PROGESTOS_OBGESTOS, 1972-2012 - Exposição de António Barros na Casa da Escrita, Coimbra, de 30 de Novembro a 21 de Dezembro de 2012

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Texto do Comissário


António Barros, PROGESTOS_OBGESTOS, 1972 - 2012. Exposição na Casa da Escrita, Coimbra, 30 nov. - 21 dez. 2012, Ciclo Nas Escritas PO.EX


O quotidiano que não deixa ver e a proximidade do ser-aí constituem o desafio para abordar a exposição, retro e prospetiva, de António Barros.

Nasce no Funchal em 1953. Herberto Helder e António Aragão publicam, onze anos depois, Poesia Experimental: Antologia. Em 1970, António Areal escreve Textos de Crítica e de Combate na Vanguarda das Artes Visuais. Este livro e a sua pintura tornam-se dois referenciais para o jovem António Barros que, no ano de 1972, produz “A Noite”, a assinalar o início de um percurso. É no espaço da insularidade, de poetas e pintores, que radica e desponta a relação que estabelece cedo com o mundo das artes.

Em 1973 chega a Coimbra para estudar Medicina. A intervenção convulsiva do Círculo de Artes Plásticas no tecido social e urbano de Coimbra, convoca-o, em 1974, a inscrever esta comunidade artística, juntamente, com Alberto Carneiro e Ernesto de Sousa. Este considera em A Vanguarda está em Coimbra / A Vanguarda está em ti, a propósito da “Semana da Arte (da) na Rua” dinamizada pelo Círculo no ano de 1976, como a “única ‘sociedade artística deste país que mantém um espírito de workshop...” (cf. Ser Moderno... em Portugal, 1998) No ano seguinte, é a vez de “The Living Theatre” de Julian Beck atuar no Pátio da Universidade e participar a seguir numa Festa/Refeição organizada no CAP.

Ernesto de Sousa organiza a “Alternativa Zero” e convida-o para expor individualmente, também em Lisboa, na Galeria Diferença, onde apresenta em 1977 - um ano decisivo para a afirmação e internacionalização da arte contemporânea -, entre outros, “TrAdição/Traição” e “Escravos”. Este último poema visual icónico é premiado, no âmbito do “Concurso Nacional de Poesia 10 Anos do 25 de Abril”, por um júri composto por Sophia de Mello Breyner Andresen, José Carlos de Vasconcelos, Manuel Alegre, David Mourão Ferreira e Urbano Tavares Rodrigues. Nele se condensa uma crítica à história recente de Portugal, que “mostra mas não narra” como observou Alberto Pimenta, simultaneamente, provocadora e trágica.

Durante a XIV Bienal de São Paulo de 1977 António Aragão apresenta, para a TV Globo do Brasil, o objeto-poema 'Verdade'* de António Barros. Uns óculos perdidos, quando descontextualizados do uso diário, sugerem uma hermenêutica do conceito de Ser/Ver.

A escrita plástica de António Barros desvela-se na colaboração em Loreto 13: Revista Literária da Associação Portuguesa de Escritores, em 1978, com os poemas visuais “Energia” e “Viver/Não Viver”.

Wolf Vostell, um dos elementos mais destacados do movimento FLUXUS em conjunto com Joseph Beuys, vem a Coimbra, em 1979, e conhece a exposição “Poesia Visual” de António Barros organizada no CAP. Os trabalhos “gRitos da Angústia e do Sarcasmo” suscitam-lhe um especial interesse e uma leitura sociológica particular. Surge o desafio e vai trabalhar com Wolf Vostell, em Leverkusen, na Alemanha, no Vostell Fluxus Zug, Das Mobile Museum.

Por esta altura, os seus objetos-poemas respondem a uma "arte de situação" enunciada no situacionismo do livro La Societé du Spectacle (1967) de Guy Debord, que inspirara, em grande medida, os acontecimentos de Maio de 1968. É nele, e na filosofia FLUXUS, que encontramos os referentes principais para a sua programática de trabalho como negação do espetáculo: a) aproximar a arte da vida, ou esteticizar a existência concreta - ou para utilizar uma “categoria” estética de António Barros - assumindo uma “Artitude” perante a vida, num contexto em que esta surge como a arte performativa em si mesma; b) o fabrico intencional de uma arte pòvero com recurso a objetos e a materiais despojados, o que pressupõe uma procura concetual incessante e uma “mão” inteligente para os dar a ver; c) o recurso lúcido ao preto (luminescente) e branco (luz), referidos sempre à crueza do real.

Num tempo de ausência de apoios para a internacionalização, e correspondendo aos convites de Robert Filliou e de Serge III Oldenbourg, elementos do movimento FLUXUS em França, publica trabalhos seus nas revistas Calibre 33 de Nice, e em Rapport de Paris. Enquanto o texto visual “Sociológica'* é desenhado e apresentado na Facoltà de Scienze Politich da Universidade de Bolonha, no âmbito da iniciativa "Concreta, Experimental, Visual, Poesia Portuguesa 1959-1989". Com a direção de Julien Blaine, a revista francesa Doc(k)s publica os seus textos visuais, e 'toda uma ação pública' com presença na Performance Arte portuguesa.

Num percurso de desmaterialização da arte, entre 1980 e 1985, António Barros desenvolve o conceito de progesto que coloca o ato artístico no sentido da desconstrução fundamentando-o operativamente com a organização do Simposium Internacional: 'Projectos & Progestos, Novas Tendências nas Linguagens Artísticas', que dirigiu com Rui Orfão, convocando e trazendo pela primeira vez a Portugal e ao Teatro Estúdio do CITAC, no contexto da atividade do grupo de sensibilidade fluxista ARTITUDE:01 que fundara antes, referências incontornáveis da arte contemporânea como Alistair MacLennan, Stathion House Opera, James Coleman, Nigel Rolfe, Mineo Aayamaguchi, Lydia Schouten, Erna Nijman, Peter Trachsel, Ernst Thoma, Frank Na, Basement Group, Julien Maynard Smith, Plassum Harel, ou Ken Gill (cf. Esta danada caixa preta só a murro é que funciona: CITAC 50 anos, 2006).

Explorando sempre a plasticidade dos objetos, António Barros cria em 1990 a esculturalidade do "Prémio de Estudos Fílmicos Universidade de Coimbra", com que foram laureados Alain Resnais, Manoel Oliveira, Paulo Rocha e João Bénard da Costa.

Mais recentemente, em 2010, assume para os seus objetos-poemas uma nova gramaticalidade ao formular o conceito de 'obgesto', em estudos ensaiados na exposição Obgestos inserida e apresentada em "Line Up Action: Festival Internacional de Arte da Performance", no Edifício das Caldeiras da Universidade de Coimbra (cf. http://barrosantonio.wordpress.com).

