ARQUIVO VIVO É ANARQUIVO!

[Sessão #02 - 7 Fevereiro 2015]

Texto-Texto [Espacialização, Constelação, Poesia Concreta].

Rui Torres: Apresentação, textos e selecção de poemas | Ana Carvalho: Manipulação audiovisual com Modul8 & botabaixo.js (Nuno F Ferreira) | Luís Grifu: gravação audiovisual | Convidado: Bruno Ministro | Thanks to Retroescavadora.

Apresentação de obras dos seguintes Autores: Abílio-José Santos, Américo Rodrigues, Ana Hatherly, António Aragão, António Barros, António Dantas, bruno neiva, César Figueiredo, E. M. de Melo e Castro, Fernando Aguiar, Jorge dos Reis, José-Alberto Marques, Manuel Portela, Pedro Barbosa, Salette Tavares

@ Livraria Gato Vadio, Porto. 7 Fevereiro 2015 17h00


Imagens da apresentação/intervenção >

Ana Carvalho, Rui Torres e Bruno Ministro. Fotos cortesia de Sandra Guerreiro Dias e Ivo Hoogveld.


Imagens registando o acesso ao ARQUIVO VIVO É ANARQUIVO! após activação de scripts programados por Nuno Ferreira: botabaixo.js, fuzzyme.js e fademe.js

Veja mais imagens em > Botabaixo, FadeMe, FuzzyMe [Scripts para manipulação do PO-EX.NET], por Nuno Ferreira


[Registos em vídeo brevemente disponíveis]


http://www.po-ex.net/images/stories/header.swf

Anim_Poemario



PO.EX - POesia EXperimental - Termo proposto por E. M. de Melo e Castro para enquadrar as actividades de autores portugueses ligados à poesia visual, sonora e concreta dos anos 1960 a 1980.

Experimentalismo literário: prática expressiva que se centra na materialidade significante e nos processos de semiose literária.

CD-ROM da PO.EX com Revistas da Poesia Experimental > http://po-ex.net/evaluation


Poesia experimental: actualidade, pertinência. Muitas das operações que a máquina literária digital apresenta, encontravam-se em práticas poéticas precedentes. Colagens, espacialização visual dos significantes, escrita automática, procedimentos de permutação (Reis, 2009; Drucker, 2005).

Superação dos limites da teorização dos géneros. “Atitude transgressora face a convenções dominantes e gramáticas específicas” (Reis, 2005: online).

O texto como problema: E. M. de Melo e Castro, A revolta do texto [in As palavras só-lidas. Lisboa: Livros Horizontes, 1980]. Leitura por Américo Rodrigues:


Cruzando a teorização de Arnaldo Saraiva para o estudo das literaturas marginais (1980) com a PO.EX...

A poesia experimental (concreta, visual, sonora ou cibernética), rompendo com “a literatura dominante, oficial, consagrada, académica e mesmo clássica” (Saraiva, 1980: 5), não peca por “menos estruturação, menos elaboração estética, menos conceptualização, ou menos ambição cultural” (1980: 5).

A PO.EX é marginal e marginalizada por razões de “ideologia literária” e de “economia do mercado editorial” (Saraiva, 1980: 6).

O experimentalismo promove “o desrespeito das leis clássicas, [propondo] a novidade nas técnicas ou nos motivos, a contaminação dos géneros, (...) a complicação estrutural” (Saraiva, 1980: 6).

O marketing literário não o legitima, pois não o consegue compartimentar nos formatos convencionados pelo mercado.

A poesia experimental é publicada em folhetos, catálogos, registos de acontecimentos, graffitis, fotocópias, objectos, jardins. Ver:



Antes: textos visuais dos séculos XVII e XVIII recolhidos e organizados por Ana Hatherly: Labirintos de Letras, Labirintos Cúbicos, Labirintos de versos, Acrósticos, Anagramas e Cronogramas, Emblemas, Empresas, Enigmas, Escrita Ropálica, Texto-Amuleto, Ecos, Centão, Lipogramas e Versos de Cabo Roto.

Tradição de uma poesia inovadora (ou de inovação), coordenadas históricas da visualidade: a procura do visual e do figurativo na história da literatura.

In > Antologia de textos visuais dos séculos XVII e XVIII, Ana Hatherly


Intro: Da poesia visual à poesia concreta, ou ao contrário?

Poesia Visual - Forma de poesia baseada na dissolução das fronteiras entre géneros literários e visuais, passando o poema a ser uma entidade híbrida e intermédia, desse modo superando a exclusividade da linguagem verbal e dos elementos tipográficos, e promovendo a sua articulação com elementos visuais e plásticos.

In > Ao artista basta sê-lo, António Dantas


Da espacialização ao concretismo

Poesia Concreta - Forma de poesia baseada na espacialização e organização constelar dos significantes, desse modo promovendo a superação do verso como unidade rítmico-formal e a sua substituição por homologias e relações icónicas entre escrita, som, imagem e sentido.

Poetas paulistas :: dá-se por encerrado, a partir dos anos 1950, “o ciclo histórico do verso enquanto unidade rítmico-formal” (Campos, Pignatari e Campos, 1965: 154).

