Infelizmente, importantes artistas, que se preocupam mais com a sua obra que com o mercado da arte, ficam esquecidos pelos críticos e historiadores [salvo algumas exceções que felizmente dividem espaços com artistas menores do mundo da arte, que os conquistam os mesmos, por serem saborosos ao mercado do entretenimento]. Artistas como António Barros necessitam, por isso, de iniciativas como a deste livro [o objeto-livro "Vulto Limite"], para registrar a trajetória de uma obra comprometida na conecção entre arte e vida, onde a obra é fruto de um posicionamento perante a sociedade que o cerca, repensando, tencionando a cultura.

A minha descoberta sobre o artista foi decorrente de uma intensa curiosidade sobre a sua obra. Fui presenteado por um amigo com um trabalho do artista, a obra dos anos 80 foi fruto do seu engajamento com a mail art, uma poesia visual intitulada "SituaAcções PoÉticas", e imediatamente fui discutir com meus alunos e os mesmos, como eu, ficamos querendo saber mais sobre o trabalho do artista português. Ficamos surpreendidos por encontrar pouco material do mesmo na internet. Sendo assim, busquei um contato direto com o próprio e desde então mantenho contato por email, onde o artista gentilmente discute sobre seus trabalhos do passado e do presente, onde, como no seu trabalho, o artista chega próximo do mundo à sua volta, dialogando e questionando os limites da arte.


[Fernando Dias é Artista e professor em Ribeirão Preto, Brasil. Texto escrito em Fevereiro de 2012]


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