Secção 1 >

ARQUIVO É ANARQUIVO! [FortunAly]


Som-Texto (Poema sonoro) >

Como explica Daniela Côrtes Maduro na sua recensão a Escatologia, de Américo Rodrigues: "O som produzido corresponde a vogais e sílabas desconexas ou palavras que estão a ser trituradas pela experiência sonora levada a cabo por Américo Rodrigues. Reduzidas às suas unidades mínimas, as palavras perdem coerência, até que cessam de existir. Face à iminente perda de sentido, o ouvinte assiste a uma performance onde os sons regressam a um estado primitivo, libertos das imposições da escrita ou do discurso verbal. Américo Rodrigues mostra que os sons vocais podem ir além das palavras ou letras, e trata-os como manifestações físicas de emoções (Portela, 2003) ou como resquícios de sentimentos e sensações. "Escatologia" é o estudo do final do mundo ou da humanidade. A efemeridade do discurso oral é assim equacionada com a inevitabilidade da morte."

Rumor Branco #1 05:34 (m)

[Nuno M Cardoso lê texto de Rui Torres: Américo Rodrigues, 2003, poesia sonora do disco “escatologia”. “cavalgada”. Seguida de “sitiado”. A desestruturação da estrutura silábica elementar da articulação vocabular. Nesse sentido, pós-Dada, pós-Futurista. Velocidade, mas por processamento sonoro da voz. O sussurro. Poemas para gritar e para saltar, como quis Hugo Ball. O sopro. “Chamo de poesia o conhecimento do sopro já que é o esgotamento do universo para o universo. Aí então o corpo se reinventa”, disse Pierre Garnier na sua Arte Nova Sonia, de 1962. Trabalhar o sopro. O “sopro-energia-vibração-ondulação-radiação”. Como previu Ilse Garnier, “o fim do mundo da expressão”.]

Capa de Escatologia, de Américo Rodrigues

Américo Rodrigues, “cavalgada”

Américo Rodrigues, “sitiado”


Texto-Som (Leitura) >

"Opressão", de Alexandre O'Neill

Américo Rodrigues, "Opressão" (Alexandre O'Neill)


Genealogia/derivação (História) >

Rumor Branco #1 00:26 (m)

[Nuno M Cardoso lê texto de Rui Torres: "Filippo Tommaso Marinetti, 1920, “Parole in libertà” – elegia da vitória da libertação das palavras futuristas. Pequeno excerto, primeiro minuto do Manifesto. Depois disso, em declamação de 1924, “Bombardeamento de Adrianopoli”. Uma arqueologia da experimentação literária. As vanguardas históricas, aqui vertidas numa síntese musical vocal e sonora. O ruído como estética, a utilização musical da voz, em contrastes bruscos, onomatopeias. A declamação exaltada e agitada. Marinetti: “A onomatopeia, que serve para estimular o lirismo com os elementos crueis e brutais da realidade, foi usada na poesia mais ou menos timidamente. Nós, os futuristas, começamos o uso constante e audacioso da onomatopeia.” (…) “Só o ruído na arte nos interessa”."]

Manuel Portela: "A poesia sonora desenvolveu-se ao longo do século XX a partir de um conjunto diferenciado de movimentos e programas, que vão dos poemas fonéticos futuristas e dadaístas da década de 1910-1920 à poesia sonora e electroacústica franco-belga dos anos 50 e 60, passando frequentemente pelas fronteiras da música contemporânea, em especial depois da segunda Guerra. À revolta deliberada contra o totalitarismo semântico dos primeiros modernistas fonéticos, os poetas sonoros das décadas de 50 e 60 acrescentaram a crítica ao logocentrismo e ao grafocentrismo da linguagem, fazendo pleno uso da fita magnética e dos novos recursos electrónicos para registarem e modificarem toda a gama de cambiantes expressivos da voz humana aquém e além da fala, e aquém e além do canto. Essa improvisação expressiva permitiu trabalhar de modo exaustivo a materialidade acústica e articulatória da linguagem como estrutura sónica e do aparelho fonador como instrumento musical."

F. T. Marinetti, "La Battaglia di Adrianopoli" [Ligação externa / External link]


Processo/manipulação (Kyma) >

Luís Aly: Degeneração digital