"Paradigm Shift" de 2011, no Museo de Arte Contemporánea (MUSAC) na cidade espanhola de León, recontextualiza o poema visual “TrAdição/Traição”', como exemplo de referência internacional para a arte dos anos 80, enunciado a par da arte de, entre outros, Christian Boltanski, Gilbert & George, Joan Jonas, Gordon Matta-Clark, Robert Morris, Bruce Nauman, Claes Oldenburg, Dennis Oppenheim, Gina Pane, Michelangelo Pistoletto, Richard Serra e Gilberto Zorio.

Em “aL(a)ma”, 2010-12, transfere para o obgestual um relato semiótico da catástrofe ocorrida na Madeira, a 20 de fevereiro de 2010, em diálogo com a obra “Insulae”, 2012 (Coimbra-Funchal), peça onde os lutos e as lutas se 'conFundem' (e 'conFluem') numa ritualização da 'palavra' que convulsivamente se questiona iconogravando o 'sentido'.

Ao apelo político para emigrar responde com “Ex_Patriar”, 2011, numa revisitação de PO.EX, 1999, que surge agora como 'obgesto' simbólico dessa lástima de um tempo.

Na mesma contextualidade, a obra “Asa Morta”, 2012 - leitura de um país "em círculo, sempre em círculo, com a asa morta agarrada ao corpo" - progestualiza ("Nas Escritas PO.EX", Casa da Escrita, Coimbra), a "fatal_idade do lugar luso onde a escrita visual - da palavra preSente à palavra auSente - se flageliza (d)enunciando uma morte do prolixo ser social no 'abismo' das vontades".

Em "Uma Luva na Língua", estudos de vinte autores - de José Tolentino Mendonça a E. M. de Melo e Castro -, formula-se uma leitura em livro do percurso de obra de António Barros.

Em Portugal, uma parte significativa da sua obra integra a Coleção de Arte Contemporânea do Museu de Serralves.

Também está representado no Museu de Arte Contemporânea Fortaleza de São Tiago, Funchal, e na Universidade do Porto.

No estrangeiro, tem presença nas coleções do Museo Vostell Malpartida, Espanha. Na Fundação Cavellini em Bréscia, Itália, e na Universidade do México.

A sua obra está representada em diversos catálogos como Serralves 2009 a Colecção (2009) e Povo - People: Exposição - Exhibition (2010), e em diferentes livros antológicos: PO.EX: Textos Teóricos e Documentos da Poesia Experimental Portuguesa, organizado por Ana Hatherly e E. M. de Melo e Castro (1981); Poemografias, organizado por Fernando Aguiar e Silvestre Pestana (1985); III Rencontres Internationales de Poesie Contemporaine, Festival de Cogolin, França (1986); e Antologia da Poesia Experimental Portuguesa: Anos 60 - Anos 80, organizada por Carlos Mendes de Sousa e Eunice Ribeiro (2004).

Nesta exposição, evocativa de 40 anos de intervenção artística de António Barros, somos interpelados para fazer e cruzar diferentes leituras sobre uma narrativa que é pontuada pelos conceitos de Progestos e Obgestos e que constituem, por sua vez, o fio condutor de uma trajetória que desponta na década de 70 e se encontra em pleno desenvolvimento.


Coimbra, 28 de novembro de 2012. Jorge Pais de Sousa, Comissário


Agradecimentos: Augusta Vilalobos, Paulo Fonseca, Laurindo Fonseca, Paulo Oliveira, Margarida Anjos Amaro, Lúcia Santos e Silvestre Pestana.


Textos sobre António Barros


Outros textos de enquadramento


Excertos de textos sobre António Barros e sobre a exposição na Casa da Escrita


Uma arte que (d)enuncia a "natureza voyeurista do ser humano", por José Santiago

[UCV, 'Em Cena', Destaques , 2012-12-19, 15h00]

António Barros é residente na Casa da Escrita [com] Progestos_Obgestos, 1972-2012, onde cada peça transcende a obra final com a apresentação do trabalho que lhe deu forma.

 

O autor ocupou cada divisão da Casa transformando-a num livro, que pode ser lido através da natureza voyeurista do ser-humano.


"Para que cada um se reinvente através da leitura", por António Barros

[RTP2, 'ESEC.TV', 2013-02-12]

Há alguns objetos que denominei de 'obgestos', e projetos que denominei de 'progestos', peças que estão na sua própria construção e têm uma capacidade genomática de se instruir e fazer fabricar consoante as vivenciações que vou formulando.

 

Esta "residência" que faço na Casa da Escrita (edifício que tem um compromisso histórico com a literatura, mas onde a minha literatura se transforma diariamente num metabolismo e numa procura), afirma as minhas inquietações, onde muitas delas são as que estamos a viver num país tão prolixo como o que nós temos, e com  inquietações tão particulares como as que estamos a viver agora.Aqui não há 'antes' nem 'depois'. É um metabolismo constante.

 

O que eu crio é partilhável. Partilhado. É fundamentalmente uma vivenciação comungada que tem o contributo de me levar a refletir sobre o lugar onde estamos, e a 'geografia' que nós temos que intervencionar para que ela ganhe novas dimensões e novas qualidades - inclusivamente o próprio 'pensar'; o 'estar' no 'lugar'; ou o 'estar' na 'vida'. É por respiração [que fabrico estas peças pretensamente poéticas, pretensamente artísticas]. Por necessidade da minha própria existência, e para tornar a vida mais realizável. Ou no mínimo, mais suportável. A minha preocupação não é ficar catalogado numa denominação que me crie obstáculos, mas viver sem "paredes". Como dizia Torga - o universal é o local sem paredes. Estar no local sem paredes. Sem rédeas que condicionem um comportamento ou a uma linguagem de subordinação.


João Fernandes

[RTP2, 'ESEC.TV', 2013-02-12]

António Barros é dos artistas que define o objeto de arte através da escrita, através da palavra, através da exploração desse jogo de espelhos que: da palavra ao objeto; à situação, envolve o espetador de forma a o espetador deixar de ser espetador.

 

Não há um público português. Da mesma forma a que os artistas não são definidos por uma nacionalidade. Há graus diferentes de entendimento, de conhecimento; de aproximação ao objeto de arte. Mas, a obra de António Barros pode ser visível e confrontável independentemente de qualquer conhecimento adquirido. A sua principal função, não é ser entendível por um público, ou ser interpretável por um público de uma determinada maneira. É, pelo contrário, deixar que cada um se reinvente através da leitura que possa fazer dela, ou da interpretação que possa fazer dela.


Mal de Mer, por Augusta Vilalobos

[Project Association Artists, NDC, 10 março, 2012]

MAL DE MER

 

O mar...

 

La mer
La mer
Mal de mer
amer

 

La mer...

 

Laisser la terre
Terre-mère
Ma mère!

