Natural da Guarda, Américo Rodrigues (1961-) é licenciado em Língua e Cultura Portuguesa pela Universidade da Beira Interior e Mestre em Ciências da Fala pela Universidade de Aveiro. Exerceu funções de animador e programador cultural na Casa de Cultura da Juventude da Guarda/FAOJ (1979-1989) e na Câmara Municipal da Guarda (1989-2005), tendo sido Director do Teatro Municipal da Guarda de 2005 a 2013. É um dos fundadores do colectivo Aquilo Teatro, tendo sido também actor, encenador e dramaturgo. Coordenou os cadernos de poesia Aquilo, o boletim/revista Oppidana, a revista cultural Praça Velha e a colecção de cadernos O fio da memória, e foi co-director da revista Boca de Incêndio (2004-2006). Em 2010 recebeu a medalha de mérito cultural atribuída pelo Ministério da Cultura. 


Ao longo das décadas de 1990 e 2000, Américo Rodrigues desenvolveu um intenso trabalho de experimentação com a voz em espectáculos ao vivo e em gravações. Situada entre a poesia sonora e a música, a sua obra sónica e vocal constitui um exemplo singular de apropriação e renovação do poema sonoro e de potenciação das suas possibilidades poéticas e musicais. As vocalizações de Américo Rodrigues fazem um uso virtuosístico do aparelho fonador, por vezes com auxílio de fontes acústicas externas e com manipulação sonora dos registos gravados. Os cliques da língua nos dentes, os ruídos da inspiração, os barulhos da saliva, os ruídos dos lábios, a nasalização dos sons, as obstruções respiratórias, o gemido, o grito, o choro, o riso e o canto dos harmónicos são elementos dessa linguagem do corpo aquém e além da articulação da palavra. A expressividade musical e poética das suas composições fonéticas resulta de uma combinatória entre pré-verbal, verbal e pós-verbal.


Obras principais > Despertar do funâmbulo (2000, cd-áudio), Escatologia (2003, cd-áudio), Trânsito Local Trânsito Vocal (2004, com Jorge dos Reis, cd-áudio), Aorta Tocante (2005, cd-áudio), Cicatriz:ando (2009, cd-áudio), Porta-Voz (2014, cd-áudio). Além de um significativo trabalho etnográfico de recolha de canções e narrativas populares e diversos livros de crónica, teatro e ficção, destaquem-se as obras de poesia Obra  Completa - Revista e Aumentada (2002), Escrevo-Risco (2009, com Jorge dos Reis) e Acidente Poético Fatal (2011).


[Biografia escrita por Manuel Portela]