Itinerário do Sal


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Descrição > Autor: Miguel Azguime | Título: Itinerário do Sal [Op-ErA, Miso Ensemble] | Editora: Miso Records | Data: 2008 | Colaboradores: Miguel Azguime - performer, composição, concepção e textos; Paula Azguime - desenho de som e electrónica em tempo real, concepção, vídeo e encenação; Andre Bartetzki - programação vídeo e vídeo em tempo real; Perseu Mandillo - filmagem e realização vídeo; Apoios de Instituto das Artes/ Ministério da Cultura, DAAD Berliner Künstlerprogramm & TU-Studio Technische Universität Berlin, Fundação Centro Cultural de Belém


Dados da Porbase [Biblioteca Nacional de Portugal] > Itinerário do sal [ Documento electrónico] / dir. Miguel Azguime | AUTOR(ES): Azguime, Miguel, ed. lit. | TIPO FICH.: Multimédia | PUBLICAÇÃO: [S.l.] : Miso Records, [2008] | DESCR. FÍSICA: 2 discos ópticos (CD-ROM) em caixa : il. ; 13 x 14 x 1 cm + livro (21 p.) | NOTAS: Tít. retirado do primeiro ecrâ informativo | CDU: 78.038(086.8)


A obra Itinerário do Sal, de Miguel Azguime, está também disponível na secção de Materialidades Fonográficas do Arquivo Digital da PO.EX. Ouça em Itinerário do Sal [CD Audio].


Concebida entre 2003 e 2006, a ópera Itinerário do Sal foi apresentada em várias salas da Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Eslovénia, Espanha, França, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Polónia, Portugal e Reino Unido. Em 2008 recebeu o prémio Music Theatre Now Competition na categoria Other Forms Beyond Opera atribuído pelo International Theatre Institute. O DVD aqui representado é o registo da ópera multimédia apresentada no Centro de Cultural de Belém nos dias 21 e 22 de Outubro de 2006, no âmbito do Miso Music Portugal - Festival Música Viva 2006.


Apresentação >

Reflexão sobre a Criação e a Loucura, a ópera multimédia Itinerário do Sal gira em torno da linguagem, da palavra-sentido e da palavra-som; ambas tratadas como dimensões da voz, da voz enquanto extensão do corpo e ambas totalmente integradas na construção cénica como projecção tangível da ressonância das palavras através do som e da imagem.

Áudio, Vídeo e processamento electrónico em tempo real associados à projecção espacial da voz, da poesia, do gesto, da música e do traço, desenvolvem uma polifonia de sentidos, um contraponto de significados, uma exuberância de emoções. Um performer/autor em palco talha ao vivo novos trilhos na música electrónica; o som, a luz, as imagens e o movimento como que desenhados, pintados ou esculpidos, desafiam de forma poderosa, intensa e emocionante as convenções e os limites entre Música, Teatro e Ópera.


Sinopse >

Itinerário do Sal é a concretização de um trabalho de criação sobre a escrita: sobre a escrita musical, sobre a escrita poética, sobre a escrita gestual do músico/actor e da sua própria imagem, onde a voz é o prolongamento do corpo e do pensamento do poeta. Eis, portanto, a simbiose entre a essência da palavra e a evolução do Ser, apresentada na forma de uma nova dramaturgia designada por Ópera Electroacústica.

A primeira parte, aborda a questão da ausência do autor enquanto desdobramento e deslocação da sua personalidade criadora e põe em cena a própria cena.

A segunda parte é dominada pela pesquisa do gesto da escrita interpretado como gesto instrumental e portanto musical. No fundo do gesto de escrever está o som da palavra. A palavra subordinada à vida. A palavra liberta da palavra.

A terceira parte dá corpo à palavra e dá-lhe imagem. A partitura do poema compõe o tempo. Quem se lembra do tempo? Mas é o tempo que se lembra de nós! A criação toma conta do criador e volta a questão da loucura... dos seus limites, da cegueira causada pelo excesso de lucidez, pelo excesso de Ver. É a cegueira do branco que queima, o branco do sal. Na luz, ninguém o vê!

No palco, o compositor e o poeta, juntos, num só, conduz-nos através do seu mundo interior, do seu itinerário pessoal a que chama de Sal - o mesmo Sal que representa a sua resistência, a sua vontade, a sua essência e a sua multiplicidade. O Sal (substância fundamental) que nos surge também como manifestação de conhecimento e de sabor; o itinerário que é decerto o do criador, mas que é também e simultaneamente a imagem e à imagem de tantos outros itinerários, caminhos, trocas, inspirações, demandas...