 

Partir...
Prendre la mer
La peur
La terreur!

 

Mal de mer
Mal de mer
...

 

Jette
Je Te...
Je me jette
à la mer

 

Mer... De
courage
Courage!
Courage!!!

 

L'orage
L'orage!!!

 

Survivre
Résister

 

Mal de mer
Mal de mer

 

[si j'aurais su, peut-être que je ne serais pas parti...]

 

Mais je suis là
Je pars
Je vais
J'y vais!

 

A pied!!

 

Aux pieds
des sandales...

 

La mer emporte tout
La mer tout apporte
Tu importes... Pars!

 

(Apporte-moi la Mer)


"Não há escrita absurda. O espírito humano tem horror ao vácuo", por Telmo Verdelho

["Algias/NostAlgias", Galeria Capc, 'Dois Ciclos de Exposições, Novas Tendências na Arte Portuguesa e Poesia Visual Portuguesa', dezembro, 1980]

Constrói-se à volta da escrita, uma escrita agradavelmente textualizada com muita imaginação, com humor e talvez algum cinismo e sobretudo com uma cuidadosa realização.

 

A sua insistência caligramática remete quer para o campo das significações literárias, quer para o mundo das relações entre o grafismo, a escrita e as artes visuais.

 

A escrita é um antiquíssimo e elaborado artifício visual que remete sempre para além de si própria, pressupõe uma emergência semântica. Toda a escrita promove um momento de ansiedade que se satisfaz e se anula logo que se obtém um sentido.

 

Estas "grafAlgias" recusam um sentido habitual, parecem remeter apenas para essa ansiedade que precede a satisfação da leitura.

 

Mas não há escrita absurda. O espírito humano tem horror ao vácuo, é um grande organizador de sentidos e de conotações.

 

O "muro da razão" metódico e delicado, se bem que frágil e inconsistente, é subtil, fecundo e artificial como uma figura de retórica.

 

O observador-leitor é um dos elementos mais importantes nesta solicitação visual. Caracteriza-se por uma grande ambiguidade do seu estatuto que talvez se possa definir como um ser tanto mais superior quanto mais ridículo, ou o contrário, tanto mais ridículo e fátuo quanto mais superior.


[Vulto Limite], por António Barros

[Project Association Artists, NDC, 2012]

Performance_art é a captação de um gesto limite pretensamente sublime. Uma aura no contorno interior que resista ao ridículo; à máscara que busca a 'persona': a identidade - sem poetar a sua condição.


"Essa 'coisidade' inquietante", por E. M. de Melo e Castro

[Da Poesia Visual de António Barros, 'Com Pés de Vegécio', São Paulo, março/junho, 2012.]

Quem se aproxime de algumas das obras de António Barros com o intuito de as fruir esteticamente, sente imediatamente que está na frente de enigmas. Enigmas esses que, como todos os enigmas, se destinam a ser decifrados, sendo essa decifração parte fundamental do processo de comunicação que é posto em jogo. Algo de semelhante acontece com a sua imanente natureza de "coisa" de um modo que não é comum em qualquer obra de arte. Essa 'coisidade' inquietante creio que não se encontra tão intensamente tratada por outros poetas visuais, artistas plásticos, ou teóricos e críticos, da nossa contemporaniedade. Mas não é só disso que se trata. Estamos tentando falar da razão e da virtualidade que as obras de António Barros contêm e escondem, num espaço para além da sua impecável materialidade e do seu subtil laconismo vocabular, que nalguns casos (umas poucas letras ou palavras) simultaneamente escondem e tendem a revelar... ou não... (e)

 

No caso do poema cujas imagens apresentei, a que o autor deu o título de "Com Pés de Vegécio", uma primeira leitura diz-nos de uma referência a Vegécio, autor romano que viveu provavelmente entre os séculos IV e V e que escreveu um Compêndio da Arte Militar, (não sendo militar mas eventualmente um burocrata) destinado à preparação dos soldados dos exércitos de Roma. Essa obra que foi muito divulgada durante toda a Idade Média, inclui capítulos sobre a marcha a pé e as exigências da preparação física para as longas caminhadas. Mas na obra de Barros existe também um livro volumoso contra o qual é comprimido e deformado um par de sapatos por ferramentas chamadas "sargentos" usadas por marceneiros e encadernadores. Se os sapatos são instrumentos do andar, isto é da deslocação espacial do corpo humano, o livro é, pelo seu lado, o instrumento privilegiado da deslocação espacial e temporal do pensamento. Está assim estabelecida uma possível ligação forte entre andar e pensar, que já vem desde a escola peripatética de Aristóteles!

 

É claro que a emoção estética forte que os "obgestos" de António Barros provocam, lança o seu fruidor em outras pistas de decifração menos óbvias e o fruidor mais exigente que é o crítico, terá que lançar mão de um equipamento de referência, teórico e documental ou até intuitivo, devidamente adequado e pertinente. É então que ocorre o sintagma 'Idade Média' como uma possível chave de múltiplos recursos.


"Arte enquanto forma de intervenção permanente", por Sónia Pina

[Silêncio, meu silêncio! Ausência, minha Ausência, outubro, 2010]

A obra de António Barros conforma uma gramática poliédrica, na medida em que dela exala uma inteligibilidade plural, hipostasiando-se nas dimensões estéticas, filosófica, literária, poética, cinemática, entre outras. Inscrevendo o Visualismo, o Fluxus, a Land-art, e fundindo-se com o texto, sustendo óbvia inscrição caligráfica. A nível das linguagens utilizadas, percorre a poesia, a escultura, a vídeo-arte, a instalação, superando, portanto, visões concêntricas de análise, e infundindo um olhar que se aloca além dos momentos histórico-sociológicos que a contextualizam, porque compreender arte imporá, de certa forma, a capacidade de coexistir na alteridade, aquietado/a, aguardando o momento da revelação.

O artista desenvolveu um percurso personificável na a(r)cção artística, da arte enquanto forma de intervenção permanente, na senda das novas referências oriundas do (pós)estruturalismo linguístico, que prevêm a discussão estética e a práxis artística sob os ângulos da produção de sentido e da performatividade intertextual. O texto é decomposto e recomposto nas suas inifinitesimais camadas de sentido, incorporando a qualidade laboratorial, que, por sua vez, se opera na e pela pesquisa contínua das possibilidades experimentais visuais, espaciais e fonéticas da palavra fora da métrica.

 

Esta profusão de "significâncias", patentes ou latentes, remetem para um agenciamento singular da poiética de António Barros, que nos intíma, por definição, a uma (re)descoberta, a uma semiogénese da memória. Materializando-se também o olhar-espelho no processo de imagése da obra, pressupondo-se neste que o reflexo é algo da ordem do mais real que a própria realidade, porque a Verdade depende do ver.

