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Poesia Experimental e Ciberliteratura: por uma literatura marginal izada versão para impressão
por Rui Torres

Rompendo com “a literatura dominante, oficial, consagrada, académica e mesmo clássica”[1], a poesia experimental (concreta, visual, sonora ou cibernética) não peca por “menos estruturação, menos elaboração estética, menos conceptualização, ou menos ambição cultural”[2]. Mas parece ser, continuando a adaptar a proposta de Arnaldo Saraiva ao assunto de que nos ocupamos, marginalizada por razões de “ideologia literária” e de “economia do mercado editorial”[3]. Na verdade, mais do que uma literatura marginal, a poesia experimental tem sido uma literatura marginalizada: pela cultura literária, pois o experimentalismo promove “o desrespeito das leis clássicas, a novidade nas técnicas ou nos motivos, a contaminação dos géneros, (...) a complicação estrutural”[4]; e pelo marketing literário, pois este não consegue compartimentar, nos formatos convencionados pelo mercado, poesia que vai sendo publicada em folhetos, catálogos, registos de acontecimentos, graffitis, fotocópias, objectos, jardins, CD-ROMs, na Internet ou em outros espaços virtuais e artificiais.

É por isso compreensível que o grupo da poesia experimental portuguesa (PO.EX), pela voz de Ana Hatherly, considere que o movimento foi uma “causa ingrata”.[5] Mas outra coisa não seria de esperar. A poesia experimental joga-se na superação dos limites da teorização dos géneros, apresentando uma “atitude transgressora face a convenções dominantes e gramáticas específicas.”[6] Como afirmaram os poetas paulistas, deu-se por encerrado, a partir dos anos 50, “o ciclo histórico do verso enquanto unidade rítmico-formal”[7], abrindo desse modo caminho para uma “renovação da comunicação literária” e a consequente “desmontagem do discurso do poder instituído.”[8]

Produto também de uma “evolução crítica de formas”,[9] os nódulos da PO.EX aparecem nos futuristas, dadaístas, surrealistas, construtivistas, letristas... Mas também, como estudou Hatherly, em séculos de experiência de textos-imagens, que compreendem hieróglifos, ideogramas, criptogramas, diagramas e outros textos e objectos poemáticos identificáveis como tal.[10]

Trata-se ainda de uma prática poética que cruza, na expressividade dos meios, uma multiplicidade de matrizes de carácter verbovocovisual: o som – dos anúncios e das canções; o grafismo e a visualidade – da banda desenhada e da iconografia urbana; a escrita – dos caligramas como da combinatória. Exemplos abundam, em Portugal: Ana Hatherly explora desde cedo os recursos visuais da caligrafia; Herberto Helder desenvolve nos seus poemas a técnica combinatória, antecipando as experiências com computadores; António Aragão explora a fotocópia e a electrografia; Ernesto M. de Melo e Castro cria a vídeo-poesia; Fernando Aguiar dedica-se à performance; e Alberto Pimenta faz de tudo isto um pouco, com muita ironia, pertinência e coerência.[11]

Desta relação entre uma dialéctica das formas e uma metamorfose permanente dos meios resulta a ciberliteratura. Também denominada literatura algorítmica, generativa ou virtual, a ciberliteratura designa aqueles textos literários cuja construção assenta exclusivamente em procedimentos informáticos: combinatórios, multimediáticos ou interactivos. Para Pedro Barbosa, seu maior teorizador em Portugal, "[n]a ciberliteratura o computador é utilizado, de forma criativa, como manipulador de signos verbais e não apenas como simples armazenador e transmissor de informação."[12]

A literatura gerada por computador promove, deste modo, a experimentação e o jogo, recriando profundamente conceitos como os de texto e interpretação. Laborando na senda das vanguardas históricas e dentro do espaço inaugurado pelo experimentalismo universal e intemporal da escrita, da imagem e do som, a ciberliteratura permite uma renovação dos meios, partindo da hipótese de que de meios novos surgem conteúdos novos também. Por isso, além de reconhecer a importância dos textos gerados por motores e algoritmos de programação, é também necessário avaliar as consequências que as tecnologias digitais e as redes telemáticas têm na compreensão das condições estruturais que os novos meios oferecem à poesia, à prosa e ao teatro.

