PAZ BARROSO, E. (2014). Gesto signo escrita na pintura portuguesa do século XX. In: TORRES, R. (Org.). Poesia Experimental Portuguesa: Contextos, Ensaios, Entrevistas, Metodologias. Porto: Edições UFP, p. 68-82. ISBN 978-989-643-121-1. Disponível em < http://po-ex.net/taxonomia/transtextualidades/metatextualidades-alografas/poesia-experimental-portuguesa-contextos-ensaios-entrevistas-metodologias >.


Resumo > A temática do gesto, escrita e signo na pintura ocupa um lugar de destaque em instituições museológicas portuguesas. É o caso da colecção da Fundação de Serralves (Porto) ou da colecção do Centro de Arte Moderna Azeredo Perdigão da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa). As dinâmicas textuais na pintura os usos do texto literário nas artes plásticas, o interesse pelo impresso, pela mancha gráfica, pelas texturas tipográficas e pelo desencadear de consequências neo-conceptuais (mais do que neo-concretas) a partir de tais obras constituem uma pista de análise a explorar. Numa exposição intitulada Da escrita à Figura1, (organizada justamente com desenhos da colecção de Serralves) podemos observar como se criam evidências temáticas a partir da reunião de obras de artistas conotados historicamente com a poesia visual. A letra e as derivas que suscita, o próprio acto de escrita, e o movimento que a acompanha, por vezes num trânsito para a figura, ou então registos análogos aos de um diário num bloco de notas, aproximações ao retrato e ao auto-retrato. Constituem os motivo principais da exposição. Mas percorrendo a colecção da Fundação de Serralves de uma forma mais exaustiva, deparamos com uma presença significativa de artistas que se inserem no panorama da poesia concreta e experimental, ou com ela dialogam, designadamente através do conceito de literatura.2 São estes os casos de Abílio-José Santos (1926-1992), Fernando Aguiar (1956), António Aragão (1925-2008), Ana Hatherly (1929), António Sena (1941), João Vieira (1934-2009), E. M. de Melo e Castro (1932), Emerenciano (1946), Silvestre Pestana (1949), Álvaro Lapa (1939-2006). No acervo existem também obras que, embora de forma mais episódica, ou a partir de outras motivações e formulações estéticas, remetem para o mesmo horizonte de questões e incidências temáticas. A saber: Manuel Alvess (1939-2009), António Areal (1934-1978), René Bertholo (1935-2005), José Barrias (1944), José Escada (1934-1980), Jorge Pinheiro (1931), António Costa Pinheiro (1932), Manuel Baptista (1936). A problemática da letra e do texto encontra-se ainda presente em alguns trabalhos com uma genealogia figurativa e neo-barroca, caso de Albuquerque Mendes (1953), ou no caso de Gerardo Burmester (1953), mediante a interpelação espacial do sentido, pela radicalização do lugar através de instalações e objectos onde se destaca a elegância dos materiais, o tratamento serial e o lado performativo da palavra, também ela devolvida a uma espécie de condição escultórica.


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