Descrição > Autor: Coimbra, Prudência | Título: A palavra na pintura portuguesa no séc. XX. Do início da República ao fim do Estado Novo | Tese de doutoramento, Belas-Artes (Ciências e Teorias da Arte), Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, 2013 | Nota: Referências a Ana Hatherly, Emerenciano e João Vieira, entre outros.


Resumo > A relação entre literatura e pintura, entre palavra e imagem, entre legível e visível, tem sido tema de reflexão desde a antiguidade clássica até aos nossos dias. Os pensadores do séc. XX irão dedicar-lhe um espaço de relevo, promovido pelo desenvolvimento da linguística e do estruturalismo, o qual se tornará central para o pósmodernismo. É também no séc. XX que a pintura se descompromete da obrigação única de representar o real e encontra espaço para se centrar nela própria. Deixa de ser ‘janela’, para se tornar superfície. Esta bidimensionalidade assumida torna a tela, inevitavelmente, numa superfície de inscrição e propicia a integração da palavra como elemento pictórico, compositivo, numa duplicidade de intenções: por um lado usa-a para afirmar esse seu novo estatuto, por outro apropria-se das características comunicativas da escrita como forma de ampliar o seu âmbito de expressão. A palavra esteticiza-se. A fonética, mesmo quando não desaparece, cede em favor do “hieróglifo” e do “ideograma”, da garatuja ou do gesto, ou seja da visualidade. Esta estratégia foi-se alterando e evoluindo ao longo do século a partir do cubismo, servindo diferentes propósitos e atitudes estéticas críticas e auto-reflexivas. A apropriação da palavra pela pintura, em Portugal, comprova o carácter transgressor da opção. Faz-se, principalmente, em momentos de ruptura com os modelos artísticos instituídos e constitui-se como estratégia dessa mesma ruptura, primeiro com Amadeo, no início da 1ª República, depois, nos anos sessenta, num ambiente de mal estar social que anunciava já a queda do Estado Novo. A análise que empreendemos incide sobre a obra individual de alguns pintores em que o registo de escritas, no seu sentido mais abrangente (gesto, caligrafia, tipografia, etc.), nos pareceu mais significativo ou inovador. Ela mostra que o recurso à palavra na respectiva pintura, em alguns dos casos, foi o ponto de partida para carreiras que explorarão as suas potencialidades expressivas e plásticas. Noutros, foi forma de acentuar a retórica da imagem. Noutros ainda, expressão de irreverência e ponto de partida para pesquisas que seguiram caminhos diversos


Abstract > The relationship between literature and painting, between word and image, between visible and readable, has been the subject of reflection from classical antiquity to the present day. Twentieth century thinkers will enhance its relevance that is fostered by the development of linguistics and structuralism, which will become central to postmodernism. It is also in the 20th century that painting becomes disengaged from its sole obligation of representing the real and finds space to focus on its own. It ceases being a 'window' to become a surface. This accepted bidimensionality inevitably turns the canvas into a surface of record and favours the integration of the word as a pictorial and a compositional element in a duplicity of intentions: on the one hand the usage of canvas claims that new status; on the other hand the appropriation the communicative features of writing broadens its scope of expression. The word becomes aesthetic. Even when phonetics does not disappear, it yields in favour of the "hieroglyph" and the "ideogram", the scribble or the gesture, in other words of its visibility. This strategy has been changing and evolving throughout the century with its starting point in Cubism. It has been serving different purposes and aesthetic attitudes that are both critical and self-reflective. In Portugal the appropriation of the word in painting confirms the transgressor character of the option. It happens especially in times of disruption with the institutional artistic models and it constitutes a strategy of that same rupture. Initially with Amadeo, at the beginning of the 1st Republic, then, in the sixties, in an environment of social restlessness that already predicted the fall of the Estado Novo. The analysis we undertake focuses on the individual works of some painters in which the written record, in its broadest sense (gesture, calligraphy, typography, etc…), seemed more significant or groundbreaking. In some cases it shows that the usage of the word in painting was the starting point of careers that will exploit their expressive and plastic potentialities. In other cases it was a way of accentuating the rhetoric of the image. Furthermore some artists expressed their irreverence and started researches that followed different paths


Ligação > http://hdl.handle.net/10451/8610