Herberto Helder, no posfácio de Electronicolírica,[13] apresentou-nos a experiência pioneira de Nanni Balestrini, em 1961, com poesia gerada por computador, em que este, “escolhendo alguns fragmentos de textos antigos e modernos, forneceu-os a uma calculadora electrónica que, com eles, organizou, segundo certas regras combinatórias previamente estabelecidas, 3002 combinações, depois seleccionadas”[14]. Também textos como os d’“A Máquina de Emaranhar Paisagens”, onde Helder combina livremente fragmentos do livro do Génesis, do livro do Apocalipse, de François Villon, de Dante, de Camões e do próprio, ou ainda o Húmus, escrito a partir de “palavras, frases, fragmentos, imagens, [e] metáforas” da obra homónima de Raul Brandão,[15] inserem-se no conjunto de textos experimentais que encenam a transformação e a devoração da tradição.[16] Mas em Electronicolírica, liberto do grupo de que entretanto se afastava, Herberto Helder vai mais longe, utilizando processos combinatórios, inter e intra-textuais, de uma maior complexidade. E explica que o seu método de criação poética é estimulado por um processo de transferência e de combinatória de que resultara uma semelhança com “certos textos mágicos primitivos, a certa poesia popular, a certo lirismo medieval”,[17] criando uma peculiar “fórmula ritual mágica, de que o refrão popular é um vestígio e de que é vestígio também o paralelismo medieval, exemplificável com as cantigas dos cancioneiros”.[18] Helder acaba por concluir que “[o] princípio combinatório é, na verdade, a base linguística da criação poética”.[19]

A combinatória de que deriva a literatura gerada por computador inscreve-se numa tradição que percorre a história da literatura (e das ideias). Em Portugal, ela foi ainda experimentada, de um modo pré-informático, nos trabalhos de E. M. de Melo e Castro (bastaria lembrar o seu ensaio de cariz combinatório, A proposição 2.01, de 1965, ou, em Álea e Vazio, de 1971, a colocação, como hipótese criativa, de um algoritmo literário), de Ana Hatherly (desde as séries do Anagramático, de 1970, até ao mais recente Rilkeana, de 1999) e de Alberto Pimenta.

Mas também o carácter espacial e objectual de muita da poesia concreta, visual e gráfica que se fez em Portugal teve (e tem ainda) a sua repercussão na transição do meio impresso para o meio digital, do mesmo modo que a projecção poética no espaço público (o acontecimento, a performance) teve a sua importância na transferência para uma arquitectura em rede em que se parecem configurar a ciberpoesia e o ciberteatro. Deste modo, além da geração combinatória de texto, que foi “concretizada” pela literatura gerada em computador de Pedro Barbosa, também a componente gráfica e visual explorada pela poesia experimental viria a ter desenvolvimentos com os meios digitais que são significativos, como nos casos de Silvestre Pestana e E. M. de Melo e Castro e, mais recentemente, nos trabalhos de Tiago Rodrigues, Antero de Alda e de André Sier. [20]

Passamos a apresentar alguns exemplos de poesia experimental cibernética portuguesa nos quais se evidenciam os princípios da combinatória, mobilidade e interactividade que estavam já implicados e previstos nas obras dos autores apresentados. Esperamos, desse modo, contribuir para um maior conhecimento de uma área literária que afirma crescentemente o seu vigor. Destacamos, por ordem cronológica, trabalhos de Pedro Barbosa, Silvestre Pestana, E. M. de Melo e Castro, Rui Torres, André Sier, Antero de Alda e Pedro Barbosa & Luís Carlos Petry.             