 

O rizoma de significados, a sua grande capacidade para conceptualizar a obra e uma lucidez singular, dão-lhe o estatuto de poeta-performer, de a(r)tor, na medida em que os textos na obra, os textos da obra, e o dom da escrita que nestes revela, tornam o cerzir em seu torno ab infinitum.


As "artitudes" e os "obgestos" de António Barros, por Dina Sebastião

[Na e Pr'a Lá da UC, Newsletter UC, Setembro de 2011]

Mais do que artista, António Barros é um “artor”, aquele que, nas palavras de Lambert, tem como premissas “libertar a arte do artístico e libertar os objetos do quotidiano. Colocar os objetos sob a luz da paixão, fazendo com que se evadam da sua situação real-paixão. Propor aos objetos uma vida nova, fazendo-os passar do reino da necessidade para o reino da liberdade (liberdade = imaginário no ato).” Fazem parte dos projetos de António Barros e do seu vocabulário recorrente a “Artitude” e os “Obgestos”, numa alusão à arte como interventora, como atitude social e desafiadora de reflexões, e aos objetos como dialogantes com o público.

 

Ler mais > http://www.uc.pt/noticias/newsletter/092011/na_e_pra_la_da_uc/




Comunicações

  • Sónia Pina - Investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens da Universidade Nova de Lisboa."Obgesto Silente", 14-12-2012. [Texto da apresentação disponível neste Arquivo Digital]

  • João Fernandes - Subdiretor do Museu Nacional de Arte Reina Sofia, Madrid. Leitura da obra de António Barros, 17-12-2012.


Recensão Crítica

  • "Progestos_Obgestos - 'Um espectáculo da contemporaneidade', por Alexandra Leite, domínio Metamorfoses do Espectáculo, Mestrado de Artes Cénicas, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, janeiro, 2013.

Observação Formativa

  • Curso de Licenciatura do CIAB e de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Direção do Prof. Doutor Saul António Gomes, 13, dezembro, 2012.

Residência Artística

  • Realizou o Arq.to João Mendes Ribeiro, autor do Projecto da Casa da Escrita, a apresentação da requalificação do edifício que foi habitado pela Residência Artística de António Barros com "Progestos_Obgestos", no âmbito da iniciativa 'Nas Escritas PO.EX'. A mostra, inscrita no Ciclo VGA-Visitas Guiadas Pelo Autor, iniciativa da Ordem dos Arquitectos, Secção Regional do Norte, Núcleo de Arquitectos da Região de Coimbra, surgiu a 11 de Abril de 2013, 18h00-20h00. [Ler tb > Entre o objecto de arte e a especificidade arquitectónica do lugar, por João Mendes Ribeiro]


Panorâmica da exposição PROGESTOS_OBGESTOS, 1972-2012, com entrevista a António Barros [audio]. Utilização de excerto de 'Neo Neon' de Jorge Lima Barreto. Produção de Alegna Cammarano:


"Nas Escritas PO.EX, com António Barros". Publicado pela ESECTV no Youtube a 12-02-2013:


António Barros - Nas Escritas PO.EX, publicado a 19-12-2012 por UCV.

Ligação externa - http://ucv.uc.pt/ucv/podcasts/em-cena/antonio-barros-nas-escritas-poex


RTP M , António Barros entrevistado por Tiago Góes Ferreira, Programa "Madeira à Vista", 2a Série, Episódio #9.

antoniobarros-entrevista-rtpmLigação externa - http://www.rtp.pt/play/p2567/e253868/madeiravista2016


[ R I V E R ] de António Barros e Augusta Vilalobos [em Telectu Collective "Video Garden XXI" | Tributo a Jorge Lima Barreto | MusicBox Lisboa - 11 Maio 2012]

[Ler tb > RIVER | Leitura]


António Barros - entrevista - Lonarte


Cambio de paradigma. Colección Serralves años 60-70 | Comisarios: João Fernandes, Agustín Pérez Rubio | Lugar: MUSAC, Salas 1 & 2 | 24-09-2011 a 8-01-2012 | Inclui referência a TrAdição/Traição


[OBGESTOS] de António Barros | ESECTV reportagem acerca de Valsamar, em exposição no Edifício da Casa das Caldeiras, em Coimbra


Newsletter da Universidade de Coimbra, Setembro de 2011 - As "artitudes" e os "obgestos" de António Barros


António Barros, 2015 [Texto Visual: António Barros | Voz: Rita Cimino | Edição: Augusta Villalobos; Henrique Patrício]. In > Fifth Free International Forum 2015 ['Piantagione Paradise', Joseph Beuys], Bolognano, Pescara, Itália.

[Ler tb > DePur(o)Ar]


António Barros, Com Pés de Vegécio



Inauguração e Actividades paralelas

Mesa da Inauguração da exposição de António Barros, com Jorge Pais de Sousa (Comissário), António Barros, João Paulo Barbosa de Melo (Presidente da Câmara de Coimbra em 2012) e José Carlos Seabra Pereira (Curador da Casa da Escrita) | António Barros na Casa da Escrita, 2012, a passar em frente a TrAdição/Traição [Fotografia Cortesia de Clara Almeida Santos] | António Barros em "Vulto Limite" [Fotografia Cortesia de Augusta Vilalobos].

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Obras expostas

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Uma cadeira para NN

Uma cadeira para NN, 2000 • Coimbra [Obgesto | 'NN-Noite e Nevoeiro', a partir da obra 'Auschwitz et Aprés' de Charlotte Delbo, Teatro do Morcego, Teatro Académico de Gil Vicente - Universidade de Coimbra] Colecção do Autor

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Ex_Patriar

Ex_Patriar, 2011 • Coimbra [Obgesto | revisitação do texto PO.EX no contexto da contundente emigração em 2012] Colecção do Museu da Fundação Bienal de Cerveira

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TrAdição/Traição

TrAdição/Traição, 1979 • Coimbra ["Paradigm Shift", MUSAC, Castilla y León, 2011] Colecção da Fundação de Serralves

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Sudoeste

Sudoeste, 2012 • Coimbra [Obgesto | Um ensaio sobre portugalidade. Identidade em desnorte] • Progestos_Obgestos, Nas Escritas PO.EX, Casa da Escrita

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Insulae

Insulae, 2010-2012 • Coimbra - Funchal [Obgesto | rituais de emancipação]. Na primeira fotografia, Insulae ao fundo e aL(a)ma à direita, em [ a l p h a b e t ] EVENT, com António Dantas, Galeria dos Prazeres, 2012 Colecção Particular

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Revolução

Revolução, 1977 Coimbra | Museu de Serralves, 1999 | Museo Vostell Malpartida, Espanha

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Autista

Autista, 1985 • Coimbra • Colecção da Fundação de Serralves

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Retrato de Ana Hatherly e os poetas experimentais portugueses ao fundo, ou de Portugal um País que nunca ex(ins)istiu

