Texto de Sofia Frank sobre apresentação de "Homines Estis - Para um desenho neurológico do dr. Shiro Ishii", de António Barros, no Edifício das Caldeiras, Universidade de Coimbra, 16 de Maio, 2014, no âmbito do 3º Andamento de 'Paisagens Neurológicas'.]


- O silêncio tem forma, textura, movimento, som, aroma e cor

- O silêncio tem corpo

Momento, arco, compasso de uma das Paisagens Neurológicas

Se o mundo tantas vezes, sempre vezes demais - fosse apenas uma e seria uma vez a mais - é indiferente à solidão, ao abandono, à angústia, que dizer sobre a postura, compostura, capacidade perceptiva, emotiva para com o sujeito criador?

Esta é senão a única pergunta que se me impõe, pelo menos a mais importante, para a qual me reservo o direito de responder no silêncio desenhado pelas seguintes propostas de reflexão expressas nesse momento de paisagem neurológica:

Estará a arte morta?

Obrigatoriamente a resposta terá que se fazer cumprir por absoluta negação ou agonia. Enquanto subsistir a espécie humana, a arte será componente integrante da vida, do mundo e constitui-lo-á ad aeternum, em espiral transformacional de evolução e involução, consoante a dinâmica aplicada.

Todavia, estará o artista enfermo ou lançado ao ostracismo?

Estará o ser humano "normal" esquizofrenicamente autista ou apenas deliberadamente desatento ao artista?

E porque só - e não somente - o criador, o artista tem a elevação de simultaneamente nos intrigar, instigar, provocar, perturbar e deleitar como o fez  António Barros, "vós sois humanos" ["Homines Estis"] surge só, em silêncio artoral, em presença hurlante na ausência do ser, seu autor, criador, artor, só, nessa digna e comprometida artitude de abraçar-embrasser a vida.