1. Aforismos; Re-textualizações; Teoria do Homem Sentado; Ofício Lírico: [21] eis alguns dos títulos de trabalhos que Pedro Barbosa[22] tem vindo a desenvolver com a ajuda de computadores, desde 1976. Pioneiro da literatura gerada por computador, os seus trabalhos têm sido objecto de estudo em dissertações e outros trabalhos académicos,[23] embora sejam largamente desconhecidos em Portugal. Para a realização dos seus textos virtuais, Pedro Barbosa tem contado com a colaboração de vários programadores: Azevedo Machado,[24] no Laboratório de Cálculo Automático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto; Abílio Cavalheiro,[25] com quem escreveu e concebeu o SINtetizador de TEXTos; e José Manuel Torres,[26] no Centro de Estudos de Texto Informático e Ciberliteratura, Unidade de Investigação que fundou na Universidade Fernando Pessoa em 1996. Em todos estes projectos os algoritmos literários são da sua autoria, assim como o é a programação do terceiro volume da Literatura Cibernética.[27]

Em consonância com o movimento de relações dialógicas a que nos temos vindo a referir, entre os seus primeiros poemas cibernéticos encontram-se nexos de ligação com as experiências pré-informáticas aqui mencionadas, nomeadamente pelo tratamento informático dado à “Máquina…” de Helder e ao algoritmo literário de Melo e Castro. Pedro Barbosa propunha, deste modo, uma “renovação do experimentalismo literário na literatura gerada por computador”, prevendo já que os processos de transformação e transposição que se verificam na transição do meio impresso para o digital implicam uma revisitação do próprio conceito de literatura experimental. [28]

2. Computer poetry[29] é o título de uma série de poemas realizados em Spectrum por Silvestre Pestana[30] a partir de 1981. Nessa altura, importou um exemplar do computador pessoal Spectrum ZX81 com o qual realizou as três primeiras versões monocromáticas da sua poesia de computador: a primeira dedicada a E. M. de Melo e Castro, a segunda a Henri Chopin e a terceira a Julian Beck. Trata-se de um trabalho de poesia visual dinâmica e generativa que, aparecendo um pouco descontextualizado e desamparado no ano de 1981, oferece ainda pistas para compreender a evolução da poesia visual para a poesia animada por computador.

3. Algorritmos,[31] de 1997, é o título do primeiro livro de infopoesia em língua portuguesa. O seu autor, Ernesto de Melo e Castro,[32] foi dos primeiros a tentar enquadrar as práticas experimentais da poesia concreta e visual, de que participou activamente, a partir dos procedimentos informáticos que lhes sucederam, tendo a esse respeito publicado uma série de ensaios que foram semeando novas possibilidades de pensar a literatura entre nós.[33] Além disso, também a sua vídeo-poesia antecipa, por exemplo, a componente audiovisual da poesia hipermédia... Neste livro de infopoemas, Melo e Castro apresenta um conjunto de pequenos textos “corrompidos” pelas distorções digitais e tridimensionais de vários filtros de imagem, revelando uma estética do low-fi muito peculiar.

4. Amor de Clarice,[34] escrito entre 2001 e 2005, inclui texto animado, som, vídeo e interactividade, representando um exemplo de poesia multimédia em língua portuguesa. Para a sua realização, o autor[35] contou com as colaborações de Carlos Morgado e Luis Aly (som), Nuno M. Cardoso (vozes) e Ana Carvalho (vídeo), tendo o próprio realizado a programação em Flash/Actionscript. O poema que está na base desta aventura hipermediática foi escrito tendo como base palavras, frases e metáforas retiradas do conto “Amor,” da escritora brasileira Clarice Lispector. O processo de citação e re-escrita desse texto, semelhante ao do Húmus de Herberto Helder, envolve, por isso, um hipotexto e um hipertexto. É na transposição do hipertexto para a hipermédia que se verifica a possível novidade deste poema, uma vez que ambos os textos foram gravados por um actor e, posteriormente, manipulados por aplicações de autoria digital, onde se criou a integração do som, da animação, do vídeo e da interactividade.