De acordo com Alfredo Bosi (adaptação nossa), a poesia concreta activa e mistura vários níveis:

  • nível semântico: ideograma, apelo à comunicação não-verbal, comunicação polissémica, absurdo.
  • nível sintáctico: atomização, justaposição, redistribuição dos elementos, sintaxe espacial e icónica.
  • nível lexical: substantivos, neologismos, termos pluri-linguísticos.
  • nível morfológico: desintegração do sintagma, separação de prefixo e sufixo, desconstrução ao nível dos morfemas.
  • nível fonético: figuras de repetição (aliteração, rimas internas), jogos sonoros.
  • nível tipográfico: abolição do verso, não-linearidade, uso construtivo de espaço em branco, ausência de sinais de pontuação, constelações e sintaxe gráfica.
  • nível verbal: atomização do material linguístico, apagamento da estrutura narrativa implícita na linguagem.

Obras normalmente inscritas numa materialidade planográfica (obras bidimensionais apresentadas em superfícies planas). Técnicas de inscrição comuns: Caligrafias, Colagens, Desenhos, Pinturas; Dactilografias, Electrografias, Gravuras, Impressões Digitais, Letraset, Serigrafias, Stencils, Tipografias.


Um dos primeiros sinais que a poesia concreta comunica é a disposição gráfica dos significantes na página.

In > Lidança, Abílio-José Santos

In > O dedo, Fernando Aguiar


A espacialidade na organização do poema - a que Eugen Gomringer chamou de “constelação” - integra-se nas poéticas concretistas de rarefação da palavra.

In > Concretos e visuais (1986-2005), Armando Macatrão


A utilização do espaço em branco - a periodicidade - em substituição da pontuação. Esta configuração do espaço gráfico permite relações significativas inusitadas. Concentração e redução - "linguagem reduzida" (Gomringer).

In > michelin, un poisson | Samples, bruno neiva


Procedimentos de aglutinação e justaposição, rarefação semiótica: legibilidade e ilegibilidade, redundância e informação.

In > Homeóstatos, José-Alberto Marques

> Fragmentos de uma experiância, de José-Alberto Marques, publicado no 2º número da Revista PO-EX, aqui em versão hipermédia de Rodrigo Melo

E ainda... Eugenio Tisseli > http://www.po-ex.net/homeostatos/


Consciência teórica, auto-reflexividade e po(é)(lí)tica.

In > Gramática histórica, Álvaro Neto

In > A reinvenção da leitura, Ana Hatherly

In > Anagramático, Ana Hatherly


Apropriação dos modelos da comunicação (telegramas, cartas comericias, etc), através da supressão e alteração de certos elementos constituintes dos respectivos formulários. Humor.

In > Cartas comerciais tipo, César Figueiredo

In > Mais exactamente p(r)o(bl)emas, António Aragão

In > Os bancos: antes da nacionalização, António Aragão

In > Cara lh amas, E. M. de Melo e Castro


Obgesto. Progesto. Poelítica.

In > Lástima, António Barros


A fragmentação discursiva recorre à repetição exaustiva de termos, com variações mínimas, introduzindo transformações progressivas no reportório apresentado.

In > Escravos, António Barros

In > Revolução, António Barros


Ideogramatismo: possibilidade de juntar elementos sígnicos distintos para produzir novas formas de leitura e interpretação. Não é um poema sobre algo, mas sim um poema que é uma realidade em si própria. Um poema que comunica a sua estrutura.

In > Ideogramas, E. M. de Melo e Castro

Sem título [Tontura]. Ideogramas (1961-62) >

In > Visão Visual Vocal, Américo Rodrigues

Hipnotismo (1'28") In > Signagens, E. M. de Melo e Castro

> Mapa do deserto, de E. M. de Melo e Castro, publicado no 1º número da Revista Hidra; seguido de Releitura.


A poesia de inovação procura empregar todas as técnicas ao seu alcance para aumentar os níveis de informação e diminuir a redundância.

In > Intervenção urbana. Big-Bang, Poesia!, Gabriel Rui Silva


Dimensão verbivocovisual. Intermedialidade. Prática intersemiótica - diferentes códigos e práticas artísticas; diferentes técnicas de inscrição.

In > Poesia gráfica, Salette Tavares

> O Menino Ivo (cartaz s.d.) > Performance "O leitor compulsivo de alfabetos" | Interpretação fonética dos poemas visuais de Salette Tavares, Galeria Diferença, Lisboa, 3 de Fevereiro 2011

In > Caderno de Salette Tavares [Poesia experimental 2]

> Interpretação de Parlapatisse, por Bruno Ministro


A fragmentação da estrutura rígida do verso e da linearidade. Negação da sintaxe discursiva.

In > Poesia visual, José Oliveira

In > Cras! Bang! Boom! Clang!, Manuel Portela


A tecnologia e a máquina devem ser usadas como campo para testar os limites do conhecimento e da criatividade. A apropriação da tecnologia da máquina como uma realidade tangível na perspectiva informacional da Poesia Experimental.

Tudo pode ser dito num poema, E. M. de Melo e Castro

Aveiro - Elegia Minimal Repetitiva, Pedro Barbosa

Porto - Trovas electrónicas, Pedro Barbosa

Compilação de textos permutacionais - A literatura cibernética 1, Pedro Barbosa