Comunicação apresentada por Bruno Ministro em "Colóquio Ex Machina: Inscrição e Literatura", Universidade de Coimbra, 31 de março de 2017. + info @ https://matlit.wordpress.com/2017/03/21/ex-machina-inscricao-e-literatura/


Resumo > Caraterizada pelo emprego simultâneo e indissociável de signos verbais e visuais, a copy art oferece um contributo particular para a problematização dos mecanismos de inscrição e mediação técnica. Esta proposta de comunicação pretende analisar o lugar da palavra em obras de copy art, sublinhando a pluralidade das estratégias processuais e abordagens conceptuais deste tipo de trabalhos. De igual modo, será tida em linha de conta a diversidade de instrumentos de inscrição das fontes textuais que são apropriadas para, depois de sujeitas a um processo de recontextualização e consequente ressemantização, darem origem a novos objetos sígnicos.

As obras de eletrografia e copy art portuguesas fornecem um panorama diferenciador quando comparadas com trabalhos desenvolvidos em contexto internacional. O facto de os artistas portugueses se terem ligado historicamente à poesia experimental – aqui entendida como um campo amplo que engloba práticas variadas de experimentação intermedial da linguagem – fez com que as suas obras tenham explorado de forma complexa a relação entre signo visual e verbal, simultaneamente colocados em equilíbrio e tensão.

Esta premissa de investigação, sustentada através de vários exemplos de obras, permitirá formular uma  análise comparativa das várias manifestações que a verbalidade conhece nos trabalhos eletrográficos e copigráficos. Pretende-se, deste modo, traçar um retrato contrastivo da manipulação do signo verbal operada nestas obras – da presença da palavra até à sua ausência radical, passando pela produção de vários níveis de ilegibilididade, como a rasura, a degeneração, a aglomeração ou a justaposição. Assim, como ponto central de análise, haverá que ter presente as várias estratégias processuais, estéticas e significativas desenvolvidas em obras de António Aragão, António Dantas, António Nelos e César Figueiredo.


Obras citadas ou analisadas >