5. André Sier[36] é um artista-programador áudio-visual de uma nova geração de potenciais poetas com conhecimentos avançados de programação informática. O seu trabalho tem sido o de produzir objectos, que instala em espaços expositivos variados. No seu Poema sem título,[37] porém, Sier alarga a sua habitual ligação à música e às artes plásticas e performativas para explorar as dimensões audiovisuais da palavra poética. A partir de um texto de Catarina Herdeiro, André Sier criou, em plataforma Max/MSP/Jitter, um dispositivo de controlo do texto em tempo real que se acaba tornando um gerador de universos visuais em constante transformação, abrindo desse modo hipóteses inusitadas de leitura e interacção.

6. Também Scriptpoemas[38] é uma revelação recente. Embora o trabalho mais conhecido do seu autor[39] seja o da poesia visual, com que participou em várias exposições colectivas do segundo grupo da poesia experimental (o das Poemografias), é também verdade que Antero de Alda tem aberto recentemente caminhos novos no que diz respeito à poesia animada por computador, introduzindo várias técnicas de interacção e multimedialidade nos seus trabalhos, através de programação em Javascript e em Flash. A sua série de Scriptpoemas representa, e apresenta, de um modo caligramático, a relação entre significado e significante no signo digital. Através da repetição da palavra “Poema”, apresentam-se variações ao nível da expressão que conferem à relação sígnica uma motivação pouco usual. Assim, o “poema-flutuante” flutua, o “poema-elástico” estica, o “poema ao vento” voa, o “poema-reflexo” reflecte, o “poema de passagem” passa… A programação do poema e do objecto pelo conteúdo da sua expressão pode estar enraizada na ideia de que há uma coincidência das palavras com as coisas que a poesia pode revelar. Fenomenologia do digital, aqui, descritivo e criativo se ligam, no sentido de desautomatizar a percepção banalizada que temos do novo paradigma digital que se vai impondo.

7. Para terminar, pretendemos fazer uma referência especial a AlletSator – ópera quântica,[40] um trabalho que fecha o ciclo aqui em apresentação, uma vez que iniciámos o nosso mapeamento da ciberliteratura portuguesa em Pedro Barbosa, co-autor, com Luís Carlos Petry,[41] também deste trabalho. AlletSator, ou “Rota da Estrelas”, pode ser considerada uma ópera em formato hipermédia: inclui texto (gerado automaticamente no Sintext), som (através de sínteses em tempo real e efeitos de vária ordem), animação em tempo real, interactividade, personagens e ambientes tridimensionais. É porventura o mais ambicioso projecto na área da literatura cibernética em língua portuguesa, levantando questões importantes na área das textualidades electrónicas, mas também da própria discussão de o que significa roteiro, narrativa e estrutura em ambientes virtuais e hipermediáticos.[42] AlletSator é ainda, para os seus autores, uma ópera quântica, pois nos seus ambientes múltiplos e paralelos, o actual e o virtual entrecruzam-se e misturam-se constantemente. Nesta hipermédia, o “espectactor”, imerso num ambiente que é, ao mesmo tempo, cósmico, onírico e surrealizante, percorre uma viagem que a narrativa em rede vai gerando dinamicamente, potenciada por uma interface que permite combinações textuais, visuais e sonoras potencialmente ilimitadas. Este trabalho retoma, assim, muitas das premissas delineadas anteriormente neste artigo, desenvolvendo-as para áreas inovadoras e de inovação.

O texto inicial de AlletSator foi gerado automaticamente por Pedro Barbosa no sintetizador textual Sintext e trabalhado dramaturgicamente para um espectáculo teatral do Esbofeteatro que foi apresentado no Teatro Helena Sá e Costa em 2001, com encenação de João Paulo Costa e música de Virgílio Melo. Foi a partir desse texto que Luís Carlos Petry se propôs adaptar a narrativa teatral a um trabalho hipermédia interactivo, passando a colaborar com Pedro Barbosa na sua roteirização e recriação para um ambiente 3D e para uma estrutura narrativa em rede. Esta ciberópera tornou-se, entretanto, um projecto colaborativo que agrega contribuições de vários outros investigadores de Portugal e do Brasil.

