Descrição > Autor: FERREIRA, Ana Paula | Título: Espaço e poesia na comunicação em meio digital | Tese de Doutoramento em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010.


Resumo > Esta tese investiga as possibilidades que o meio digital abre para o texto poético, assim como as consequências que os ambientes do ciberespaço podem trazer para esse tipo de trabalho. As hipóteses são: a linguagem híbrida do meio hipermidiático amplia o campo sígnico; mudanças epistemológicas operam-se na noção de texto; a animação e os recursos 3D ampliam o caráter polissêmico do texto; a incompletude do texto sugere a conclamação do leitor no processo de cocriação. A linha filosófica para a construção teórica está embasada no sistema proposto por Peter Sloterdijk na trilogia Esferas, sobretudo em Esferas III: Espumas e nas formulações de Martin Heidegger acerca da relação entre obra de arte e espaço. Trata-se de uma análise das relações fluidas estabelecidas na pós-modernidade, sobretudo no que se refere ao espaço em seus aspectos físicos e das relações. Outros dois encaminhamentos teóricos utilizados são o conceito fricções, segundo Vera Casa Nova, e teorias ligadas à constituição e estética do hipertexto, segundo Landow, Deleuze, Guattari, Lévy, dentre outros. Dentre os objetos de análise estão: Dreamlife of Letters, de Brian Kim Stefans, Amor-mundo ou a vida esse sonho triste, de Rui Torres, Nuno M. Cardoso, Jared Tarbell, Filipe Valpereiro, Nuno F. Ferreira, Luís Aly e Sérgio Bairon, O Palavrador, de Fernando Aguiar, Álvaro Andrade Garcia, Chico Marinho, Alckmar Luiz dos Santos e Tania Fraga, Community of Words, de Silvia Laurentiz e Martha Gabriel, Interpoesia, de Philadelpho Menezes e Wilton Azevedo, Poemas Encontrados de Rui Torres, Jared Tarbel e Nuno Ferreira, “SOS”, de Augusto de Campos, “Pessoa”, de Arnaldo Antunes. São trabalhos que ora exploram a linguagem do meio digital na perspectiva de releituras de textos antes publicados em suporte convencional – o papel – e outros intrinsecamente fundamentados nesse espaço. Percebe-se, nos objetos de análise, uma preocupação com a espacialização do texto em consonância com os fatores digitais de tal modo que surgem textos que dependem fundamentalmente do ambiente onde estão inserido para se constituir. Para a análise, serão aplicadas ideias relacionadas à semiótica de Peirce e sua adequação ao meio digital e hipermidiático, pois interessam a quebra com a leitura dicotômica de textos e o descentramento do sujeito com os quais esse autor trabalha. As estratégias de pesquisa: pesquisas bibliográficas; entrevistas com artistas e especialistas na relação arte/tecnologia; análise de experimentos que, na mídia impressa, já adiantam características da poesia digital para testar a hipótese de que a poesia digital é a realização de algo que a linguagem poética já conclamava quando publicada em outros suportes fora do hipermidiático; construção do experimento Penélope como teste de procedimentos de criação que contemplam o fazer poético, em suas espacialidades, conjugado à participação do leitor.


Ligação > http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=10777