In > Narrativas do Poder Feminino, org. M. J. F. Lopes, A. P. Pinto, A. Melo, A. Gonçalves, J. A. Silva, M. Gonçalves. Ed. ALETHEIA – Associação Científica e Cultural, Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, 2012. ISBN 978-972‐697‐205-1.


Da Introdução > Entendia Iser (O Fictício e o Imaginário) que o texto cultural – dominantemente o literário – evidencia “a extraordinária flexibilidade dos seres humanos, pois precisamente porque parecem não possuir uma natureza determinável, podiam expandir-se no raio praticamente limitado dos «padrões culturais»”. Isto é, a natureza excêntrica do homem pode sempre e apesar de tudo, expandir-se através de um médium ou de um simulacro: a literatura ou a arte, no seu sentido genérico. Essa expansão – que é também expansão do imaginário – frutifica e desenvolve-se através tanto do texto (ou da sua configuração) como do pós- texto: Aquele lugar em que Paul Ricoeur (em Temps et Récit) instituiu (através da sua leitura de Aristóteles e de Santo Agostinho), como o terceiro grau da Mimesis, ou a Mimesis III, esse lugar da fixação (embora momentânea e móvel) da reescrita e das sucessivas leituras, o lugar, igualmente, dos diferentes contextos em que a escrita e a leitura se protagonizam, num eterno dialogismo. Fundamentalmente, através do que poderíamos designar por poder do leitor – aquele que investiga, aquele que interroga, aquele que recria, aquele que transporta. Lugar onde naturalmente cabem os símbolos míticos: Mnemosine e Mercúrio e, com eles, o avanço e o regresso, a viragem e o retorno, o movimento e a adaptação... num círculo sem fim, com itinerários variados e, por vezes, cúmplices, com misturas e reconstruções.