Retrato de Ana Hatherly e os poetas experimentais portugueses ao fundo, ou de Portugal um País que nunca ex(ins)istiu, 1999 • Porto - Coimbra [PO.EX - O Visualismo Português, Fundação Serralves, Museu de Arte ContemporâneaColecção do Autor

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Escravos

Escravos, 1977 • Coimbra • Colecção da Fundação de Serralves [Primeira imagem de "Anos 70 Atravessar Fronteiras", Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian]

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Sandales - Mal de Mer

Sandales - Mal de Mer, 2006 • Limbé-Coimbra [Obgesto | leitura a partir de registo de Olivier Jobard a um náufrago da emigração clandestina em fuga entre El-Ayone e Islas Canárias, 2004] Colecção do Autor [Fotos 3 - 6 da autoria de Augusta Vilalobos]

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Arte Sociológica

Arte Sociológica, 1982 • Cerveira [Concerto FLUXUS, com Serge III Oldenbourg] Colecção da Fundação de Serralves | Texto ao peito: "Escravos" 3e Festival International de Poésie de Cogolin, 5 au 12 Juillet 1986, COGOLIN III - Poesie Visuelle Portugaise, DOC(K)S - Portugal N'80. Printemps 87

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Black=Black

Black=Black, 1982 • Coimbra [Obgesto | releitura a partir de "um animal chamado escrita" de Maria Gabriela Llansol, Artitude:01, Simposium 'Projectos & Progestos', TE.CITAC, Universidade de Coimbra Colecção do autor | Artitude:01, P&P,Teatro Estúdio CITAC, Universidade de Coimbra, 1983

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Os anéis e os dedos | Anulação do Tempo | Aula Vaga

Os anéis e os dedos, 2012 • Coimbra [Obgesto - Vulto Limite] Colecção do Autor | Anulação do Tempo ou o Poeta Ausente • artitude, Coimbra | Aula Vaga • 1.000.051' Aniversário da Arte, CAPC - Círculo de Artes Plásticas de Coimbra

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Artista Con_viDA_DO

Artista Con_viDA_DO, 2016, Artitude de António Barros. [Fotos #2 e #3, Cortesia de Andrea Inocêncio].

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Asa Morta

Asa Morta, 2012 • Coimbra [instalação "Em círculo, sempre em círculo, com a asa morta agarrada ao corpo"], Casa da Escrita, Coimbra. Obra perecível.

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Silêncio

Silêncio, 1979-2010 • Malpartida-Coimbra [Obgesto | Semana de Arte Contemporânea de Malpartida, Cáceres, MVM-Museo Vostell Malpartida, Espanha] Colecção do Autor | Silêncio, 1979-2010 e Vacu_idade, 2009 [Exposição "Obgestos", "Line Up Action", Casa das Caldeiras, Universidade de Coimbra]

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PreSente/AuSente

PreSente/AuSente, 1979 • Coimbra • Colecção da Fundação de Serralves

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VerDade e Leitor de Cês e Dês

VerDade, 1977 • Funchal • Colecção Fundação de Serralves <> VerDade em "Horizonte Móvel, 1969-2008", Museu de Arte Contemporânea do Funchal, 2008 | Leitor de Cês e Dês, 2007 • Coimbra [Obgesto - Revista Cadernosdejornalismo #0, FLUC, Edição: Imprensa da Universidade de Coimbra] • Colecção do Autor  | VerDade, em MultiEcos, Teatro Estúdio Citac, Universidade de Coimbra, interpretação de Rui Orfão

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Leitor de Cês e Dês  e Contaminações

Leitor de Cês e Dês, 2007 • Coimbra [Obgesto] • Colecção do Autor | Contaminações, 2012 Colecção do autor


GerAcção

GerAcção, 1980-2012 • Coimbra [Obgesto | revisitação do Objecto-texto "GerAcção" em Vulto Limite] Colecção do Autor

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Trilogia: Alma_Frame_Florigen

Alma

Alma, 2001, What is Watt?, Museu de Electricidade Casa da Luz, Funchal [Mostra em Itinerância, Trilogia: "Alma_Frame_Florigen". Ao fundo registo performativo de António Dantas].


Frame

Frame, 2003, What is Watt?, Museu de Arte Contemporânea do Funchal, Fortaleza de São Tiago [Parte integrante da trilogia: "Alma_Frame_Florigen"]. Colecção: Museu de Arte Contemporânea da Madeira - Casa das Mudas.


Florigen

Florigen, 2007 | Progestos_Obgestos [Com Jean Genet, em Diário de Um Ladrão - "existe pois uma íntima relação entre as flores e os condenados"]  Colecção do Autor

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A ponta do pé

A ponta do pé, 2012 • Coimbra [Objecto-livro | Vulto Limite] • Colecção do Autor. Na última fotografia, E. M. de Melo e Castro lendo "A Ponta do Pé" no ateliê de António Barros

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Ser_Vil

Ser_Vil, 2000 • Havana-Coimbra [Obgesto]Colecção do Autor

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Idade de Coimbra

Idade de Coimbra, 2010 • Coimbra [Obgesto | Intervenção sobre lápis na Universidade de Coimbra] • Colecção do Autor

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Vulto Limite

Vulto Limite, 2012  Coimbra Colecção do Autor

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reMate

reMate, 2005 • Coimbra [Obgesto | Intervenção de António Barros sobre foto de Ruben A |  'O mundo à minha procura, Ruben A, 30 anos depois', Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra] • Colecção do Autor

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Energia

Energia, 1976 • Colecção da Fundação de Serralves | Energia in Loreto 13, Revista Literária da Associação Portuguesa de Escritores, #2, 1978


PaLavrar

PaLavrar, 2012 • Colecção do Autor ["Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas", Bernardo Soares/Fernando Pessoa]

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aMor(te)

aMor(te), 1980  Coimbra Colecção da Fundação Serralves | Museu de Arte Contemporânea do Funchal 

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aL(a)ma

aL(a)ma, 2010-2012 Funchal-Coimbra Colecção Augusta Vilalobos

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A_A [Transmutações da Alma #3]

A_A [Transmutações da Alma #3], António Barros e Augusta Vilalobos, Colecção Fundació Joan Brossa, Barcelona, 2016

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Razão

Razão  Colecção da Fundação de Serralves | Razão / Muro da Razão, Casa da Escrita, 2012 | Razão / Muro da Razão, no primeiro plano, com TrAdição/Traição ao fundo, Museu Serralves, 1999

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Outras obras

Colecção da Fundação de Serralves

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DeFormar | EscravosIsmos | Génesis | Poeta PréJudicial + ValorTrAdição/Traição

DeFormar, 1977  Funchal | Escravos, 1977  Coimbra [In "Anos 70 Atravessar Fronteiras" Centro Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian] | Ismos, 1977  Coimbra | Génesis, 1977 Coimbra | Poeta PréJudicial + Valor, 1977 Coimbra | TrAdição/Traição, 1979 • Coimbra


Outras

Algias, NostAlgias

Algias, NostAlgias, 1980 | Fundação Calouste Gulbenkian, III Exposição de Artes Pásticas, 1986

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Manhãs Raízes

Manhãs Raízes, 1983 | Círculo de Artes Plásticas de Coimbra

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Amant Alterna Camenae


Amant Alterna Camenae, 1987 | Leitura de 'Causa Amante' de Maria Gabriela Llansol, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra

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Ninguém_Penélope reconhece Ulisses

Ninguém_Penélope reconhece Ulisses, 1999, António Barros • "Almeida Garrett na Torre d' Anto", Bicentenário das Comemorações do Nascimento de Almeida Garrett, Colecção Câmara Municipal de Coimbra.

