Natural da Madeira, António Aragão (1921-2008) nasceu em S. Vicente e faleceu no Funchal. Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e diplomado em Biblioteconomia e Arquivismo pela Universidade de Coimbra. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo estudado Etnografia na Universidade de Paris, onde fez estágio de Museologia. Frequentou o Instituto Central de Restauro, em Roma, especializando-se em restauro de obras de arte. Foi director do Arquivo Distrital do Funchal [agora Arquivo Regional da Madeira], tendo publicado diversas obras sobre história, urbanismo e etnografia do Arquipélago da Madeira. A sua produção artística inclui pintura, poesia, ficção e teatro.


Recorrendo à colagem e à montagem como dispositivos de estranhamento linguístico e de semiose intermédia, as suas obras intervêm materialmente nos discursos e nas inscrições de que se apropriam. Uma parte do seu trabalho visual, pioneiro na exploração das potencialidades expressivas da electrografia, caracteriza-se pela utilização de efeitos de homogeneização de textura e de distorção e repetição de imagem permitidos pela fotocopiadora. A ruptura semântica dos signos, obtida através da aglutinação de palavras e partes de palavras, tem assim uma contrapartida na própria ruptura da figuração da imagem, desfigurando deliberadamente os nexos verbais e visuais da representação. Sem dessemantizar completamente imagem e palavra, António Aragão consegue um poderoso estranhamento que coloca o espectador perante absurdas combinações de textos e imagens de um mundo sobrecarregado das mais variadas mensagens. Exemplos dessa justaposição de retóricas são as electrografias O elogio da loura do Ergasmo nu Atlânticu (1983), Céu ou cara dente por dente (1983) e Merdade my son (1983).


Obras principais > Realizou diversas exposições de pintura e poesia visual, tendo participado também no movimento internacional de mail-art. Pioneiro da poesia experimental em Portugal, foi um dos organizadores dos dois números da revista Poesia Experimental (1964, 1966). É autor das obras de ficção Roma nce de Iza morfismo (1964), Um buraco na boca (1971), Os 3 farros. Descida aos Infermos (com Alberto Pimenta, 1984) e Textos do Abocalipse (1992). Das suas obras de poesia, refiram-se Poema primeiro (1962), Folhema 1 (1966), Folhema 2 (1966), Mais exactamente p(r)o(bl)emas (1968), Os bancos antes da nacionalização (1975), Metanemas (1981), Filigrama (1981), Pátria. Couves. Deus. Etc. (1982) e Joyciana (1982; com Alberto Pimenta, E. M. de Melo e Castro e Ana Hatherly). É também autor da peça de teatro Desastre nu (1981). De entre as suas obras verbivocovisuais, merece destaque Poesia espacial OVO/POVO, apresentada na XIV Bienal de S. Paulo (1977), com posterior exposição individual em Lisboa (1978) e em Coimbra (1980).


[Biografia escrita por Manuel Portela e Rui Torres, com apoio de Bruno Ministro. Tb disponível > Bio-bibliografia ilustrada (pdf) | Linha cronológica interactiva]


Biografia completa > http://antonioaragao.blogspot.pt/2010/04/vida-e-obra-de-antonio-aragao.html


Website oficial sobre a obra de António Aragão > http://antonioaragao.blogspot.com | http://www.aragao.info