R a í z e s  _o u  o  i m a g i n á r i o  v e l o z :: António Barros @ Museu da Água _Coimbra | 13 de outubro - 30 de novembro 2017

Vejamos o rio como uma moldura de libertação do lugar, da cidade como lugar gregário e de resolução. Desenho desafiador de uma consciência outra da sua identidade. De uma outra identidade. Das suas raízes.

O galvânico desafio que aqui se infere, é a procura de uma navegação do imaginário tangível partindo de um progesto.

Entenda-se progesto como um desígnio de vontade que se formula numa corporalidade que se advoga, mas que resulta numa afirmação de objecto arte como tarefa aberta. Objecto obgesto. O devir da obra inscrito no processo como realidade elegível. Todo um convite presencial ao que o processo convoca como vivenciação da arte. Em arte. Em Arte_Vida, Vida_Arte. Transfigurando o real. Na senda do que enuncia Paul Celan ao fazer-nos intuir que fazer arte é tornar a realidade mais, ou menos, do que é. Transfigurando. Tanto da oratória de Novalis quando nos ordena que há que transformar a natureza em arte, e a arte numa nova natureza.

[Raízes _ou o imaginário veloz, Momento #1 _Arte em processo, 2017-2018]
antoniobarros raizes-exposicao

"António Barros é dos artistas que definem o objecto através da escrita, através da palavra, através da exploração desse jogo de espelhos que da palavra ao objecto, à situação, envolve o espectador de forma a o espectador deixar de ser espectador. Há graus diferentes de entendimento, de conhecimento, de aproximação ao objecto de arte. Mas a obra de António Barros pode ser visível e confrontável independentemente de qualquer conhecimento adquirido. A sua principal função não é ser entendível por um público, ou ser interpretável por um público de determinada maneira. É, pelo contrário, deixar que cada um se reinvente através da leitura que possa fazer dela, ou da interpretação que possa fazer dela". [João Fernandes, Museu Reina Sofia, Madrid]
 
"Quem se aproxime de algumas das obras de António Barros com o intuito de as fruir esteticamente, sente imediatamente que está na frente de enigmas. Enigmas esses que, como todos os enigmas, se destinam a ser decifrados, sendo essa decifração parte fundamental do processo de comunicação que é posto em jogo. Algo de semelhante acontece com a sua imanente natureza de "coisa" de um modo que não é comum em qualquer obra de arte. Essa coisidade inquietante creio que não se encontra tão intensamente tratada por outros poetas visuais, artistas plásticos, ou teóricos e críticos, da nossa contemporaneidade. Mas não é só disso que se trata. Estamos tentando falar da razão e da virtualidade que as obras de António Barros contêm e escondem, num espaço para além da sua impecável materialidade e do seu subtil laconismo vocabular, que nalguns casos (com poucas letras ou palavras) simultaneamente escondem e tendem a revelar... ou não... (e)... é claro que a emoção estética forte que os "obgestos" de António Barros provocam, lança o seu fruidor em outras pistas de decifração menos óbvias e o fruidor mais exigente que é o crítico, terá que lançar mão de um equipamento de referência, teórico e documental ou até intuitivo, devidamente adequado e pertinente. [Ernesto Melo e Castro, Universidade de São Paulo, Brasil]

Exposições e Intervenções recentes > "Passagens" _Coleção de Serralves, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, Matosinhos, Curadoria: Miguel von Hafe Pérez; "Esclaves"_Operação Cidade_Livro, Leituras do Lugar, Mémorial de l'abolition de l'esclavage, Musée d'Histoire de Nantes, Quai de la Fosse, Nantes; "Paradigmes Shift" _Serralves Collection 60's-70's, MUSAC_Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León, Curadoria: Agustin Pérez Rubio e João Fernandes; "Artitude:01_Razão para Projectos & Progestos", Performance Agora, TAGV_Universidade de Coimbra; "Ex_patriar", Prémio Aquisição 2013, 17Bienal Internacional de Arte de Cerveira; "7 Revisit_acçõES _Ernesto de Sousa", TriploV #66, Lisboa; "Bruma"  _2010-2017, Artéria 12, São Paulo, Brasil.