In > Artistas Portugueses na Coleção da Fundação de Serralves


A relação entre arte e linguagem tem sido, ao longo do século XX, um dos mais profícuos contextos para a superação dos limites a que uma história dos géneros artísticos parecia ter confinado a arte ocidental. Se, por um lado, muitos poetas espacializaram os seus textos, explorando as possibilidades gráficas que a escrita lhes proporcionava, por outro, inúmeros artistas visuais partiram da palavra e do texto para a abolição das fronteiras que isolavam a arte da experiência da vida quotidiana e acondicionavam uma discussão e um conhecimento sem limites da natureza do processo artístico.

Referenciada como concreta, visual e espacial noutros lugares, esta poesia vai em Portugal autonomear-se como experimental, manifestando assim uma relação com a análise científica do texto e da linguagem, assim como a manifestação do desejo de uma liberdade de experimentação que em Portugal se encontrava condicionada pelas regras de censura e da repressão política. Nos seus eventos, exposições, objetos e edições, os poetas experimentais surgem em Portugal como precursores das linguagens conceptuais e da arte processual, usando materiais pobres redefinindo o objeto de arte e insistindo na revelação do próprio fazer inerente à criação artística.

"Poesia Experimental Portuguesa", na coleção da Fundação de Serralves, reúne e apresenta obras e edições paradigmáticas, desta intervenção experimental, realizadas entre a década de 60 e a década de 80, abrangendo assim um período compreendido entre 1964, data da edição do primeiro número dos "Cadernos de Poesia Experimental", e 1984, data da recolha  dos materiais presentes em "Poemografias", o último livro e exposição que reúnem nomes históricos do experimentalismo com alguns dos seus mais recentes continuadores.

São apresentadas nesta [coleção] obras de Ana Hatherly, António Aragão, António Barros, Ernesto de Melo e Castro, Fernando Aguiar, Salette Tavares, os nomes mais representativos do Experimentalismo português ao longo deste período.


Comissário: João Fernandes

Obras de António Barros na Coleção da Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea

  1. "TrAdição/Traição", 1979, N.Inv.FF0067
  2. "Razão", 1979, N.Inv.FF0068
  3. "Escravos", 1977, N.Inv.FF0069
  4. "Revolução", 1977, N.Inv.FF0070
  5. "Ismos", 1977, N.Inv.FF0071
  6. "PreSente/AuSente", 1979, N.Inv.FF0072
  7. "Formar/deformar", 1977, N.Inv.FF0073
  8. "aMorte", 1978, N.Inv.FF074
  9. "VerDade", 1977, N.Inv.FF0075
  10. "Autista", 1985, N.Inv.FF0076
  11. "Valor", 1977, N.Inv.FF0078
  12. "Génesis", 1977, N. nv.FF0105
  13. "Contradição", 1978, N.Inv.FF0106
  14. "Energia", 1976, N.Inv.FF0107
  15. "Arte Sociológica", 1982, N.Inv.FF0108

António Barros é um dos nomes relevantes do contexto da poesia experimental e das artes performativas em Portugal. Tendo estudado medicina e artes visuais, organiza nas décadas de 70 e de 80 várias exposições e encontros no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra. Participa em 1980 na exposição "Po-Ex", na então existente Galeria Nacional de Arte Moderna e, em 1984, participa na publicação de 'Poemografias: Perspectivas da Poesia Visual Portuguesa', que originará a exposição com o mesmo nome na 1a Bienal de Poesia Visual, no México, em 1985. Publica em 1984 o volume de poesia 'Progestos'. É um dos participantes no "1. Encontro Nacional de Performance - Perform'Arte", realizado em Torres Vedras, 1985, assim como um dos artistas representados na exposição "PO-EX", organizada e apresentada no Museu de Serralves em 1999. A obra de António Barros objetualiza e espacializa o texto, explorando novas polissemias originadas  pelo cruzamento da textualidade com uma visualidade iconoclasta e irreverente.


Ver tb >

Obras de António Barros da Coleção da Fundação de Serralves

[DeFormar | Escravos | Ismos | Génesis | Poeta PréJudicial + Valor | Revolução]

DeFormar, 1977 • Funchal | Escravos, 1977 • Coimbra [In "Anos 70 Atravessar Fronteiras" Centro Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian] | Ismos, 1977 • Coimbra | Génesis, 1977 • Coimbra | Poeta PréJudicial + Valor, 1977 • Coimbra | Revolução, 1977 • Coimbra