Pretendemos com esta apresentação concluir que o meio digital, apresentando-se como um campo vasto de possibilidades para a interligação dinâmica de elementos previamente dispersos, onde o tecido de citações e espaço de dimensões múltiplas que é o texto se materializa, engendra-se também ao nível do experimentalismo literário como uma ferramenta de amplificação muito frutífera. Nos seus estudos acerca da poesia animada por computador, Pedro Reis tem argumentado isto mesmo: da introdução de “novas componentes no domínio da textualidade, como o movimento, a temporalidade ou a interactividade” resulta a necessária “utilização criativa do computador para fins literários."[43]

Resta saber se esta continuidade da poesia experimental na ciberliteratura fará a última herdar os inimigos da primeira, ou se, pelo contrário, novas oportunidades se estão a abrir para uma aceitação generalizada do fenómeno. Só depois disso se poderá depreender da sua marginalização, ou não. Até lá, aqui fica dado o sinal de que existe.



[1]Arnaldo Saraiva, Literatura Marginal izada: Novos Ensaios, Porto, Árvore, 1980, p.5.

[2] Idem, p. 5.

[3] Idem, p. 6.

[4] Idem, ibidem.

[5] Ana Hatherly, “Perspectivas para a Poesia Visual: Reinventar o Futuro”, in: Poemografias: Perspectivas da Poesia Visual Portuguesa, org. Fernando Aguiar e Silvestre Pestana, Lisboa, Ulmeiro, 1985, p. 15.

[6] Pedro Reis, “Estado da Arte da PO-EX”, disponível em [http://po-ex.net]

[7] Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, Teoria da poesia concreta. Textos Críticos e Manifestos (1950-1960), São Paulo, Invenção, 1965. p. 154.

[8] Pedro Reis, op.cit.

[9] Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, op.cit.

[10] Ana Hatherly, “A Reinvenção da leitura (excerto)”, in: PO.EX: Textos teóricos e documentos da poesia experimental portuguesa, org. Ana Hatherly e E. M. de Melo e Castro, Lisboa, Moraes, 1981, p. 141.

[11] Algumas das publicações colectivas de poesia experimental: Poesia Experimental: 1º caderno antológico, org. António Aragão & Herberto Hélder, Lisboa, 1964; Poesia Experimental: 2º caderno antológico, org. António Aragão, E. M. de Melo e Castro & Herberto Helder, Lisboa, 1966; Hidra 1, org. E. M. de Melo e Castro, Porto, ECMA, 1966; Operação 1, org. E. M. de Melo e Castro, Lisboa, 1967; Hidra 2, org. E. M. de Melo e Castro, Lisboa, Quadrante, 1969; Novas tendências na arte portuguesa: poesia visual portuguesa: Portuguese visual poetry, Coimbra, Galeria CAPC - Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, 1980; Exposição de poesia experimental portuguesa: PO.EX 80, Lisboa, Galeria Nacional de Arte Moderna, 1980; Poemografias: Perspectivas da Poesia Visual Portuguesa, org. Fernando Aguiar e Silvestre Pestana, Lisboa, Ulmeiro, 1985; Concreta, experimental, visual: poesia portuguesa, 1959-1989, org. Fernando Aguiar & Gabriel Rui Silva, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1989; Visual Poetry: An International Anthology, in: Visible Language 27 (4) Autumn 1993, org. Harry Polkinhorn; World poem, org. Manuel Portela & Alberto Pimenta, Figueira da Foz, Museu Municipal Doutor Santos Rocha & Câmara Municipal, 1993; Antologia da Poesia Experimental portuguesa: Anos 60 - Anos 80, org. Carlos Mendes de Sousa & Eunice Ribeiro, Coimbra, Angelus Novus, 2004.

