Estratégias do gosto


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Descrição > Autor: Aguiar, Fernando | Título: Estratégias do gosto | Data: 2012 | Local de publicação: Coimbra | Editora: Palimage | Número de páginas: 94 f. | Características da publicação: il.; p&b


Dados da Porbase [Biblioteca Nacional de Portugal] > Estratégias do gosto / Fernando Aguiar | AUTOR(ES): Aguiar, Fernando, 1956- | PUBLICAÇÃO: Coimbra : Palimage, 2012 | DESCR. FÍSICA: 94 p. : il. ; 21 cm | COLECÇÃO: Palavra poema | ISBN: 978-972-703-032-1 | DEP. LEGAL: PT -- 341198/12 | CDU: 821.134.3-1"19/20"


Conteúdos [Selecção] >

Transcrição de três poemas [in «O tudo que é pouco»] >

 

ERRATA (em forma de soneto com rabo)

 

- Logo na primeira página, precisamente na primeira linha, onde se lê
                           era uma vez..., leia-se finalmente...

- Na página catorze, na linha quatro, onde se lê
                           quadro, leia-se quarto.

- Na página seguinte, na linha oito e meio, onde se lê
                           por meio de, leia-se no meio que.

- Quase na página trinta, na linha férrea, onde se lê
                           tanto mar, leia-se pouca terra.

- Na página rasgada, na linha de fogo, onde se lê
                           forca, leia-se força.

- Numa página inexistente, na linha do horizonte, onde se
                           deveria ler, leia-se mesmo.

- Na página do meio, na linha do equador, onde se lê
                           em paralelo, leia-se em diagonal.

- Na página obscura, nas entrelinhas, onde se lê
                           fode-se, leia-se pode-se.

- Na página solta, na linha terra, onde se lê
                           chão, leia-se cãho.

- Numa página distante, na linha do pensamento, onde se lê
                           não penso, leia-se mas existo.

- Ao virar da página, na linha do infinito, onde se
                           tem muito que ler, leia-se o muito que se tem.

- Na página em branco, na linha do imaginário, onde
                           não se lê, não se leia.

- Numa página perdida, numa linha ao acaso, onde se lê
                           mesmo assim, leia-se assim mesmo.

- A páginas tantas, na linha com que cada um se cose, onde se lê
                           entrevista-se, leia-se entredispa-se.

- Na última página, mesmo na última linha, onde se lê
                           finalmente, leia-se era uma vez...


PENSAMENTO

«Pensamento vem de fora / e pensa que vem de dentro» (Arnaldo Antunes)

 

pensamento ou pensaminto,
penso no nada que sinto.
penso tanto, penso pouco
penso até ficar rouco.
penso muito, penso apenas
penso em iras serenas.
penso que sim, logo penso que não;
pressinto o que pensa o coração.
sonho agora, penso depois
vejo amor e somos dois.
penso entretanto, penso pois é
e sustento que assim é que é;
penso que fico, penso que parto
e fujo fechado no quarto.
penso que levo, penso que trago
repenso no tanto que estrago.
reparto logo, reajo comigo
se penso que já não consigo;
olho por baixo, penso por cima
e resolvo a razão da rima.
penso assim, penso assado
pensamento que vem de lado.
penso de longe, pouso aqui perto
e refreio um pensamento incerto.
penso que faço, penso que fiz
pensamento que se contradiz.
penso que fui, logo anoitece,
pensamento que se merece.
penso o reverso, fico deserto;
e erro ao pensar sempre certo.
penso a frio, penso a quente
não penso muito raramente...
penso, que raio! penso que rio,
repouso no som do vazio.
penso que caio, sorte madrasta;
e penso que pensar não basta.
penso que então, penso que tento
pensamento a cem por cento.
penso enfadado, penso que enfim;
repenso naquilo que pensa em mim.

 


PROBLEMÁTICA DA DIFICULDADE

 

está difícil. está muito difícil.
está mesmo muito difícil. es
tá  realmente  mesmo  muito
difícil. não há dúvida que est
á realmente mesmo muito di
fícil.

está difícil. está muito difícil.
está muito mais difícil, está
mesmo muito mais difícil. es
tá realmente mesmo muito m
ais difícil. não há dúvida que
está realmente mesmo muito
mais difícil.

está difícil. está muito difícil.
está ainda mais difícil. está a
inda muito mais difícil. está
mesmo ainda muito mais dif
ícil. está realmente mesmo ai
nda muito mais difícil. não h
á dúvida que está realmente
mesmo ainda muito mais dif
ícil.

está difícil. está muito difícil.
está cada vez mais difícil. est
á cada vez ainda muito mais
difícil. está mesmo cada vez
ainda muito mais difícil. está
realmente mesmo cada vez a
inda muito mais difícil. não h
á dúvida que está realmente
mesmo cada vez ainda muito
mais difícil.

para quem julga que estou a e
xagerar, não digo apenas que
não há dúvida que está realme
nte mesmo cada vez ainda mu
ito mais difícil. nem que está d
ificílimo. está dificilíssimo !


Ler tb >


[Agradecemos a Fernando Aguiar a autorização que permitiu disponibilizar estes trabalhos no Arquivo Digital da PO.EX]