leitura) >

Salette Tavares, "Parlapatisse"

Bruno Ministro, Parlapatisse (Salette Tavares)

Jorge dos Reis, Parlapatisse (Salette Tavares)

Nuno M Cardoso, Parlapatisse (Salette Tavares) [duas versões]


Ou então, como ler? >

. ] quinquilharia [ > / Bruno Ministro (2014)


Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Cut-up


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 8 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Salette Tavares, kinetofonias “Ri m ri ri” e “Taki taki”


Texto-Som (Leitura) >

Kinetofonias de Salette Tavares, “Ri m ri ri” e “Taki taki”, ambas de 1963. A palavra é tomada, na poesia experimental, como objecto multimodal. Aliando a esta verbovocovisualidade a atomização e a rarefação vocabular, temos como resultado uma aparente imperceptibilidade das origens fonéticas de toda a realidade linguística. Estes elementos mínimos da linguagem são tomados como ponto de partida para uma estetização dos próprios sons da linguagem, ganhando autonomia relativamente ao contexto maior em que se aprisionam no quotidiano. Nestes poemas, o trabalho semântico é abandonado, em detrimento do valor estético. “Ri m ri ri” e “Taki taki” pela voz de Américo Rodrigues. (RT)

Américo Rodrigues, “Ri m ri ri” (Salette Tavares)

Jorge dos Reis, “Ri m ri ri” (Salette Tavares)

[Performance "O leitor compulsivo de alfabetos" | Interpretação fonética dos poemas visuais de Salette Tavares, Galeria Diferença, Lisboa, 3 de Fevereiro 2011]

Américo Rodrigues, “Taki taki” (Salette Tavares)


Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Ritmo euclidiano


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 9 >

Texto-Som (Leitura) >

Américo Rodrigues, “e-qui-li-brrrrr-iô”, para voz com mão contra a garganta, em jeito de alongamento. Como explicou Isou: “Destruir palavras em favor de outras palavras.” Alongamentos. Amplitude. O entendimento auditivo que cabe à poesia fonética libertar. A libertação de toda a prosa."]

Manuel Portela: "Em “e-qui-li-brrrrr-iô”, que fecha o CD [Escatologia], encontramos uma arte poética sobre a sua prática sonora. O ponto de equilíbrio, sempre precário, para o poeta que tritura e mastiga as palavras é também um ponto de interrogação: o ponto de interrogação que esta obra constitui como investigação das possibilidades expressivas do aparelho fonador como máquina de música e de poesia; e o ponto de interrogação sobre o seu próprio caminho e sobre as formas que nesse caminho se lhe oferecem. Outro ponto de equilíbrio é o ponto de equilíbrio entre poesia e música que Américo Rodrigues tem procurado atingir através da interpretação das suas obras num contexto de improvisação musical, em geral acompanhado por instrumentos de sopro, contrabaixo, percussão e objectos diversos."

Américo Rodrigues, "E-qui-li-brrrrr-iô"


Ou então, como ler? >

Cras! Bang! Boom! Clang! / Manuel Portela (1991)


Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Urdidura espectral


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 10 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Porta-voz, megafone, instrumento que amplifica e envia a voz a longa distância. Porta-estandarte, porta-bandeira, porta-guião, porta-chapéus, etc. Voz? Voz/vox é o som produzido na laringe, pelo ar que sai dos pulmões e pela boca. Ruído, som, parte vocal de um trecho de música, faculdade de falar, grito, clamor, queixa; impulsão, movimento interior; intimação, ordem; rumor, ruído; palavra, frase.O poema (e de um conjunto de poemas) sobre a linguagem, que se joga contra a linguagem, pela linguagem. (RT)

Américo Rodrigues, "Porquê o quê"


Texto-Som (Leitura) >

E. M. de Melo e Castro, "Não ver"

Américo Rodrigues, [Ver/ Não ler/ Ter] (E. M. de Melo e Castro, Ideogramas, 1962)

[Visão Visual Vocal, performance de poesia sonora de Américo Rodrigues, 17 de Março de 2006, Auditório de Serralves (Porto) no âmbito da exposição O caminho do leve = The way to lightness, de E. M. de Melo e Castro]


Américo Rodrigues, "We pass through grass behush the bush to. To whish!" (Ana Hatherly)

Ana Hatherly, "We pass through grass behush the bush to. To whish!"


Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Máquina memória


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 11 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Capa do disco "desde que nasceu..."

aranhiças & elefantes, "alexitimia"


Ou então, como ler? >

(Colage)manifesto vermelho / Abílio-José Santos (1976) + I e II Manifestos Lixarte / Abílio-José Santos (1987)


Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Urdidura espectral II


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 12 >

Som-Texto (Poema sonoro) >

Fernando Aguiar (performance na Galeria dos Prazeres, 2011)

  • Malabarismo [start: 07:02]
  • Os talismãs de Wolf Vostell [start: 08:58]
  • Soneto irado [start: 10:20]
  • Problemática da dificuldade [start: 11:22]
  • Negação do ser e Afirmação do ser" (Da série "Ser ou não ser") [start: 13:10]


Texto-Som (Leitura) >

A literatura experimental apropria-se das técnicas mediáticas, desaparelhizando-as. Dessacralização é o que igualmente está patente em toda a obra do grande poeta António Aragão. Uma poesia marginal izada, porque incapaz de se enquadrar nos formatos definidos pelo marketing literário. Poesia de invenção que utiliza técnicas de mediação da burocracia. A burro-cracia! Apropriação, recriação dos aparelhos construídos pela sociedade do consumo. A utilização do telegrama, do aviso camarário.

“Telegramando” e “Câmara Municipal do Funchal”, de António Aragão

Américo Rodrigues, “Telegramando” (António Aragão)

Nuno M Cardoso, “Câmara Municipal do Funchal” (António Aragão) [duas versões]


Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Velegramas


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 13 >

Sem Som-Texto nem Texto-Som > Aly

Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Performance granular


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 14 >

Texto-Som >

Américo Rodrigues, "Delongas" (Alexandre O'Neill)


Processo/manipulaçao (Kyma) >

Luís Aly: Alongamento


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 15 >

Uma pausa para refrescar...


Processo/manipulaçao (Kyma) > 

Luís Aly: Harmónicos


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 16 >

Ooops... 404!


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 17 >

Interlúdio > Perguntas?


E que role a RoletAly (FortunAtely)!



Secção 18 >

Obrigado!


E que role a RoletAly (FortunAtely)!