[Texto de António Barros sobre a obra 'Autista']


Em "O Retrato de Dorian Gray", chega-nos mesmo a dizer Oscar Wilde que "toda a arte é completamente inútil". E é para esta "inutilidade" que se convocam o génio e a mestria. Saberes que levam ao dizer, como em Alexandra Trenfor (numa pedagogia da, e para a Arte), que "os melhores mestres são aqueles que mostram para onde devemos olhar, não os que dizem o que devemos ver".

A Arte, como capela dos males necessários, é uma convulsão de esforço. Um lugar onde o Artista se reserva. Tantas vezes Autista de Si. De regresso ao "estádio do espelho" (Lacan) numa procura de reprogramação do Sentido.

A razão de um tempo, e o tempo de hoje, zela por uma literacia das imagens para os media, onde as imagens são objetos culturais que resultam em imagens oculofóbicas ou oculofílicas numa plataforma convulsivamente autistisante, porém sempre convocando Natureza. Procuram comungar, estas, com a Natureza em Arte. E, como diria Novalis, "a Natureza deve tornar-se Arte, e a Arte uma segunda Natureza".


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