Vídeos (DVD Miso Records, mdvd001.07) >

1 - Prólogo: o oráculo ou a passagem [02:52]


2 - A Ausência do Autor [09:08]


3 - O Ar do Texto [09:36]


4 - Formant-Melodies [03:11]


5 - O Som Interior [05:52]


6 - De Part et d'Autre [07:18]


7 - À Plusieurs Voix [03:59]


8 - Itinerário do Sal [03:38]


9 - Epílogo do Sal [02:21]


Imagens [frames dos vídeos] >


+ sobre Itinerário do Sal >


Excertos de imprensa >

Trata-se de um espectáculo admirável e sedutor, algures xamanista, louco, entre o sal, o sol e o sul... Colocado sob as luzes da ribalta, os destinatários privilegiados, agradecem. (Jorge Listopad, Jornal de Letras, 22/04/2008)


O autor actor e músico Miguel Azguime, funde modelações vocais, mímica, gestos e as suas “projecções” no vídeo e electrónica ao vivo. As possibilidades do autor nesta produção histérica e fisiológica espantam, tornando-se um excelente “material” para as transformações electrónicas. (Asta Andrikonyte, 2006)


Depois desta experiência, talvez o espectador se pergunte sobre o seu género: será música electroacústica? Poesia sonora? Teatro musical, arte performativa, ópera multimédia? Ou será antes todas estas hipóteses juntas? (...) Ultrapassar barreiras de grandes disciplinas estabelecidas é uma das características marcantes da poética de Azguime. É ele o autor dos versos, recita-os e interpreta a música composta de proliferações rítmicas de sons, palavras e gestos. (...) Parece teatro, mas não é. (Jelena Novak, e-volucija, nº14, 2007)


Durante uma hora Miguel Azguime apresenta-nos uma mistura de vídeo e sons vocais processados, acrescentando uma camada de picante imprevisibilidade a um esquema de eventos sensoriais variados, detalhadamente planeados e de conteúdo convincente. (...) A electrónica ao vivo é conduzida com graça quase dançante. Ao centro de tudo isto, e magistralmente imergido, está o próprio Azguime. De olhar arregalado para a câmara, rabisca sobre uma mesa, transfigurado num desenho animado, trajado de um branco reflector face à câmara, é ele o objecto projectado e a tela de projecção. (...) Nesta ópera multimédia, (...), a tecnologia e a linguagem são brinquedos de igual e infinito fascínio. (Andrew Johnstone, Review on The Irish Times, 28/04/2007)


Itinerário do Sal, de Miguel Azguime, é um exemplo da hibridez intermédia tornada possível pela actual tecnologia digital. Os sons ligeiramente diferidos que saem da boca do actor/autor tentam ser simultaneamente o resultado dos movimentos corporais, isto é, aquilo que poderíamos referir como a música da voz ou a poesia da voz, e a notação desses movimentos. É como se o som escrevesse o próprio som. O mesmo se poderia dizer da escrita: os traços traçam a sua própria possibilidade enquanto forma escrita. (Manuel Portela – blog TAGV Coimbra, 16/02/2007)


Na sua essência, a linguagem não faz sentido. Ela não é mais do que uma sucessão de sons, tão natural como o barulho do vento no trigo ou o crepitar dos grãos numa montanha de sal. É com uma coerência fora do comum que o Miso Ensemble segue este princípio na sua ópera multimédia “Itinerário do Sal”. É inimaginável um prelúdio mais prometedor do que este para o festival Europa em Cena, o encontro de teatro luso-alemão da Studiobühne. (...) Através de uma performance genial, Azguime eleva a sua arte para um outro patamar totalmente diferente. Aqui tudo se torna Arte da “prestidigitação. Movimentando os lábios de forma artística, o actor solta frases sobre o “autor ausente” (que comicamente se encontra no palco) em cascatas de som. Não se pode dizer que este autor esteja “no meio do silêncio”, no “contexto de estar calado”; ele cacareja e ronrona, ele parte com os dentes e ladra até romper a própria palavra até que ela se dissolve em prazer, mas também em terror. O abismo da loucura torna-se visível por detrás do vazio transparente das palavras. (...) Azguime oferece Jandl sob ecstasy, em transe digital da velocidade. Com cabos ligados por todo o corpo, apoiado por três técnicos, ele torna visíveis as suas ruínas de palavras em tempo real, e passa-as na forma de letras chamejantes e flutuantes num ecrã gigante. Só o brilhantismo da técnica, a perfeição e a originalidade dos desabamentos ópticos e acústicos já fazem desta representação de uma hora um espectáculo a ver. (Von Oliver Cech – Kolner Stadt-Anzeiger, 12/03/2007 - Tradução do alemão Beatriz Medeiros da Silva)


Aliando uma presença cénica de rara intensidade a uma incrível virtuosidade no tratamento electrónico das imagens e dos sons, Miguel Azguime absorve-nos para o interior de um turbilhão de imaginação infatigável, para o labirinto de uma invenção de cada instante: grandes planos do sentido, de palavras, de sons, de gestos, de situações, de posturas. Difundido a partir de um dispositivo que circunda o público, o som toma conta do espaço, enquanto que a imagem projectada sobre múltiplos ecrãs se torna volume e território. Em palco, Miguel Azguime conduz o público a um ritmo alucinante, num acto de loucura, de espanto, de emoção. (Bertrand Dubedout 04/04/2006 Festival Mira)


[Agradecemos a Miguel Azguime a autorização que permitiu disponibilizar esta obra no Arquivo Digital da PO.EX]