Natural de Ovar, Emerenciano (1946-) tem o Curso de Pintura Decorativa na Escola de Artes Decorativas Soares do Reis no Porto. Licenciou-se em Artes Plásticas-Pintura, em 1976, pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto. A sua obra integra pintura, desenho, poesia visual, arte postal, ilustração de livros para crianças e arte pública.


As escripinturas de Emerenciano caracterizam-se pela exploração plástica da relação entre abstracção e figuração na pintura, no desenho e na escrita. A escripintura instaura uma tensão entre visível e legível, entre materialidade e representação, que ora se dissolve na abstracção pictórica, ora se apresenta como escrita pictográfica. A condição semiótica da existência humana é figurada através da combinação de um vocabulário de pictogramas e grafemas com a própria sintaxe de cores e formas da pintura abstrata. A exploração plástica do traço aproxima-o de outros autores que integraram o alfabeto e a gestualidade da escrita na pintura, como António Sena, João Vieira, João Penalva ou João Louro. A presença caligráfica da mão no desenho da letra evoca também os caligramas de Ana Hatherly. O vocabulário simbólico e pictográfico que emprega na pintura e no desenho estende-se às suas colagens de poesia visual e de arte postal.


Obras principais > É autor de vários livros de desenhos e poesia: Escutar as Mãos (1992, com poema de Eugénio de Andrade), A Rua Chão da Escada (1993), A Mão Tingida sobre o Espelho / Chão Prisão do Mundo (1998), A Idade das Idades (2001), Assimetria do Ser (2005) e Impura Atitude (2006). Além da participação em inúmeras exposições coletivas de poesia visual, realizou diversas exposições individuais, a partir de 1974, em Leiria, Porto, Lisboa, Ovar, Coimbra, Aveiro, Figueira da Foz, Vila Franca de Xira, Vila Real, Gondomar, Santa Maria da Feira, Guimarães, Cascais e Espinho. Uma colectânea dos prefácios às exposições individuais encontra-se em Emerenciano, 10 Anos de Escripinturas, 1973-1983 (Porto, 1983), continuada em Emerenciano: Escripinturas Ainda (Ovar, 1986). Refiram-se ainda sobre a sua obra: Emerenciano ou o Teor das Actas (1989, com texto de Mário Cláudio), A Aventura do Signo (1994) e O Enredo da Eternidade (2005, com texto de Adélio Melo).


[Biografia escrita por Manuel Portela]


Página do autor > http://www.emerenciano-art.com