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Quem Não

Quem Não, 2011 | Arte Social | Lonarte11, Calheta, Arquipélago da Madeira

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autofA(l)gias

autofA(l)gias, 2013 | Arte Social | Parque do Sorraia, Coruche

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[ DePur(o)Ar ]


[ DePur(o)Ar ] António Barros, Paris, 2014 | "Quanto mais te afastas da luz, mais luminescência ganhas" Bachelard [ Obra dedicada a Augusta Vilalobos ].

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DePur(o)Ar @ TRANS[acto]


"DePur(o)Ar", 2014-2015, António Barros, Largo Augusto Hilário, Coimbra, 20 jun. 2015, TRANS[acto] #1 parte integrante de Sons da Cidade - Por Coimbra Património Mundial #2. Fotos: Cortesia José Crúzio.

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Memórias_Véus de Escrita

Memórias_Véus de Escrita, António Barros, 2014 [Obra dedicada a Ana Hatherly quando diz: "Memória é um Silêncio que Espera" | Artitude #1_O que é um Museu? | Artitude #2_Livro que perdi | Artitude #3_Quem o Poder Quiser]


AH_LiHonorAna_Obgesto

"Memória é um silêncio que espera", AH_LiHonorAna_Obgesto, António Barros, 2016 [ReAnagramas, Festival Silêncio 16, O Festival da Palavra, Lisboa, 30-06 a 06-07-2016]. Tb publicado in > Le Monde Diplomatique, Edição portuguesa, II Série, Nº 118, Agosto 2016.


FOCO

FOCO, 2014, Sevilla [Artitude dedicada a Silvestre Pestana quando enuncia "Sufoco"]


NÃU

NÃU, 2014 [Artitude dedicada a António Aragão quando dizia: no fundo "os Países nÃO sÃO naus, nÃO vÃO ao fundo."]

  • V(l)er tb > UnderscorÃO, in Revista Cibertextualidades [brevemente disponível]

Vulcânico PaLavrador

Vulcânico PaLavrador, AB, Coimbra, 2015. [Era à mesa que António Aragão fabricava pela noite dentro a sua contaminante oratória no Funchal dos anos 60-70. Estes nove pratos negros espelham uma leitura da memória, numa procura de um pretenso projecto memorial. AB, 2015, Coimbra.]

  • #1/9: "Vulcão olhando o prato", 2015, António Barros. À memória do vulcânico Palavrador António Aragão.
  • #2/9: "Queimado pela lava do vulcão", 2015, António Barros. À memória do Poeta e Dramaturgo António Aragão.
  • #3/9: "Arrefeceu a lava, tomando a forma do prato", 2015, António Barros. À memória do PaLavrador de Palavra(s) António Aragão.
  • #4/9: "Palavra. De tanto dita", 2015, António Barros. À memoria do pensador António Aragão afogado na sua lucidez.
  • #5/9: "ditaDor", 2015, António Barros. À memória do (d)enunciador António Aragão.
  • #6/9: "Arte é quando a LUcideZ trava a loucura", 2015, António Barros. À memória de António Aragão, um arejador da Arte.
  • #7/9: "Discussão rizível", 2015, António Barros. À memória da sempre mestria de humor de António Aragão.
  • #8/9: "Sem palavra(s)", 2015, António Barros. À memória do convulsivo António Aragão.
  • #9/9: "Palavra d' ordem", 2015, António Barros. À memória do vertical poeta António Aragão.

Vi[n]da de cão

Vi[n]da de cão, 2015, António Barros. [Revista TriploV de Artes, Religiões e Ciências, Nova série, #51, abril-maio 2015, Lisboa. À memória de António Aragão].


Colecção E. M. de Melo e Castro

Com Pés de Vegécio

Com Pés de Vegécio, 2012  Coimbra [Objecto-Livro leitura sobre 'Compêndio da Arte Militar' de Vegécio] Colecção E. M. de Melo e Castro

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Caminho e penso | E. M. de Melo e Castro

Para António Barros
olhando o seu obgesto "Com Pés de Vegécio"

 

caminho e penso
e a dor do caminhar intenso
iguala o prazer do pensamento tenso
que enquanto caminho o espaço venço
e enquanto penso o tempo alcanço
no mesmo enlace
mas num outro lance

 

penso enquanto caminho
com o fluir dos passos
e o doer nos pés
com os neurónios abertos aos espaços
das súbitas intuições
com as palavras certas
das subtis emoções
de pensar e andar
no ritmo telúrico do vento

 

caminho e penso
penso e caminho
sem sair do pensar
e sem andar um passo
porque do obgesto imana
a energia toda
contida no mistério
que é andar e ver
pensar e conhecer
a vida e a morte
que nos há-de viver

 

E. M. de Melo e Castro
Do Claro e do Escuro, Terracota Editora, São Paulo, Brasil, 2013.


Outras exposições

Valsamar

Valsamar, 2005-2010  Museu da Água, Coimbra, Festival das Artes, 2010 | Line Up Action, Casa das Caldeiras, Universidade de Coimbra [Foto: João Armando Ribeiro].

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O mar, o mar | José Tolentino Mendonça

 

 

Perante linhas que se despenham
numa desarticulação cadenciada
um pensamento, mesmo o mais trivial
coloca-nos no centro de uma tempestade
Um reino subterrâneo
avança a intervalos pela casa fora
emerge muito lentamente
um declive, uma linha
que divide o mundo
   
Imagina que tudo isto ocorre antes do próximo Inverno  
E mesmo ao escurecer estás diante do mar
O mar como nunca antes o viste
 
José Tolentino Mendonça


Outros projectos

L  á  g  r  i  m  a

Estudo de Intervenção urbana, Texto_Conceito de António Barros, composição sobre retrato de Amália, Fotografia de Bruno of Hollywood. Arte em Espaço Público, Coimbra, 2014. Projecto: "A Poesia está na Rua". Espaço suporte: Largo Dom Dinis, Universidade de Coimbra.


