In > Non-Lyric Discourses in Contemporary Poetry. Org. Burghard Baltrusch & Isaac Lourido. München, Martin Meidenbauer [Peter Lang], pp. 79-85, 2012. ISBN 978-3-89975-289-2.


Resumo > O texto electrónico, caracterizado pela multiplicidade de matrizes onde convergem processos de abertura e de variabilidade, obriga-nos a repensar o modo como arquivamos, disseminamos e preservamos a produção literária realizada em meio digital. A expressividade da linguagem digital articula-se numa intermedialidade que reinscreve a materialidade do aparato textual em modalidades de simulação e virtualização. Pela escrita digital afastamos-nos do modo como arquivamos a própria escrita, isto é, o meio digital nega, pela metamorfose que o define, o reconhecimento e a interpretação, visto estar a sua descodificação dependente da maquinaria informática que cerceia a própria leitura. Os aparatos formais e técnicos que circulam na confecção semiótica do texto e dos média são, efectivamente, transformados com o aparecimento do meio digital. Por outro lado, os novos média, embora recodificando as vanguardas modernistas (Manovich, 2001), forçam-nos a colocar questões de documentação que a performance, a instalação e o happening, entre outros, já problematizavam. Problemas semelhantes são agora colocados pela literatura electrónica, que redimensiona o conceito de arquivo, mas também os de conservação, manutenção e durabilidade. As descontinuidades e a obsolescência das linguagens de programação posicionam, por isso, a memória no centro das nossas preocupações. O ciberespaço, novo palco das representações que melhor se explica como arquivo de arquivos, rejeita a estabilidade, desdobrando-se e fragmentando-se permanentemente. Neste sentido, o contexto das tecnologias da informação e da comunicação surge como oportunidade para revermos certos pressupostos, bem como constrangimentos, relativos ao conceito de arquivo digital.


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