Natural de Moçambique, Salette Tavares (1922-1994) licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa e bolseira da Fundação Gulbenkian para estudar com Mikel Dufrenne, Étienne Souriau e Gillo Dorfles. Leccionou Estética na Sociedade Nacional de Belas Artes e no AR.CO (Centro de Arte e Comunicação Visual).


A sua formação filosófica levou-a ao desenvolvimento de estudos no âmbito da Estética. Autora de uma obra com uma apurada consciência do sentido lúdico da linguagem, onde recorre à exploração do tipográfico-visual dos significantes no espaço da página. A sua produção literária articula-se frequentemente com uma variedade de materiais e cruza distintas práticas semióticas.


Obras principais > Participou nos primeiros cadernos da Poesia experimental (1964, 1966). Realizou happenings na Galeria Divulgação em 1963/4 (Ode á crítica), na Galeria Quadrante, na SNBA (Exposição Kitch), e no AR.CO (Sou Toura Petra). Em 1979, apresentou uma exposição retrospectiva intitulada Brincar, na Galeria Quadrum. O Centro de Arte Moderna da Gulbenkian expôs a sua obra em Salette Tavares: Poesia Espacial (2014). É autora, entre outros, de Espelho cego (1957), Concerto em Mi Maior para clarinete e bateria (1964), 14563 letras de Pedro Sete (1965), Quadrada (1967), Lex Icon (1971), Obra poética 1957-1971 (1992) e Poesia gráfica (1995), além de vários objectos de poesia espacial.


[Biografia escrita por Rui Torres. Leia tb versão ilustrada e detalhada > Salette Tavares - Desalinho das linhas]