PO.EX - POesia EXperimental - Termo proposto por E. M. de Melo e Castro para enquadrar as actividades de autores portugueses ligados à poesia visual, sonora e concreta dos anos 1960 a 1980.

Cronologia da PO.EX (por E. M. de Melo e Castro); seguida de sumários das principais revistas e exposições >

Cronologia/timeline da PO.EX (po-ex.net)


Experimentalismo literário: mais do que um período literário específico, apresenta-se, ao longo da história da literatura, de um modo cíclico.

Práticas expressivas que se centram na materialidade significante e nos processos de semiose literária.

História por fazer. Ana Hatherly: uma “causa ingrata” (1985: 15). Os poetas, principalmente entre 1960 e 1990, acabam por assumir a função de persistente activismo e disseminação.

CD-ROM da PO.EX com Revistas da Poesia Experimental > http://po-ex.net/evaluation


Hoje: sociedade em rede, efemeridade e multimedialidade integradora dos fluxos de informação.

Poesia experimental: actualidade, pertinência. Muitas das operações que a máquina literária digital apresenta, encontravam-se em práticas poéticas precedentes. Colagens, espacialização visual dos significantes, escrita automática, procedimentos de permutação (Reis, 2009; Drucker, 2005).

PO.EX: “um acto de rebeldia contra um status quo… [e] um questionar profundo da razão de ser do acto criador e dos moldes em que ele vinha sendo praticado” (Hatherly, 1985: 15).

Ainda Hatherly, sintetizando: “a acção dos seus divulgadores contribuiu para uma atitude de reavaliação e renovação do texto literário, quer do ponto de vista da produção quer do ponto de vista da análise crítica” (1985: 15).

Poeprática: “[h]ouve uma POEPRÁTICA.... (...) textos / objectos / intervenções possuíam, eles mesmos, uma componente teórica implícita" (José-Alberto Marques, in Poemografias 1985: 89). Uma poeprática de “poetas-teorizadores” (Hatherly, 1981: 146).

Superação dos limites da teorização dos géneros. “Atitude transgressora face a convenções dominantes e gramáticas específicas” (Reis, 2005: online).

O texto como problema: E. M. de Melo e Castro, A revolta do texto [in As palavras só-lidas. Lisboa: Livros Horizontes, 1980].


 

Américo Rodrigues:


Cruzando a teorização de Arnaldo Saraiva para o estudo das literaturas marginais (1980) com a PO.EX...

A poesia experimental (concreta, visual, sonora ou cibernética), rompendo com “a literatura dominante, oficial, consagrada, académica e mesmo clássica” (Saraiva, 1980: 5), não peca por “menos estruturação, menos elaboração estética, menos conceptualização, ou menos ambição cultural” (1980: 5).

A PO.EX é marginal e marginalizada por razões de “ideologia literária” e de “economia do mercado editorial” (Saraiva, 1980: 6).

O experimentalismo promove “o desrespeito das leis clássicas, [propondo] a novidade nas técnicas ou nos motivos, a contaminação dos géneros, (...) a complicação estrutural” (Saraiva, 1980: 6).

O marketing literário não o legitima, pois não o consegue compartimentar nos formatos convencionados pelo mercado.

A poesia experimental é publicada em folhetos, catálogos, registos de acontecimentos, graffitis, fotocópias, objectos, jardins. Ver:


:: poetas paulistas :: deu-se por encerrado, a partir dos anos 1950, “o ciclo histórico do verso enquanto unidade rítmico-formal” (Campos, Pignatari e Campos, 1965: 154).

A “renovação da comunicação literária” e a consequente “desmontagem do discurso do poder instituído” (Reis, 2005: online).

E. M. de Melo e Castro, em A Proposição 2.01--Poesia Experimental (pp. 35-36), considera serem oito os modos de produção experimental:

  • Visual
  • Auditiva
  • Táctil
  • Respiratória
  • Linguística
  • Conceptual e matemática
  • Sinestésica
  • Espacial

A PO.EX opõe-se ao sentimentalismo e ao discursivismo da poesia tradicional em geral; a PO.EX rejeita a rigidez da métrica e da rima; etc. (Melo e Castro & Hatherly, 1981: 26-27).

A PO.EX também se demarca, por outro lado, de outros movimentos de base concretista, ao aliar-se, por exemplo, às experiências com os computadores e com a poesia combinatória, à performance e ao happening, entre outros.

Demarcação teórica da PO.EX; seguida de 4 esquemas teóricos >

O poeta volta-se para a materialidade sígnica: compreende que a escrita é um desenho de letras e de símbolos.

A escrita é um sistema de notação que põe em crise a própria linguagem.

Subvertendo a escrita e as suas estruturas lógicas e psicológicas, contribuem para a desagregação das estruturas ideológicas de uma sociedade marcada pela revolução industrial e electrónica, pela teoria da informação e da cibernética, trabalhando a palavra como material de composição verbal, sonoro e visual.


Alfredo Bosi:

  • nível semântico: ideograma, apelo à comunicação não-verbal, comunicação polissémica, absurdo.
  • nível sintáctico: atomização, justaposição, redistribuição dos elementos, sintaxe espacial e icónica.
  • nível lexical: substantivos, neologismos, termos pluri-linguísticos.
  • nível morfológico: desintegração do sintagma, separação de prefixo e sufixo, desconstrução ao nível dos morfemas.
  • nível fonético: figuras de repetição (aliteração, rimas internas), jogos sonoros.
  • nível tipográfico: abolição do verso, não-linearidade, uso construtivo de espaço em branco, ausência de sinais de pontuação, constelações e sintaxe gráfica.