Uma parte significativa destes trabalhos está a ser classificada e digitalizada por um grupo de investigadores do Centro de Estudos de Texto Informático e Ciberliteratura da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. O projecto, denominado "CD-ROM da PO.EX", tem como objectivo produzir um CD-ROM de divulgação destes trabalhos, há muito esgotados. Foi também criado um sítio web onde é possível estudar e conhecer a produção impressa da poesia experimental portuguesa dos anos 60, disponível em [http://www.po-ex.net].

[12] Pedro Barbosa, “Ciberliteratura e literatura gerada por computador”, disponível em  [http://cetic.ufp.pt/lgc.htm]. Ver também A Ciberliteratura: Criação Literária e Computador, Lisboa, Cosmos, 1996. Outros artigos do autor disponíveis em [http://www.pedrobarbosa.net] e [http://www.po-ex.net/ciberliteratura].

[13] Herberto Helder, “Posfácio”, in: Electronicolírica, Lisboa, Guimarães Editores, 1964.

[14] Idem, ibidem, p. 50.

[15] Herberto Helder, Húmus, Lisboa, Guimarães Editores, 1967.

[16] Ver a este propósito o estudo de Maria dos Prazeres Gomes, Outrora agora: relações dialógicas na poesia portuguesa de invenção, São Paulo, EDUC, 1993.

[17]Idem, ibidem.

[18] Idem, ibidem.

[19] Idem, ibidem.

[20] Uma importante referência para compreender algumas das relações entre poesia concreta e meios digitais é o artigo de Manuel Portela, "Concrete and Digital Poetics”, in: New Media Poetry and Poetics - Special Issue, Leonardo Electronic Almanac, 14(5-6), 2006, disponível em [http://leoalmanac.org/journal/vol_14/lea_v14_n05-06/mengberg.asp].

[21] Versões de demonstração disponíveis em [http://cetic.ufp.pt/sintext.htm].

[22] Pedro Barbosa [http://pedrobarbosa.net/] é natural do Porto, onde nasceu em 1950. Licenciado em Letras pela Universidade de Coimbra e doutorado em Ciências da Comunicação (especialidade: Semiótica) pela Universidade Nova de Lisboa. Leccionou e realizou investigação em várias universidades do país e do estrangeiro. Actualmente é professor coordenador na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (Instituto Politécnico do Porto) e integra, como investigador, vários Centros nacionais e internacionais.

[23] Teses realizadas no estrangeiro sobre a sua obra: Arnaud Gillot, La notion d’écrilecture à travers les revues de poésie électronique Alire et Kaos, dissertação realizada na Université d’Artois (França) sob a orientação do Prof. Alain Vuillemin e publicada na Roménia, HESTIA/CERTEL, 2000; Vera Carvalho, Acaso: um palimpsesto na produção poético-tecnológica de Pedro Barbosa, dissertação de mestrado apresentada na Universidade MacKenzie do Brasil sob orientação do Prof. Sérgio Bairon, São Paulo, 2004.

[24] De que resultaram os programas Permuta e Texal, com resultados e enquadramento teórico publicados em A Literatura Cibernética 1: autopoemas gerados por computador, Porto, Edições Árvore, 1977; A Literatura Cibernética 2: um sintetizador de narrativas, Porto, Edições Árvore, 1980.

[25] De que resultou o programa Sintext, com livro electrónico em disquete e enquadramento teórico publicados em Teoria do Homem Sentado, Porto, Edições Afrontamento, 1996. Este “sintetizador de textos” representa um alargamento, em C++, de algoritmos feitos em BASIC anteriormente.

[26] De que resultou o programa Sintext-java, com livro electrónico em CD-ROM e ensaios de enquadramento publicados em O Motor Textual, Porto, Edições UFP, 2001 (disponível em [http://cetic.ufp.pt/sintext.htm]).

[27] Máquinas Pensantes: aforismos gerados por computador, Lisboa, Livros Horizonte, 1988.

