Em muitos trabalhos artísticos encontramos a reinvenção da cronofotografia de Marey ou da decomposição do movimento de Muybridge. Tanto em alguns trabalhos de animação onde se recusa uma concepção de animação de “desenhos que se movem” utilizando os movimentos do performer para exprimir ideias, emoções, através dos movimentos do corpo.

Em .txt imagens e corpos são um único. As palavras são tão importantes como os gestos ou como as imagens que delas resultam. Estão lá para provocar reacções fortes, pelo seu valor e pelo seu movimento. E o movimento é por vezes o fundamental para captar o imaginário. Como um bailarino, quando manipulado pode ser, um ser humano, mas também pode ser um animal, um objecto inanimado, no entanto seus movimentos continuam a ser uma forma de dança.

Em .txt queremos realçar a interacção, a generatividade e a emotividade que reúnem os movimentos do performer e as Imagens em movimento que são, numa primeira leitura, letras, palavras, texto… tipografia. A grafia apresenta um lado transversal ao seu valor semântico. As palavras que vão povoando o espaço são imagens e movimento. As palavras|imagens|movimento apresentam-se sem significado sintáxico, sem continuidade compreensível à gramática de uma linguagem, antes compreensível na sua relação com o espaço e o tempo, com o seu movimento.

E o movimento não corresponde a uma vontade de representação ou auto-referência, mas sim a uma acção de conhecimento, de observação e de experimentação. As imagens e corpos em movimento apresentam como um conjunto de experiencias que emergem das memórias das periferias do corpo e da consciência. Os movimentos gerados pelos diferentes personagens, performer e tipografia, são a representação da relação entre ambos. Transportando cada um, o corpo do performer e as imagens|palavras, uma energia cinética que possibilita uma expressão da fisicalidade inerente a ambos, que represente e possa ser entendida como uma manifestação de vida.

A desordem da grafia que por vezes se apodera do ecrã, passa a ter uma compreensão mais ligada ao seu valor gráfico, à sua sequência e ao valor do seu movimento. Tal como um “virus”, passando a confundir-se, a interagir, a tomar e mesmo a controlar o corpo e os movimentos do performer.

Queremos levar a um esquecimento das tecnologias de registo e de difusão das imagens antes, pensar o encontro de imagens e de corpos e dos seus movimentos como um todo.

As imagens, os movimentos e os corpos devem ultrapassar tanto o ecrã como o espaço cénico. Esquecendo as formulações gramaticais, sintáxicas, semânticas ou semiológicas. Elas são um todo dramatúrgico, emotivo, sensível e devem tornar-se numa experiência transcendental que pode levar-te para outro local, para outra emoção e induzir no corpo de cada um as suas (próprias) experiências.


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