H o m i n e s  E s t i s

Para um desenho neurológico do dr. Shiro Ishii, Artitude. In 'Paisagens Neurológicas - arte, ciência, ética, estética: onde estamos? Onde vamos?', Isabel Maria Dos, Estudos Artísticos, FLUC, Casa das Caldeiras, Universidade de Coimbra, 16 de Maio, 2014. [Fotografias: 1 e 2, Cortesia Tun Fei Mou, 1988; 4, 5 e 6, Cortesia Isabel Maria Dos]

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Q u a s e

Q u a s e  [Portugal, Pensão de 1/2 Estrela, ou Esse Esvaziado País do Quase], 2010. Projecto para nova Bandeira Nacional apresentado no âmbito das Comemorações da República. Uma leitura em diálogo com Mário de Sá Carneiro.


Qual_idade? Portugal_Quase

Qual_idade? Portugal_Quase, António Barros, 2014 [Seguido de comentário de Ernesto Melo e Castro após a leitura: "o ... P que nunca é Q. Mas pergunto eu: Por Quê?"]. In Revista TriploV de Artes Religiões e Ciências, #47_agosto-setembro, Lisboa, 2014.


Basta d_azar

[ Basta d_azar ] António Barros, 2014 ["Basta d'azar. É demasiado extensa aquela faixa d'azar", Vítor Álvaro, julho, 2014]


A n d a n t e

24 variações perante a condição distintiva. Contributos - para uma "Escultura Social" - de: Ilda Teresa de Castro [#1 - Lisboa]; Luis Pedro Crisóstomo [#2 - AFTER 'PO.EX', Plaza Catalunya, Barcelona, 2013]; Jonas Runa [#3 - "Hate Music.Love Art", Exp. Antológica de Vítor Rua, Galeria Perve, Lisboa]; João Luis Azevedo [#4 - Lisboa/Madrid]; desconhecido, n.i. [#5 - Valença, Minho]; Diogo Cabrita [#6 - Valença, Minho]; Ernesto Melo e Castro [#7 - Casa das Rosas - Haroldo de Campos, São Paulo, Brasil]; Jorge Pais de Sousa [#8 - "Ecceidade", de Ilda Teresa de Castro, Mosteiro de Santa Clara, Coimbra]; António Dantas [#9 - Curral das Freiras, Arquipélago da Madeira | Ler tb > Esse nada que nos sonha]; Jorge Santos [#10 - Belém do Pará, Brasil]; João Rasteiro [#11 - Casa da Escrita, Coimbra]; Vicente Serrano [#12 - 'contaminações'_geração emergente]; António Azenha [#13, Coimbra, 2013]; Sofia Nobre e Susana Nobre [#14, Badajoz, Universidade de Cáceres, 2014]; Rui Torres [#15 - Bergen Bibliotek, Noruega, 2014]; Egídio Álvaro [#16 - Paris, 26-06-2014 | Foto: A_A | Ler tb > Na senda de Egídio Álvaro]; Silvestre Pestana [#17 - 'Refrega', Porto, 2014 | Ver tb > versão original no blog do autor] | A_A [#18, "A_A", Artitude urbana - uma condição situacionista, Ville de Paris, 27-06-2014] | Francisco Sousa [#19, Amsterdam, 2014] | A_A [#20 - perante VOAEX, 1976, de Wolf Vostell. Artitude: Noite em Los Barruecos, Museo Vostell Malpartida, 2014] | Ricardo Bastos Areias [#21 - China, 2015] | João Barros [#22 - Funchal, 2015] | Ricardo Correia [#23- Caldas da Rainha, 2016] | Fernando Aguiar [#24 - Lisboa, 2016].


L á s t i m a

Variações em torno da letra P sobre um cravo, 40 anos depois; Objecto-Livro, Pautizações performativas, 2014 | Pens(ã)o C(r)avo | p[ortugal] p[ensionista] | p_reza | p_pato | p_residente | P_lava | Luso_uso | sal_p| p_átria| cansar o aço| duro_dito| mágoa | Prego | aodeusdará | Penar | Pesar | Desencanto | Um rito | Passa | Posa | m_urro | Odiento | Sem voz | Tece | Apagar a hora | Pressão | Conforme | na_dar | caso raso | família | da_nada | a_fundação | Esquecer | outro ouro | de pé | cedo | luar | como dantes | ceder | ar [onde lê a solitária letra P, pode ler: pátria; pobre; portugal]

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G e r a c i o n i s t a

Textos Visuais, 1979 - 1980, António Barros, pautizações performativas, parte integrante de "Manifesto Geracionista", publicado em: Artitude:01- Progestos Visuais Multimédia, Coimbra | Poesia | Contra adição | Mil máscaras | Idade | B=B_à mesa | Acção


Tal como a chama

"Tal como a chama" [Para um estudo semiótico de: à mesa dos cafés de Coimbra nos anos oitenta], 1993, António Barros [esquiços para objectos escultóricos, parte integrante da 'instalação' de 7 peças].

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6 Esquiços para uma Arquitectura do Sentido_Progestos

6 Esquiços para uma Arquitectura do Sentido_Progestos: #1- "Aguda Proa_Gelo Real", 2012 [Progesto: Ao acordar, corria atrás do sonho para o continuar. Sabia que saída a alvorada só lhe restava o real] | #2 - "Amigo", 2005-2014 [Artitude: Todo o amigo é um potencial inimigo, e ao resolver-se resultará o mais cruel] | #3 - "Humano", 2009 [Humano é o único animal capaz de se ContraDizer. Progesto: à memória de Miguel Baptista Pereira] | #4 - "Medo_Vaso Infinito", 2014 [Rente ao veludo vulvar há uma lâmina que não corta, uma agonia navegante, um vaso infinito, medo de um sentido vago - Progesto em "Coisas Reais", CAAA, Guimarães, 2014] | #5 - "AutofA(l)gia", 2013, Coruche [Artitude: Nada mais inútil que a Verdade] | #6 - "Obt_uso - óbito uso", 2014 [Artitude: De que serve um povo que elege a obtusidade? ; "Coisas Reais", CAAA, Guimarães, 2014].


Portugal: Braço(a)deus_Palavras nuas

Portugal: Braço(a)deus_Palavras nuas. "A Poesia Está na Rua", 40 anos depois, 2014 [Eventualmente 'arte pública'. Recolha urbana, Rua da Ilha, Cidade de Coimbra] | Contra-capa: Revista de Artes e Ideias, Alma Azul, #10, Coimbra, 2014.

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A arte de ser português

A arte de ser português, 2014 [Momentos para um objecto-livro - obra aberta]


BN_Bandeira Nacional


BN_Bandeira Nacional [Estudo de requalificação], 2014 | Obra, capa da Revista de Artes e Ideias, Alma Azul, #10, Coimbra, 2014.


