'Portugal no seu melhor' nasce do cansaço e da dor.

«Que arte fazer no país onde o artista, cansado de lástima, se deixou morrer?», questiona António Barros.

Não há estética nem metalinguagem que nos valha.


Dor pelo abandono dos que desistem de viver, cansados de um país em "desolado alvoroço".

Desvivendo-o, 'Portugal no seu melhor' re-edifica esse país imaginário e identitário onde se cultiva a ignorância e o medo.

No seu melhor, esta obra sinaliza essa solução-lástima que acorreu a Jorge Lima Barreto.

Essa lástima de solução que ensombra aqueles que rejeitam viver sem liberdade, que se recusam a existir sem dignidade.

Dignidade abandonada: obra abandonada.

Por isso, também, resgate de Jorge Lima Barreto, a quem é dedicada: distinto musicólogo que nunca foi distinguido.

Num país onde se distingue a normalidade, a ilusão do 'empreendedorismo', a vã 'inovação'.


Portugal, essa vã ilusão.

Obra dolorida, dolorosa: como doloroso é o cansaço que nasce da tristeza de ver um amigo definhar, desnascendo.

Obra de redenção?

De perdão?

O tempo o dirá.

«Nada mais inútil que a verdade», diria António Barros.


'Portugal no seu melhor' pesa.

Intranquiliza.

Vestindo esse meio fato gravata, é velório, morte plasmada num objecto-livro.

Exposto numa capela menor, isolada, em Vinhais, torna-se dor de António Barros por Jorge Lima Barreto («apenas pelo Jorge...»).

'Portugal no seu melhor' é o nosso fim: como país, como nação, como identidade.

Recomeçar.


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