[28] Pedro Barbosa, “A renovação do experimentalismo literário na Literatura Gerada por Computador”, in Revista da UFP, 2(1), p. 181-188, Maio de 1998.

[29] Trabalho ainda por publicar. O código, com alguns erros, foi publicado em Poemografias, Org. Fernando Aguiar e Silvestre Pestana, Lisboa, Ulmeiro, 1985, pp 214-16.

[30] Silvestre Pestana [http://po-ex.net/silvestrepestana] nasceu no Funchal em 1949. Licenciado em Artes Gráficas e Design pela E.S.B.A.P., tem pós-graduação em Art and Design Education pela De Montford University, Leicester, England. Em 1998 completou o Master in Arts- Art and Design Education pela De Montford University. Professor assistente do 1º triénio da Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Coimbra. Participou em centenas de exposições de poesia experimental, pintura e arte interactiva.

[31] E. M. de Melo e Castro, Algorritmos (Infopoesia), São Paulo, Musa Editora, 1998.

[32] E. M. de Melo e Castro [http://po-ex.net/ernestomeloecastro] nasceu em 1932 na Covilhã. Poeta e ensaísta. Diplomado em engenharia têxtil pelo Instituto Tecnológico de Bradford, Inglaterra, em 1956. Doutor em letras pela USP, em 1998. No Brasil, ministrou cursos de graduação e pós-graduação de literatura portuguesa, brasileira e africana, infopoesia e cibercultura. Autor de centenas de artigos e livros de, e sobre, poesia experimental e infopoesia, poesia, teatro, etc. Professor da Escola Superior Artística do Porto.

[33] Destaque para Poética dos meios e arte high tech, Lisboa, Vega, 1988; e “Uma transpoética 3D”, incluído na Separata do n.27 de Dimensão, Uberaba, 1998. Outros textos disponíveis no sítio web do autor, acessível em [http://www.ociocriativo.com.br/guests/meloecastro/]

[34] Amor de Clarice (Poema Hipermédia), Porto, CETIC e Edições UFP, 2006. [Inclui CD-ROM multimédia + CD audio + livro]. Disponível em [http://www.telepoesis.net/amor]

[35] Rui Torres [http://telepoesis.net/] é o autor deste artigo.

[36] André Sier [http://www.s373.net] nasceu em Lisboa em 1977. Licenciado em Filosofia pela FCSH em 2005, estudou Pintura e Escultura no Ar.Co, Bioquímica na FCUL, Música na AAM. Ensina programação áudio-visual na Aula do Risco desde 2001 e orienta oficinas em eventos diversos.

[37] Por publicar, com realização de 2004.

[38] Disponível em [http://anterodealda.com/micropoema.htm]

[39] Antero de Alda [http://anterodealda.com] nasceu em 1961. Formado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Mestre em Tecnologias Educativas pela Universidade do Minho. Vive e trabalha em Amarante. Colaborou desde 1981 em diversas publicações da poesia visual e experimental. Desde 2005, dedica-se também à Fotografia e à poesia animada por computador.

[40] Publicação prevista em DVD-ROM para o final de 2007. Parcialmente disponível em [http://www.po-ex.net/alletsator].

[41] Luis Carlos Petry nasceu em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, Brasil, em 1958. Fenomenólogo, é Professor na PUC-São Paulo e na FAAP; Membro do Núcleo de Pesquisa em Hipermídia (NuPH), é Doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Professor de Epistemologia no Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) - PUC-SP.

[42] A Revista Cibertextualidades, do Centro de Estudos de Texto Informático e Ciberliteratura, planeia para 2007 a edição de um número temático dedicado ao estudo de AlletSator, no qual se deverá incluir um DVD-ROM com uma versão demo desta ciberópera. Acessível em [http://cetic.ufp.pt/cibertextualidades].

[43] Pedro Reis, “Poesia animada por computador”, disponível em [http://cetic.ufp.pt/pac.htm]

 
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