Portugal no seu melhor

Portugal no seu melhor, 2013-2014 [Obra dedicada a Jorge Lima Barreto (1949-2011), artista de: "não vi, não gostei", 1ª Bienal "Jorge Lima Barreto - Arte é Vida e Vida é Arte!", Vinhais, 2014]

Apresentação, em Oratória, da obra "Portugal no seu melhor", Capela do Solar dos Condes de Vinhais, "Bienal Jorge Lima Barreto - Arte é vida e vida é arte!", 2014, Vinhais, Portugal. Fotos: Cortesia Augusta Vilalobos. In Revista TriploV de Artes, Religiões e Ciências, "Homenagem a Jorge Lima Barreto", Organização de António Barros, Lisboa, 2014.

Obra apresentada na 19ª Bienal de Cerveira, integrando a colecção da Fundação Bienal de Arte de Cerveira. [Publicado também na revista TriploV - http://triplov.com/revistaTriplov/elegia-a-jorge-lima-barreto/]

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Aura_Elegia a Jorge Lima Barreto

Aura_Elegia a Jorge Lima Barreto, 2016, António Barros. Obra residente na Capela de São Caetano, Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais, Bragança_Vinhais. Edição criada no âmbito da 2 Bienal Jorge Lima Barreto. Agradecimentos: Augusta Vilalobos, Roberto Afonso e Rui Torres.


Vincos

Vincos, 2016, António Barros. Obra perecível _ espacialidade para Concerto Vincos com Carlos Barreto, Carlos Zíngaro, Vítor Rua e António Barros, 17 setembro, encerramento da 2 Bienal Jorge Lima Barreto, Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais, Bragança_Vinhais. Agradecimentos: Augusta Vilalobos, Roberto Afonso, Vítor Rua e Rui Torres.


COISAS REAIS

COISAS REAIS, CAAA - Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura, 6 de dezembro, 2014 - 11 de janeiro, 2015, Guimarães. Fotos: Cortesia Augusta Vilalobos.

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Obras expostas >

"Medo_Vaso infinito", 2014, Coimbra.

"Obt_uso - óbito uso", 2012-2014, Coimbra [Artitude: De que serve um povo que elege a obtusidade?].

"Da Lucidez Perigosa", 2014, Lisboa [à memória de João Nascimento].

"DePur(o)Ar", 2014, Paris [para Augusta Vilalobos].

V(l)er tb >

"Portugal no seu melhor sob um vaso cavalgante", 2014, Vinhais, Bienal JLB [à memória de Jorge Lima Barreto].

V(l)er tb >

"Dos passos sem volta", 2014, Coimbra [num diálogo com Herberto Helder].

"Lama_Memórias", 2010-2014, Funchal-Coimbra [Obgesto: aL(a)ma].

"Sandales_Mal de Mer", 2006-2014, Limbé-Coimbra [à memória de Frantz Fanon].

V(l)er tb >

"Oratória", 2012-2014, Funchal [Projecto: What is Watt? ; Obgesto: à memória de Túlia Saldanha].

Ler tb >

"Bruma", 2010-2014, Coimbra [Artitude: No fundo do poço procurava o corpo da filha que não nasceu]. A terceira fotografia é de João Armando Ribeiro.


Bruma_versão #3

Bruma_versão #3, 2016, António Barros, "Dos Modos Nascem Coisas", Teatro Alba, Aveiro, Albergaria. Espaço da arquitectura, requalificação de Rui Rosmaninho.

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Coisas Reais_A Casa

Coisas Reais_A Casa, 2015. [Conteúdos > #1 Oratória; #2 Florigen; #3 reMate; #4 Uma cadeira para NN_Vacuidade; #5 Coisas Reais_A Casa; #6 Bruma (Foto: Cortesia Augusta Villalobos)].

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Che Brossa

Che Brossa, 2015 [Che, depois de Brossa, em modo de homenagem mutualista].


Seis desassossegos com oito esses ao fundo

Seis desassossegos com oito esses ao fundo, 2015.


Urban Life

Urban Life_"Não posso", António Barros, Coimbra, 2015.

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Urban Life_ "Não posso"

Urban Life_ "Não posso", Arte Urbana em Mupis, AMIarte, 30 de junho - 13 julho, 2016, Praça da Batalha, cidade do Porto.

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cObra

cObra, 2015.


Je suis Charlie_N[igéria]

Je suis Charlie_N[igéria], 2015.


Dá-me a mão, não as luvas

Objecto_Livro "Dá-me a mão, não as luvas", 2015, António Barros. [Revista TriploV de Artes, Letras & Ciências, #53, agosto-setembro 2015, Lisboa].

  • #1/12: "No fundo"
  • #2/12: "Sem anel"
  • #3/12: "Encerrado"
  • #4/12: "Ment(e)indo"
  • #5/12: "Dúbio"
  • #6/12: "Fora"
  • #7/12: "Em si, ou a idade do espelho em Lacan"
  • #8/12:  "A n (e/u) l a r"
  • #9/12: "deVoto"
  • #10/12: "subSerViente"
  • #11/12: "cortaram-lhe os dedos"
  • #12/12: "NadaDor"

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V_iver

V_iver, 2015 [Contrariando hábitos anteriores, Alexis Tsipras toma posse como primeiro ministro da Grécia recusando o símbolo gravata, apresentando assim peito aberto em forma de letra V].

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forma de ser

forma de ser, 2015 [O que mais me amarga no povo português, nesse ente, é a sua forma de ser. Ser sub_ser. Subserviente. Não vivente. Sub_ser_vi(v)ente].


franqueza

franqueza, 2015.


Duas mãos

Duas mãos, 2015.


Razões bastantes para uma cirurgia da mão

Razões bastantes para uma cirurgia da mão, 2015. [Conteúdos > #1 "Mão daNada"; #2 "Mão nada(d)ora"; #3 "Mão coçante" [numa evocação a Eduardo Galeano]; #4 "Mão vazia"; #5 "Mão aPenas"; #6 "Mão dada"].

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Cão vaiado

Cão vaiado, 1973-2014. Objecto-poema, memórias volantes no imaginário de artitudes urbanas, parte integrante de "Revisitações icónicas", Funchal-Coimbra.


a  d i z e r

Imagens 1-3: a  d i z e r  [artitude], 2015-2016, António Barros, evocando a luta de Luaty Beirão. [ edição f : 26 out 2016 ]

Imagens 4-6: a  d i z e r , de António Barros, [artitude_edição única], original oferecido a Luaty Beirão, Casa da Lusofonia, Universidade de Coimbra, 17 dez 2016. [Fotografias 4-6: Cortesia Augusta Vilalobos]