Descrição > [A poesia começa onde o ar acaba...], António Aragão. exto originalmente escrito para a exposição colectiva Visopoemas, Galeria Divulgação, Lisboa, Janeiro de 1965.


Do catálogo de Visopoemas, contributo de António Aragão >

Transcrição >

a poesia começa onde o ar acaba. é qualquer coisa para depois da própria respiração. como o respirar é muito uma maneira nossa e (pre)vista da condição humana a que somos condenados, a poesia surge a partir desta condenação. mais justo ainda, a partir de toda a condenação. deste modo, só nos resta a queda no irremediável: a vertigem sem apelo, o jogo sem olhos, a ausência impecável de nós. daí o repúdio do lirismo e duma semântica convencionada à escala dos pessoais (des)gos / tos mais ou menos audíveis. daí a ambiguidade cómico-dramática em que nos assistimos. nenhuma ordenação é possível. nenhum suspiro pode já (co)mover. em vez de celebrar normas e preceitos que actuam na mediocridade da sujeição, procuramos, mais exactamente, descobrir o belíssimo cáos de nós próprios. antes o indefinido do que ser reduzido ao absoluto infrutescente da indefinição. antes o encontro com o desor / denado, num conflito sem génese nem juizo final, para atingir o risco de estarmos livres mesmo no discurso do desentendimento. um poema deve ser usado como um instrumento feiticista e consome-se em si numa espécie de ludus encantatório. por isso se dão nomes à matéria: inventa-se e destroi-se para que ela viva a sua tremenda metamorfose. a poesia deve ser tomada por todos os sentidos: quando verbal não deixará tam / bém de ser contra o verbo. queremos uma poesia que não explique conteúdos mas forneça estados: donde uma linguagem negra, ausência de estilo e o ataque à fraude da limitação: poesia-contra, poesia-recusa-que-acusa, poesia contra o instituido, o legal, o ordenado e convencional. poesia da liberdade por estarmos demasiadamente perdidos no cúmulo da condenação. antónio aragão


PO.EX: Textos teóricos e documentos da poesia experimental portuguesa


Capa >

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Descrição > Hatherly, Ana; Melo e Castro, E. M. de. PO.EX: Textos teóricos e documentos da poesia experimental portuguesa. Lisboa: Moraes Editores, 1981.


Dados da Porbase [Biblioteca Nacional de Portugal] > > Po.Ex : textos teóricos e documentos da poesia experimental portuguesa / Ana Hatherly, E. M. de Melo e Castro | AUTOR(ES): Hatherly, Ana, 1929-; Castro, E. M. Melo e, 1932-, co-autor | EDIÇÃO: 1a ed | PUBLICAÇÃO: Lisboa : Moraes Editores, 1981 | DESCR. FÍSICA: 288 p. ; 23 cm | COLECÇÃO: Margens do texto ; 11 | ASSUNTOS: Poesia experimental portuguesa | CDU: 821.134.3-1"19".09 ; 821.134.3-1"19".09


Descrição > [A poesia começa onde o ar acaba...], António Aragão, in PO.EX: Textos teóricos e documentos da poesia experimental portuguesa, p. 39.


 

Texto >


Ligação permanente > aa_poexttdpep_visopoemaseconcertoeaudicaopictorica_apoesiacomecaondeoaracaba_1965.pdf


Website oficial sobre a obra de António Aragão > http://antonioaragao.blogspot.com


[Agradecemos à família de António Aragão a autorização que permitiu disponibilizar estas obras no Arquivo Digital da PO.EX]