A poesia de inovação procura empregar todas as técnicas ao seu alcance para aumentar os níveis de informação e diminuir a redundância.

O leitor é forçado a procurar, no intrincado do texto, os limites da significação.

Contrapondo a sua voz aos meios de comunicação de massa, a ênfase da poesia experimental é colocada nas estruturas criativas e complexas, distinguindo assim o artístico do ritual, o novo do banal.


Para António Aragão, a tecnologia e a máquina devem ser usadas como campo para testar os limites do conhecimento e da criatividade: "it is appropriate to question when the total use of the freedom of expression will emerge through all the means that current technology makes possible. (...) Let us say here that this has nothing to do with admiring the new machines, but with using current technology to create" (Aragão, 1990: 80).

As electrografias de A. Aragão, A. Dantas, A. Nelos e César Figueiredo, entre outros, inscritas no âmbito internacional da copy-art, apresentam conjuntos de situações narrativas que são sujeitos a progressivas deformações e alterações.

A manipulação do texto e da imagem, com recurso à fotocopiadora, atribui um sentido estético à textura e à superfície de inscrição.

Através de processos de deformação obtidos pelo movimento da folha no contacto com a superfície de digitalização da fotocopiadora, faz acompanhar a manipulação visual das imagens com a progressão narrativa do texto que as acompanha.

Assim, a componente verbal é sujeita a um progressivo processo de distorção, de forma que acaba sendo o próprio discurso do poder que se revela em toda a sua prepotência.

Não é apenas o dispositivo maquínico que é apropriado para fins criativos, mas o próprio formato estandardizado do modelo textual da comunicação de massas que é vertido em grelha visual de uma comunicação poética.

Esta apropriação dos modelos da comunicação (telegramas, cartas comericias, etc), através da supressão e alteração de certos elementos constituintes dos respectivos formulários, bem como pelo preenchimento dos campos com recurso a uma linguagem simultaneamente lírica e irónica, provoca efeitos de estranhamento no leitor e, dessa forma, rompe com a fronteira frágil entre arte e vida, real e ficção.


De Aragão: Câma Minicipal do unhal - MÁGUAS - AVISO | posto de Cá ais | Câma Minicipal do unhal - Ao VISO | istória dos soldadinhos [In P(R)O(BL)EMAS VISÍVEIS (ao longo do livro)], in Mais exactamente p(r)o(bl)emas (1968)


Velegrama :: Álvaro Neto, Antologia da Poesia Concreta em Portugal (1973). Leitura por Américo Rodrigues (Guarda, 2011-04-30, 1:33).


António Aragão, Telegramando [Suplemento do Jornal do Fundão. Org. E. M. de Melo e Castro. Fundão, 1966].


24 cartas comerciais tipo, César Figueiredo


Electrografia 1, António Aragão


Electrografias e outros trabalhos dispersos, António Dantas


Olho por olho dente por dente, António Nelo


Electrografias, António Nelos


From the Desk + From the Office, César Figueiredo